MPSC investiga falta de pessoal na Polícia Civil A Polícia Civil de Santa Catarina demorou três anos para concluir a investigação sobre o estupro de uma idosa em Florianópolis. O Ministério Público Estadual (MPSC), que investigou a escassez, citou a falta de pessoal e a carga de trabalho como motivos para o atraso. O crime ocorreu em 2022 e nenhum culpado foi encontrado ao final da investigação, em julho deste ano. O caso foi reaberto esta semana depois que o homem que prestou depoimento na sexta-feira (21) ao confessar o assassinato da professora Katarina Kasten se tornou suspeito da violência. ✅Clique e siga o canal g1 SC no WhatsApp. Em um caso, há relato de que falta de agentes e representantes causa atrasos nas investigações de até 5 anos. Esta informação foi encontrada nos documentos e investigações obtidos pela NSC TV. Procedimentos adicionais e alta cobertura das delegacias Documentos anexados ao inquérito do MP mostram que a escassez de mão de obra é uma realidade em diversas cidades. Confira alguns fatos: Rio do Sul, uma das cidades mais populosas do Vale do Itajaí, teve 60 processos em 2024 sem mais de 100 dias de movimentação. Em Presidente Getulio, mesma região, um único representante é responsável por quatro municípios, que juntos têm cerca de 33 mil habitantes. A oeste, a cidade de Palmitos emprega apenas dois dos quatro policiais. Em Palhosa, sétima cidade mais populosa do estado, com 220 mil habitantes, o caso tramita desde 2019. Situações semelhantes foram documentadas em São Francisco do Sul, Araranguá e Balneário Arroyo do Silva. Documentos mostram que a Polícia Civil demorou 3 anos para concluir a investigação sobre o estupro de uma idosa por falta de pessoal e alta carga horária aliada ao concurso de reprodução/NSC TV Corporation, disse o representante-geral da Polícia Civil, Ulysses Gabriel, que atribuiu o atraso à falta de concorrência do público, o que resultou na falta de mão de obra. Ele disse, porém, que a atual gestão tem se movimentado para contratar novos profissionais. Atualmente, o PCSC possui mais de 3.100 servidores. “A competição demora um ano e meio e também treino. Apesar de termos iniciado estas competições, agora podemos dar nomeações”, explicou. Polícia Civil confirma novo painel de concurso com 300 vagas Como polícia de Katarina reabre investigação de estupro contra idosa Reabertura de investigação de estupro O caso mais recente que expõe a escassez de policiais civis diz respeito à investigação de estupro contra uma mulher de 69 anos perto dos Açores. O crime brutal ocorreu na casa da vítima, na tarde de 4 de janeiro de 2022, após o que foi iniciada uma investigação um dia depois. Depois de mais de três anos e meio, a investigação terminou em 10 de julho deste ano sem qualquer acusação. Concluindo, a polícia afirmou que a “carga de trabalho excessiva, aliada ao número reduzido de efetivos” da unidade fez com que a investigação não fosse concluída no prazo estabelecido pelo Código de Processo Penal. Os deputados receberam os documentos do processo em setembro e, em nota, a 24.ª Procuradoria afirmou não ter sido possível fornecer informações adicionais, pois “pela natureza do crime o processo tramita sob sigilo”. A ligação entre o estupro de uma idosa e o assassinato de Katarina Kasten na última sexta-feira (21) com a morte de Katarina Kasten e do homem preso pelo crime sendo testemunha no caso de 2022, os elementos e vestígios genéticos dos dois crimes são agora comparados para verificar se coincidem. O homem investigado, identificado como Gioven Correa Mayer, admitiu o crime contra Katarina, mas negou qualquer envolvimento no caso de 2022. Segundo o Representante Geral, no entanto, o modus operandi de ambos os atos de violência é semelhante: em 2022, uma vítima de violação que sobreviveu ao ataque disse que o agressor a atacou pelas costas, possivelmente estrangulando-a com uma corda. Ele declarou que não viu o homem, mas notou as pernas do criminoso, que eram brancas e tinham pelos curtos, e reconheceu a voz masculina do jovem. No caso de Katarina, Gioven disse que abordou a vítima por trás, estrangulou-a com um cadarço e a agrediu sexualmente. Katarina Kasten foi estuprada e assassinada em um beco de Florianópolis; Reprodução de suspeito flagrada pelas câmeras Quando questionado pela reportagem da NSC TV se o DNA do atual suspeito do caso poderia ser comparado com o material da cena do crime em 2022, Ulysses Gabriel disse que havia a possibilidade de ele ser considerado criminoso naquele momento, caso tivesse o material genético disponível. “Vamos tentar melhorar essa situação no caso dos crimes sexuais pela gravidade do crime em termos de atuação da Polícia Civil”, disse (veja abaixo). Os testes que podem vincular um homem a outro caso de violência contra a mulher saem no prazo de 30 dias a partir do que diz a lei brasileira sobre os prazos, ou no prazo de 30 dias, se for libertado, sob fiança ou sem fiança. Os defensores que atuam na área, porém, afirmam que a realidade é diferente. Guilherme Silva Araujo, professor de criminologia e direito processual penal, costuma cumprir o prazo quando os investigados são presos. Nos casos em que os suspeitos estão foragidos, a situação é diferente. “Em todo o país, é comum observar os prazos legais para a conclusão das investigações. Não é incomum encontrar investigações pendentes há um, dois, três anos ou mais. Embora não haja consequências claras na lei para as investigações não serem concluídas dentro dos prazos legais, em circunstâncias excepcionais, a prorrogação do período de investigação não é razoável face a esta ordem adicional do tribunal. Seja adiada”, elaborou. Mulher assassinada em Florianópolis: Sabe-se quem foi Caterina Kasten, a mulher morta na fuga em Florianópolis. A atual presidente da comissão especial de combate à violência doméstica da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Tammy Fortunato, lembrou que se o crime estava especificamente prescrito, também é investigado por causa desse excesso de investigação. Compensação contra o Estado. “Tomemos como exemplo a Katarina. Ela está morta, mas a família tem o direito de saber o que aconteceu. E é responsabilidade da polícia investigar o caso”, argumentou.

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