– Os presidentes da República Democrática do Congo e do Ruanda estão programados para visitar Washington na próxima semana para assinar um acordo de paz e reunir-se com o presidente dos EUA, Donald Trump, disseram três fontes à Reuters, enquanto os EUA procuram mediar a paz no leste do Congo, atingido pela guerra, e atrair investimentos ocidentais em mineração para a região.
Duas fontes diplomáticas e Tina Salama, porta-voz do presidente congolês Félix Tshisekedi, disseram à Reuters que as conversações seriam realizadas em 4 de dezembro.
O porta-voz presidencial de Ruanda, Paul Kagame, e a Casa Branca não responderam imediatamente aos pedidos de comentários na sexta-feira.
Um funcionário da Casa Branca disse à Reuters na semana passada que a administração Trump “continua a trabalhar com ambos os partidos e espera recebê-los na Casa Branca no momento apropriado”.
O grupo rebelde M23, apoiado pelo Ruanda, fez avanços relâmpago no leste do Congo este ano, tomando duas das maiores cidades da região e aumentando o receio de uma guerra mais ampla que poderia envolver mais vizinhos do Congo. A recente ronda de combates deixou milhares de pessoas mortas e centenas de milhares de deslocados.
Apesar do acordo, poucos progressos no terreno
Espera-se que a reunião da próxima semana se baseie no acordo de paz mediado pelos EUA, alcançado em Junho e assinado pelos dois ministros dos Negócios Estrangeiros, bem como no quadro de integração económica regional acordado no início deste mês.
Salama disse que se espera que os líderes mundiais ratifiquem ambos.
“O presidente sempre quis a integração regional, mas o respeito pela soberania não é negociável e é uma pré-condição para a integração regional”, disse ele.
A administração Trump falou em facilitar milhares de milhões de dólares de investimento ocidental na região, que é rica em tântalo, ouro, cobalto, cobre, lítio e outros minerais.
O Congo e o Ruanda concordaram em Setembro em implementar as medidas de segurança delineadas no acordo de Junho até ao final do ano.
Estas incluem operações para eliminar a ameaça do grupo armado Forças Democráticas para a Libertação do Ruanda (FDLR), baseado no Congo, e facilitar a retirada das tropas ruandesas.
Até agora, não houve nenhum progresso significativo no terreno.
O Ruanda nega apoiar o M23, mas o Grupo de Peritos das Nações Unidas afirmou num relatório de Julho que o Ruanda exerce comando e controlo sobre os rebeldes.
O Qatar organizou conversações separadas entre o Congo e o M23, e os dois países assinaram este mês um acordo-quadro para um acordo de paz, embora muitos detalhes ainda estejam a ser negociados.
De acordo com uma publicação no X publicada pelo seu gabinete na sexta-feira, Tshisekedi disse aos membros da diáspora congolesa na Sérvia que iria para Washington.
Mas ele também disse que as tropas ruandesas precisavam de retirar-se do leste do Congo para alcançar uma verdadeira integração económica regional. Reuters


















