Contaminação misteriosa em hospital do ES investigada pela autoridade sanitária A Secretaria de Saúde do Espírito Santo (Sesa) divulgou nesta segunda-feira (3) o resultado do inquérito que investiga a causa do surto de infecção que atingiu funcionários, pacientes e acompanhantes do Hospital Santa Rita de Caccia, em Vitória, onde já existem 93 casos suspeitos. Segundo os números mais atuais divulgados pela Secretaria, cinco pessoas estão internadas e 88 estão em observação. Destes, 76 eram funcionários do Hospital Santa Rita, 11 acompanhantes e seis pacientes (que estavam lá para tratamento de outras doenças e foram infectados). 📲 CLIQUE AQUI PARA ACOMPANHAR O CANAL DO g1 ES NO WHATSAPP Dos cinco pacientes internados, dois estão na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e três estão na enfermaria. Quatro deles são funcionários do Hospital Santa Rita e um é paciente da unidade de saúde. Esta informação será dada em conferência de imprensa organizada na sede da Secretaria, no período da tarde. O hospital é referência em tratamento oncológico no Espírito Santo e atende pacientes das redes pública e privada. Entenda o caso O primeiro caso foi identificado no dia 19 de outubro entre funcionários do setor de oncologia do Hospital Santa Rita que começaram a apresentar sintomas semelhantes aos da pneumonia. Os primeiros sintomas foram semelhantes aos da gripe. A principal suspeita é que a contaminação esteja ligada a algum fator ambiental, por exemplo, ligado à falha do sistema de água ou de ar condicionado. Mais de 300 patógenos, entre vírus, fungos e bactérias, estão sendo testados pelo Laboratório Central de Saúde Pública do estado do Espírito Santo (Lassen/ES) para descobrir a origem dos incidentes de contaminação. Hospital Santa Rita, Vitória, Espírito Santo. Ricardo Medeiros/A Gazeta Veja abaixo a cronologia dos acontecimentos: 📅 13 de outubro (terça-feira): Início dos sintomas Profissionais da enfermaria de oncologia do Hospital Santa Rita começaram a apresentar sintomas graves semelhantes aos da gripe, como febre alta, dores no corpo, dor de cabeça e falta de ar. 📅 17 a 19 de outubro (sexta a domingo): Durante o terceiro e quarto dia de doença, a doença evolui, os sintomas evoluem para dores no peito e os funcionários procuram atendimento hospitalar. Os exames de imagem foram examinados e o hospital percebeu semelhanças entre os padrões tomográficos, o que levantou o alerta de que se tratava de algo diferente afetando os profissionais. 📅 20 de outubro (segunda-feira): O governo do estado foi informado que a Sesa tomou conhecimento do surto às 7h. Logo, uma equipe de vigilância viajou ao hospital para coletar amostras e identificar a origem do surto. De acordo com as informações confirmadas, 14 pessoas foram internadas no hospital. 📅 22 de outubro (quarta-feira): A enfermaria de oncologia foi isolada profilaticamente e os pacientes foram transferidos para outros setores do hospital para análise. A Sesa continua coletando amostras de água, ar, leito e superfície para análise. 📅 23 de outubro (quinta-feira): Recomendações Técnicas Foi enviada uma carta com recomendações técnicas aos profissionais de saúde sobre o reforço das medidas de segurança, nomeadamente durante o tratamento/internamento de colaboradores no Hospital de Santa Rita. 📅 24 de outubro (sexta-feira): investigação da Sesa confirma que a internação dos profissionais de saúde afetados já ocorria há mais de uma semana quando o caso veio à tona, no dia 24, com a confirmação de uma investigação sobre contaminação biológica no Hospital Sesa Santa Rita. A Secretaria informou que possíveis hipóteses envolviam bactérias ou fungos, com possíveis origens em sistemas de água ou ar condicionado. O secretário de saúde, Taigo Hoffman, disse que os sintomas se assemelhavam a uma pneumonia grave, mas nenhum agente causador foi ainda identificado. Foi confirmado que não há pacientes com câncer entre as vítimas. 