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O fim da escala 6×1 ainda terá que passar por diversas etapas legislativas antes de se tornar lei. 36 horas por semana. Para virar lei, o texto ainda deverá passar por diversas etapas: aprovação integral no Senado, tramitação na Câmara dos Deputados e veto ou aprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Atualmente existem dois textos distintos que buscam alterar a jornada de trabalho – um tramitando na Câmara dos Deputados e outro no Senado. A subcomissão especial formada para tratar do assunto bloqueou os escritos da Câmara. Não há acordo para votar. Depois disso, ainda terá que passar pela Comissão de Constituição e Judiciário da Câmara — que determina a validade e constitucionalidade da proposta — antes de ir para votação no plenário da Câmara — assistir a vídeos que são tendências no G1. Depois de aprovado, seguirá da Câmara para o Senado para tramitação, e depois, se for aprovado lá sem alterações, será enviado ao presidente Lula para aprovação ou veto. O outro texto que tramita no Senado – e que foi aprovado pela CCJ da Câmara nesta quarta – está em fase mais avançada e agora segue para apreciação no plenário. Se aprovado, o projeto tramita na Câmara e depois – caso não haja alterações – pode ser vetado e aprovado pelo presidente. O governo Lula favoreceu projetos que reduzissem a jornada de trabalho e alterassem a escala 6×1. “Fala-se muito que não podemos reduzir a jornada de trabalho porque a nossa produtividade é baixa. Mas como isso vai aumentar se os trabalhadores não têm tempo para estudar, descansar e melhorar suas condições de trabalho?”, disse Guilherme Bolos, ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, nesta quarta-feira (12/10). Ele participou de audiência pública sobre o assunto na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados. O governo Lula inicialmente apoiou o texto que tramitava na Câmara dos Deputados —que ganhou força com a mobilização nas redes sociais contra a escala 6×1. Porém, segundo o jornal O Globo, o governo mudou sua estratégia e agora apoiará o projeto que tiver maiores chances de aprovação rápida. “A posição do governo é aprovar um (projeto) que seja o caminho mais rápido (para terminar a escala 6×1). Se o caminho mais rápido é agora (para aprovar a PEC), e me parece, com essa aprovação na CCJ do Senado, então iremos em frente”, disse Bolos, segundo o jornal. Proposta no Senado: Proposta de emenda 148/2025 da Constituição a ser levada ao plenário, dos senadores Paulo Pim (PT-RS) e senador Rogério Carvalho (PT-SE) o relator escreve: No primeiro ano após a aprovação do texto, o trabalho será de 4 a 4 horas semanais. Nos próximos quatro anos, a jornada de trabalho será reduzida em uma hora por ano – até atingir 36 horas semanais. Limite de semana de trabalho de cinco dias, com dois dias de folga, preferencialmente sábado e domingo. Em ambos os casos – redução da jornada de trabalho e extinção da escala 6×1 – não há redução salarial. “São mais de 150 milhões de brasileiros que vão se beneficiar dessa PEC, considerando os trabalhadores, considerando as famílias e considerando quem os emprega, porque ela vai impulsionar a economia, vai mudar a realidade social deste país”, disse Carvalho, segundo a Agência Brasil. Em seu parecer, o relator da CCJ argumentou que o turno 6×1 está associado ao aumento do risco de acidentes por fadiga, pois reduz a qualidade do trabalho e prejudica a saúde, prejudicando o bem-estar do trabalhador. “No Brasil, as redes sociais têm sido ocupadas nos últimos meses por protestos contra a jornada de trabalho 6×1, considerada desgastante pelos trabalhadores. Nesse sentido, o Movimento Vida Além do Trabalho foi criado com o objetivo de alterar a lei para garantir o equilíbrio entre o trabalho e a vida privada”, escreveu Carvalho no parecer. O senador Paolo Paim disse que a medida traz benefícios para o setor manufatureiro ao reduzir a dependência de horas extras e permitir uma melhor distribuição do trabalho. A aprovação do projeto na CCJ do Senado ocorreu em votação “off-the-line”, onde o assunto é discutido mesmo não constando na pauta oficial do dia. A aprovação foi por voto simbólico – sem contagem separada de votos. A votação da PEC como extraordem foi criticada pelo senador Eduardo Giro (Novo-CE), que disse ter solicitado revisão para analisar a proposta. “Tudo o que posso dizer é que vamos tentar em plenário, para ver se é possível