Teatro Procópio Ferreira fecha após 80 anos e revela impacto da verticalização da Rua Augusta O Teatro Procópio Ferreira, localizado na Rua Augusta, no centro de São Paulo, ficou conhecido nacionalmente por receber a gravação do programa “Sai de Baixo”, exibido nas noites de domingo entre a TV Glod9026 e The2096. 2.823 há 77 anos, encerrou suas atividades e deverá ser demolido para dar lugar a novos empreendimentos imobiliários. O fechamento do tradicional teatro destaca as mudanças ocorridas no local e revela a mudança de identidade da Rua Augusta, que durante décadas foi sinônimo da diversidade de São Paulo. Comércio alternativo misto de rua, teatros, bares, discotecas. Diferentes tribos frequentam a área e transformam o endereço em um dos principais centros culturais da cidade, experimentando seu auge entre 1990 e 2010. Claudia Jimenez, Tom Cavalcante, Miguel Falabella e Marisa Orth, elenco do espetáculo ‘Sai de Baixo’, JF Deorteosad, “Você acha certo? São Paulo está cada vez mais pobre nessa área de cultura e entretenimento”, lamentou o consultor de vendas Fran Araujo. “Todo mundo precisa trabalhar, mas precisa se divertir.” Apesar dos planos de verticalização da área para atrair novos moradores e, consequentemente, aumentar o fluxo de clientes, quem trabalha na rua afirma que a essência de Augusta está ameaçada. “É uma rua muito bonita, sempre foi”, diz o chef Rafael Sandoval Mendes. “Mas essa identidade está se perdendo. Cada vez que aparece uma placa de ‘alugue’, mais um pedacinho da identidade da Rua Augusta se perde.” No centro de São Paulo, sinalize na Rua Augusta. A mudança no perfil da região de verticalização da reprodução/TV Globo não é acidental. Segundo o consultor de política urbana Gabriel Rost, a Prefeitura de São Paulo definiu Augusta como parte de um eixo de desenvolvimento previsto no plano diretor e na lei de zoneamento visando a verticalização. “A ideia é trazer mais gente para morar aqui e utilizar a infraestrutura que já existe”, explica. Mas no caso do teatro, diz ele, o problema não é a ocupação habitual da transformação da cidade, mas sim o mercado imobiliário. “Com a agenda lotada, o teatro continua lotado. Não houve redução de interesse nem de procura”, disse. “Mas por causa dos imóveis, como a possibilidade de construir aqui, um lugar assim, com quase 80 anos, vai ser destruído. E a região vai perder a identidade.” Roste argumenta que a solução está no planejamento antecipado. “Enquanto não houver um inventário feito pela prefeitura com a participação da sociedade, para saber quais locais devem ser preservados, isso continuará acontecendo”, disse. Segundo ele, é possível aliar desenvolvimento urbano e preservação do patrimônio cultural da cidade. “A cidade pode crescer, adensar-se sem perder os seus espaços relevantes, o que é urbanisticamente positivo”.


















