A família da jovem presa pelo roubo disse que ela era inocente e foi reconhecida por meio de foto nas redes sociais A Polícia Civil do Rio admitiu nesta segunda-feira (27) que houve um erro no reconhecimento que levou à prisão de Ryan Carla Rodríguez de Oliveira, de 22 anos, acusado de participar de um assalto em Mfa. A informação foi encaminhada à Justiça e ao Ministério Público, que já manifestaram apoio à retirada da prisão. A Defensoria Pública do Rio de Janeiro também pediu a flexibilização da prisão de Ryan e o fim do processo criminal. O pedido se baseia em exame técnico que concluiu que Ryan não era uma das mulheres na cena do crime. 📱 Baixe o aplicativo g1 para ver notícias em tempo real e gratuitas do RJ Segundo a Defensoria Pública, a confissão de Ryan foi feita de forma ilegal, apenas por meio de uma foto tirada nas redes sociais, que foi apresentada a dois funcionários da farmácia da delegacia de Todos os Santos. O processo não seguiu o protocolo legal, como descrições de testemunhas anteriores do suspeito. Um teste técnico realizado pela criminosa Denise Rivera concluiu que Ryan não era uma das três mulheres que apareceram nas imagens do assalto. “A eficiência é muito importante na investigação, tanto para condenar quanto para inocentar alguém. E neste caso, claro, vemos que Ryan não é uma das três mulheres que participaram desse assalto à farmácia”, analisou Rivera. A reportagem fotográfica usada para identificar Ryan na Investigação Reprodução/TV Globo foi entregue à Defensoria Pública e apoiou a liberação e arquivamento da ação criminal. O legista e perito Nelson Massinio analisou os vídeos e disse que “nenhum deles é Ryan”, destacando diferenças físicas e a ausência de tatuagem que deveria estar visível. “Fiz várias observações: o cabelo, o formato do rosto, até medi o formato das pernas. E o Ryan tem uma tatuagem que deveria aparecer nesta foto e não”, explicou Messini. “Eu poderia fazer dimensões de crânio, dimensões de altura, mas não preciso delas. Acho que é um erro grave”, concluiu. A família da jovem presa sob acusação de roubo disse que ela é inocente e reconheceu isso por meio de foto nas redes sociais Reprodução/TV Globo Ryan foi preso no dia 16 de outubro, enquanto estava em um restaurante na Urca com o namorado. Ele não tem antecedentes criminais e trabalha com carteira assinada em um shopping de Del Castillo. “O procedimento de reconhecimento realizado pelas autoridades policiais foi um reconhecimento ilegal, pois não respeitou as regras relativas a este procedimento”. “As duas testemunhas, as vítimas, que foram entrevistadas, não descreveram antes. Foi-lhes apresentada uma foto (…) Você pode ver que não é uma foto apagada da carteira de identidade, é uma foto tirada das redes sociais”, disse Rafaela Garcez, Coordenadora Adjunta de Defesa Criminal da Defensoria Pública. O Ministério Público, que solicitou a prisão preventiva de Ryan, também se manifestou nesta segunda-feira (27) a favor da retirada da prisão considerando os argumentos da defesa e a ausência de laudo pericial nos autos que comprove a autoria. O MP destacou que o reconhecimento dado à delegacia precisa ser confirmado judicialmente. A partir de outubro de 2023, uma lei estadual determina que os pedidos de prisão só poderão ser feitos mediante comprovação de autoria e materialidade, e não apenas com base no reconhecimento de foto — entendimento apoiado pelo Conselho Nacional de Justiça e pelo Superior Tribunal de Justiça. Junto com Ryan, uma pessoa também foi presa no processo. A investigação conduzida pela 26ª DP (Todos Santos) diz ter conseguido identificar integrantes de uma organização criminosa que praticava roubos e furtos em diversas farmácias da região. Entre eles está Ryan. Durante a apresentação da acusação, o Ministério Público disse que a identificação fotográfica foi efectuada na esquadra, exibindo um mosaico de imagens dos arguidos e outras com semelhanças físicas, com as quais as vítimas reconheceram os arguidos. Outro preso, na verdade, tem antecedentes criminais, incluindo roubo. Mas Ryan nunca teve qualquer experiência com a polícia. Não há outras evidências no processo que liguem Ryan ao crime. A família da jovem presa pelo roubo afirmou que ela é inocente e confessou por meio de uma foto nas redes sociais que a reprodução da farmácia/câmera de segurança da TV Globo registrou o assalto à 1h42 do dia 23 de maio. Segundo a polícia, foram levados cerca de R$ 100 mil em mercadorias, entre remédios e produtos de beleza. A ocorrência foi registrada por um funcionário do estabelecimento. O mesmo funcionário voltou três meses depois para identificar os ladrões por meio de fotos de um álbum dos suspeitos. No mês seguinte, outro funcionário prestou depoimento e também reconheceu Ryan. Poucos dias depois, a delegacia concluiu a investigação, afirmando que “o excelente trabalho investigativo da unidade, com o atendimento inicial da direção da drogaria, conseguiu identificar alguns dos integrantes da organização criminosa que assalta e furta farmácias da região”. O representante então representou a prisão preventiva de Ryan e de um homem. Nove dias depois, o Ministério Público apresentou denúncia, com base em informações da investigação, solicitando também a prisão. Cinco dias depois, um juiz da 35ª Vara Criminal do Rio aceitou as acusações e ordenou a prisão. No dia seguinte, um mandado foi emitido e, um dia depois, Ryan foi preso. Pelo que foi dito no processo, nem a polícia nem o Ministério Público identificaram o comportamento dos outros dois no vídeo, e nenhuma fiscalização das imagens foi realizada.

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