📅 25 de outubro (sábado): Sem transmissão entre infectados, 26 casos confirmados de contaminação até o momento. A Sesa e o hospital enfatizaram que não houve transmissão interpessoal confirmada, ou seja, os profissionais não transmitiram a doença aos familiares, reforçando a presunção de causa ambiental. A enfermaria de oncologia permaneceu isolada e o hospital manteve atendimentos eletivos e cirurgias, embora alguns médicos suspenderam procedimentos por precaução. Outros hospitais, como a Unidade Unimed Espírito Santo e o Vitória Apart, possuem protocolos mais rígidos de prevenção de contaminação. 📅 26 de outubro (domingo): Aumento de casos suspeitos A Sesa informou que iniciou a investigação de 12 novos casos suspeitos, entre pacientes e acompanhantes. Desses novos casos, dois estavam em UTI e dez em enfermaria. O número total de funcionários infectados chega a 33. A direcção do hospital divulgou um comunicado dizendo que “continua a cooperar com as autoridades de saúde” e reforçou que os doentes oncológicos se encontram estáveis. 📅 27 de outubro (segunda-feira): Técnicos do Ministério da Saúde da Equipe Epidemiológica foram enviados a Vitória para observar o caso em sala de situação hospitalar para apurar responsabilidades. Os agentes enviarão amostras infectadas ao Laboratório de Referência da Fiocruz, no Rio de Janeiro, para busca de agentes biológicos compatíveis com os sinais e sintomas dos pacientes. Cessa disse que um dos três centros cirúrgicos do Hospital Santa Rita estava fechado. A secretaria anunciou a instauração de inquérito administrativo para identificar a possível responsabilidade do hospital pela contaminação. Ordenou ao Hospital de Santa Rita a apresentação de relatórios sobre rotinas de higiene, manutenção dos sistemas de água e ar condicionado, bem como planos de contingência. As amostras coletadas estão sob análise laboratorial para identificação do agente causador. O secretário de Saúde do estado, Tiago Hoffmann, disse que a maior parte do vírus já foi erradicada e que a Covid-19 e as doenças influenza A e B foram descartadas. Segundo o hospital, a situação está em observação e nenhum novo caso foi registrado desde o dia 22. 📅 28 de outubro (terça-feira): O número de casos suspeitos aumentou 43% entre os pacientes suspeitos de infecção: passaram de 48 para 69. O secretário de Saúde explicou que o número de notificações aumentou significativamente seguindo os novos critérios adotados pelo Ministério da Saúde. Já existiam novos casos, mas só agora foram notificados. A mudança ocorreu após publicação de nova nota técnica e reclassificação de pacientes já internados. A Secretaria investigava 69 casos suspeitos: 46 funcionários, 8 pacientes, 9 acompanhantes e 6 sem informações. 5 dos internados estão em UTI, incluindo um paciente com câncer. A enfermaria de oncologia está isolada. Não há novos casos desde 22 de outubro. O aumento no número de casos se deve a mudanças na forma de notificação dos casos. O agente causador ainda não foi identificado, mas uma hipótese ambiental é mais provável. A Sesa investiga as atribuições hospitalares e mantém o monitoramento diário. Testes realizados em Lassen para detecção de doenças Divulgação/SESA 🎯Prestação O Hospital Santa Rita atua nas redes pública e privada e é referência no tratamento do câncer. Será aberta investigação para apurar responsabilidades, e o Ministério da Saúde acompanha o caso, com amostras sendo enviadas à Fiocruz para análise. “Vamos apurar se houve algum erro por parte do hospital, se houve um atraso que dificultou a identificação ou que resultou, por exemplo, na deterioração do estado clínico destes pacientes”, afirmou o secretário de Estado da Saúde, Tiago Hoffmann. Vídeo: Tudo sobre o Espírito Santo g1 Acompanhe as últimas notícias do Espírito Santo

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