Cidade do Vaticano – O Papa Leão XIV dirigiu-se a dignitários religiosos à margem da cimeira COP30, em 17 de novembro, apelando a uma “ação concreta” sobre as alterações climáticas e queixando-se de que alguns líderes não têm vontade de agir.
O Vaticano divulgou o discurso do Papa americano às Igrejas do Hemisfério Sul reunidas à margem das negociações das Nações Unidas sobre mudanças climáticas em Belém, Brasil, no qual ele chamou a região amazônica de “símbolo vivo da criação que precisa de cuidados urgentes”.
“A criação clama em meio a inundações, secas, tempestades e calor implacável”, disse o Papa.
“Uma em cada três pessoas vive em situações de grande vulnerabilidade devido a estas alterações climáticas. Para elas, as alterações climáticas não são uma ameaça distante e ignorar estas pessoas é negar a nossa humanidade comum”, acrescentou.
“O que está falhando é a vontade política de algumas pessoas.”
As negociações climáticas da ONU entraram na sua fase final esta semana, com os países divididos em questões-chave quando os ministros do governo começaram a chegar em 17 de Novembro para assumir as negociações.
“Ainda há tempo para limitar o aumento da temperatura global abaixo de 1,5°C, mas a janela está a fechar-se”, alertou o Papa Leão, apelando a “acções concretas” ao defender o histórico Acordo de Paris.
O acordo histórico de 2015, ao abrigo do qual o presidente Donald Trump retirou os Estados Unidos pela segunda vez, visa limitar o aumento da temperatura a “bem abaixo” de 2 graus Celsius e, se possível, a 1,5 graus Celsius, acima dos níveis pré-industriais.
O Papa Leão disse que o Acordo de Paris era “o instrumento mais poderoso para proteger as pessoas e o planeta” e culpou a falta de esforços de alguns líderes, que não mencionou.
“A verdadeira liderança significa serviço e apoio numa escala que faz uma diferença real”, disse ele, apelando a uma acção climática mais forte para proporcionar “um sistema económico mais forte e mais justo”.
“Juntos, vamos enviar um sinal global claro da nossa solidariedade inabalável por trás do Acordo de Paris e da cooperação climática”, disse ele.
Desde que se tornou papa em Maio, o pontífice nascido em Chicago, que passou quase 20 anos como missionário no Peru, apelou a uma maior pressão sobre os governos para travar as alterações climáticas.
Falando numa conferência sobre o clima perto de Roma, no mês passado, apelou a uma “transformação ecológica” para apoiar as comunidades vulneráveis.
Outubro marca o 10º aniversário da declaração climática histórica do falecido Papa Francisco, Laudato Si’, que apelou à acção contra o aquecimento global provocado pelo homem.
A COP30 está programada para terminar dentro de cinco dias sem a presença do governo dos EUA, mas o grupo ainda discorda numa série de questões, incluindo ambições em matéria de alterações climáticas, medidas comerciais unilaterais e finanças.
Alguns países pedem um roteiro para a eliminação progressiva dos combustíveis fósseis.
O chefe climático da ONU, Simon Stier, saudou o que chamou de “mensagem forte” do Papa Leão.
“Suas palavras nos inspiram a continuar escolhendo esperança e ação”, disse ele. AFP


















