
Famílias de 72 a 85 anos e um familiar pagam R$ 2,5 mil por mês pelo abrigo popular de Ribeiro Preto. Traça o perfil de 36 idosos abrigados em três casas de repouso que trabalhavam disfarçados em Ribeiro Preto (SP). Todos foram resgatados e levados para outras instituições desde a prisão de Eva María de Lima, responsável por Mu Dos Lar, no domingo (2). Os lares de idosos mantidos por ela foram impedidos de funcionar por ordem judicial a partir de abril deste ano, mas Eva não cumpriu todas as restrições e manteve os lares abertos para novos moradores. ✅ Clique aqui para acompanhar o canal g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp A mensalidade chegou a R$ 2.500 e, segundo o procurador do idoso, Carlos Cesar Barbosa, muitas famílias têm utilizado o benefício da prestação continuada para deixar os idosos em um desses locais. 🔎 Segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, o Benefício de Prestação Continuada (BPC), previsto na Lei Orgânica de Assistência Social (LOAS), é um salário mínimo garantido por mês para idosos com 65 anos ou mais. O BPC não é previdência e, para ter direito, não é necessário contribuir para o INSS. “Todos (os que viviam em abrigos clandestinos) eram pobres, eram todos pobres, que eram, talvez, o perfil assistencial de uma instituição de caridade. Não tenho dúvidas, porque o valor que foi tirado desses idosos, cerca de R$ 2 mil, foi levado para um idoso, cujos benefícios continuam.” De acordo com o Ministério Público do Lar Meu Doce Lar, de Ribeirão Preto, SP, Cacá Trovó/EPTV, em alguns casos, a família pode até complementar o valor do BPC para manter os pagamentos mensais. “É impossível você acolher tão pouco um idoso. O que é preciso ressaltar é que o perfil desses idosos é o perfil de um idoso de uma instituição de caridade. Porém, Ribeirão Preto enfrenta um problema grave, que é a ausência de uma política de acolhimento desses idosos carentes, doentes, pobres, tristes. Instituições de caridade.” O g1 entrou em contato com a Secretaria de Assistência Social e aguarda resposta. Alegou ainda e afirmou que, enquanto os lares estiveram sob sua administração, sempre houve iniciativa, respeito e dedicação para proporcionar qualidade de vida aos idosos atendidos, todos de baixa renda e muitos abandonados pelas famílias. Destacados e com certa autonomia Outra questão que chamou a atenção do Ministério Público é que os idosos resgatados das casas de repouso Mu dos Ler têm certa autonomia e são destaque. Ao G1, Barbosa disse que eles apresentam até o Nível 2 da Escala de Dependência, que avalia o desempenho na realização de atividades diárias em uma pessoa com mais de 60 anos. “Não tenho informação de que tenha alguém na 3ª série. Acho que foi mais que a 1ª e a 2ª série. Não vejo condição para ela (Eva) ter alguém na 3ª série, porque a 3ª série é alimentada por sonda e exige trocas periódicas de fraldas durante o dia.” Vídeos mostram idosos nus no chão da casa de repouso de Ribeirão Preto Reprodução/EPTV Inclusive, alguns idosos usam fraldas e uma mulher que trabalha lá chegou a dizer que eram limitados a três unidades por dia (manhã, tarde e noite). Mas o procurador destacou que, por exemplo, 100% dos leitos não eram idosos. “O grau 1 é alguém que tem autonomia, é independente para comer, para ir ao banheiro, e ainda goza de uma certa autonomia. O grau 2 já é uma autonomia mais fraca. É o caso, por exemplo, de pessoas com Alzheimer, que precisam ser contidas, às vezes para não cair, ficam em cadeira de rodas, e no grau 3 precisam se alimentar. 100% acamados, que dependem de cuidados 24 horas. Faz.” Idosos viviam em asilos clandestinos em Ribeirão Preto Fabio Marchicelli/CBN Ribeirão O que acontecia com os idosos sem os cuidados necessários? Um total de 36 idosos foram resgatados no último domingo. Sete deles estavam em uma casa no bairro Parque Ribeiro, zona oeste da cidade, e foram levados à unidade de saúde, onde foram internados. Os 29 restantes foram encaminhados para o centro e instituições do Alto da Boa Vista sob supervisão da equipe da Prefeitura de Ribeiro Preto, que assumiu os cargos em caráter emergencial. A Prefeitura de Brodovski (SP), que arca com os custos dos dois idosos por ordem judicial, informou nesta terça-feira que rompeu o contrato com Miu Dos Lar e transferiu os pacientes para outra casa de repouso sob sua responsabilidade, também em Ribeiro Preto, mas no bairro Ribeirania. Os seis, que estavam até quarta-feira (5) em uma das casas de repouso fechadas por não terem para onde ir, foram encaminhados nesta quinta-feira (6) para a Casa do Vovo, no bairro do Ipiranga, e permanecerão na instituição até a chegada dos familiares responsáveis. Idosos resgatados de asilo secreto de Ribeirão Preto Reprodução/EPTV.


















