Horizonte Amazônia: Destacando a importância dos manguezais para o clima, a Amazônia é uma faixa contínua do maior manguezal do mundo, e parte dessa riqueza está em Bragança, nordeste do bairro. Neste ambiente os pescadores trabalham diariamente, coletando caranguejos e respeitando o ciclo natural da espécie: “Devolvemos as fêmeas, para termos menos caranguejos para trabalhar”, explica. É do mangue que ele sustenta a família e cria os filhos. Numa floresta de raízes interligadas, reproduzem-se peixes, pássaros e mamíferos. Além de fornecerem alimentos e rendimentos, os mangais protegem as comunidades vulneráveis às alterações climáticas e são barreiras naturais contra as inundações e a erosão. No campus da Universidade Federal do Pará (UFPA), em Bragança, o Laboratório de Ecologia de Manguezais estuda o equilíbrio dos ecossistemas de manguezais. O grupo faz parte do projeto Mangues da Amazônia, que mede as emissões de gases de efeito estufa no solo e avalia a “saúde” dos manguezais. A pesquisadora Mayara Vieira explica o processo: “Utilizamos um analisador de gases infravermelho que registra todas as emissões de CO₂”. O pesquisador Hudson Silva acrescentou: “Esses dados ajudam a estimar quanto carbono está sendo sequestrado na região. Os manguezais protegidos são quatro a cinco vezes mais eficientes do que uma floresta de terra firme”. O coordenador Marcus Fernandes enfatizou a importância do planejamento da intervenção costeira. Ele considera que parte do ecossistema foi destruído na década de 1970 com a construção da rodovia PA-458. “Não é que não devamos construir, mas temos que pensar no meio ambiente para evitar impactos graves”, afirma. Acompanhe as principais notícias da COP 30 Restaurando o que está perdido Pesquisadores e moradores trabalham para regenerar áreas degradadas. O transplante de mudas, principalmente de espécies de kali, tem ajudado a restaurar o solo e a atrair novamente a fauna nativa. “Nossa história de sucesso é quando os caranguejos voltam. Isso mostra que o meio ambiente está se recuperando”, diz John Gomes, um dos integrantes do projeto Mangues da Amazônia. Um dos beneficiários é o pescador Domingos, que utiliza madeira de mangue com aprovação do ICMBio para fazer cercados de pesca. “Cada dia no mar é diferente, mas é isso que torna a vida boa”, diz ele. Patrimônio e Arte Além da ciência e da pesca moldadas pela natureza, os manguezais também inspiram a arte. Numa das comunidades mais antigas de Bragança, artesãos transformam o barro em cerâmica, tradição transmitida de geração em geração. “Aprendi vendo minha mãe produzir. O contato com a terra vem dos nossos ancestrais Caeté”, disse. Junto com sua mãe, Dona Nazar, mantém vivas técnicas ancestrais e respeito pela floresta. “Se você respeitar o mangue, você sempre tem trabalho. Se você não respeitar, você perde”, ensina. Enquanto o mundo se prepara para a COP 30 em 2025, exemplos como o de Bragança apontam o caminho. Nas mãos de cientistas, pescadores e mulheres que transformam os manguezais em indústria, a floresta continua respirando. e ensino. Vídeo: Assista todas as notícias do Pará

















