BUDAPESTE (Reuters) – Milhares de húngaros se reuniram em frente à sede da televisão estatal do país neste sábado, protestando contra o que descreveram como a “máquina de propaganda” do governo e pedindo um serviço público independente de mídia.

Os manifestantes, do partido da oposição TISZA, dizem que a emissora estatal MTVA está a veicular propaganda tendenciosa, apresentando apenas políticos do partido e do governo do primeiro-ministro Viktor Orban, e analistas repetindo a sua narrativa.

O partido de centro-direita TISZA, liderado pelo recém-chegado político, conhecedor dos meios de comunicação social, Peter Magyar, representa o maior desafio ao nacionalista de direita Orban desde que chegou ao poder em 2010.

Agitando a bandeira nacional e faixas que diziam “Parem a Propaganda”, milhares de apoiantes do TISZA reuniram-se em Budapeste, gritando “Não temos medo” e “já chega” no último comício convocado por Magyar.

“Já estamos fartos da malícia, das mentiras, da propaganda, a nossa paciência acabou”, disse Magyar à multidão.

“O que temos hoje como meios de comunicação de serviço público na Hungria é um escândalo global, já estamos fartos.”

Magyar exigiu que a TV pública exibisse o protesto em uma transmissão “não editada”.

TISZA, que significa Tisztelet es Szabadsag (Respeito e Liberdade), tem 39% de apoio entre os eleitores, em comparação com 43% do partido Fidesz de Orbán, de acordo com uma pesquisa publicada pelo pesquisador Median no mês passado. As próximas eleições estão marcadas para o início de 2026.

Magyar, aproveitando as crescentes frustrações dos eleitores com Orban numa altura em que a economia está apenas a sair de uma crise inflacionária, prometeu erradicar a corrupção, reconstruir o serviço público de comunicação social e restaurar os freios e contrapesos democráticos, que os críticos dizem ter sido corroídos sob Orbán.

Embora os meios de comunicação públicos sirvam principalmente como porta-vozes do governo, os meios de comunicação privados são largamente controlados por aliados do Fidesz de Orbán.

O governo negou ter minado a liberdade de imprensa.

A Relatora Especial da ONU para a liberdade de opinião e expressão, Irene Khan, disse que havia “um ambiente mediático distorcido na Hungria, onde o pluralismo, a diversidade e a independência dos meios de comunicação estão a ser questionados”. REUTERS

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