fazer uma audiência pública para melhorar o projeto, porque tudo pode ser melhorado”, disse Giro, segundo a Agência Brasil. O presidente da CCJ, senador Otto Alencar (PSD-BA), respondeu que o assunto já foi debatido em audiência pública. “Lamento que Vossa Excelência não tenha comparecido às três audiências públicas que realizámos e Vossa Excelência não tenha comparecido a nenhuma delas”, disse Alencar. O governo Lula já se manifestou a favor da mudança de horário de trabalho no Brasil Getty Images por meio da proposta da BBC na Câmara: Na Câmara dos Deputados, paralisada em subcomissão, tramita o texto da PEC 8/2025 de autoria da deputada Erica Hilton (Psol-SP). Foi esse texto que ganhou bastante força nas redes sociais no ano passado e gerou debate na escala 6×1 no Congresso. Porém, o texto está preso em uma subcomissão da Câmara criada especificamente para debater a proposta. Quatro audiências públicas debateram a PEC. Na semana passada, foi solicitada a visita dos deputados Vicentinho (PT-SP) e Leonardo Monteiro (PT-MG). Não há acordo de votação e nenhuma reunião foi marcada para discutir a proposta. O deputado Luiz Gastão (PSD-CE) — que é relator da subcomissão especial da escala de trabalho 6×1 — apresentou relatório com alterações na semana passada. Sua proposta surpreende porque não propõe o fim da escala 6×1. Seu parecer sugere: reduzir a jornada máxima de trabalho das atuais 44 horas semanais para 40, mantendo a remuneração. O texto original de Hilton previa jornada máxima de trabalho de 36 horas semanais, com quatro dias de trabalho e três dias de descanso – terminando em uma escala de 6×1. Restrições ao trabalho aos sábados e domingos, com pagamento em dobro nos períodos que excedam o limite de seis horas nesses dias. Redução do imposto sobre a folha de pagamento para empresas onde os custos com a folha de pagamento representam mais de 30% da receita. Numa transição gradual de três anos, a viagem é reduzida para 42 horas, 41 horas e 40 horas por ano. Gastão disse reconhecer a legitimidade da luta pela redução da jornada de trabalho, mas avaliou que 36 horas não seriam economicamente sustentáveis, gerando custos desproporcionais, principalmente para as micro e pequenas empresas. “(A PEC original) poderia ter graves consequências econômicas adversas, como redução da produção, diminuição da produtividade e aumento da taxa de desemprego”, disse Luiz Gastão, segundo a Agência Brasil. Críticas à proposta Na audiência pública realizada na Câmara dos Deputados nesta quarta-feira, representantes de diversos setores produtivos criticaram a proposta em discussão. O presidente interino da Fecomercio São Paulo, Ivo Dall’Acqua Jr., que representou a Confederação Nacional do Comércio, disse que regras mais rígidas poderiam afetar desproporcionalmente diferentes atividades econômicas. “O emprego custa muito. Nossos custos trabalhistas são altos e isso também precisa fazer parte do debate”, disse Dall’Acqua Jr., segundo a Agência Camara. Ele disse na audiência que o Brasil não registrava ganhos consistentes de produtividade desde a década de 1980. O especialista em política e indústria da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Pablo Rolim Carneiro, disse que a mudança representaria um fardo adicional para as pequenas empresas. “Noventa e nove por cento das empresas brasileiras são micro, pequenas e médias empresas. Elas respondem por cerca de 52% dos empregos formais e têm maior dificuldade de adaptação interna.” Movimento Vida Além do Trabalho Acabar com a escala 6×1 é o principal objetivo de um movimento chamado “Pela Vida Além do Trabalho” (VAT), fundado por Rick Azevedo, ex-balconista de farmácia que foi eleito vereador do PSOL no Rio de Janeiro nas últimas eleições. Azevedo trabalhava na farmácia em 2023 quando gravou um vídeo que viralizou no TikTok. O vídeo foi gravado logo depois que seu chefe ligou para ele em seu dia de folga e pediu que ele fosse trabalhar mais cedo no dia seguinte. “Quando vamos revolucionar este país contra essa escala de 6×1 da classe trabalhadora? Amigos, isso é escravidão moderna. Não moderna: velha”, disse Azevedo no vídeo. “Não tenho filhos, não tenho nada, estou sozinha, não posso fazer nada. Imagine quem tem filho, quem tem marido, quem tem casa para cuidar”. “A pessoa tem que doar para a empresa seis dias por semana e tirar apenas um dia de folga. E isso é por um salário mínimo. Não chega, pessoal.” O vídeo explodiu em visualizações e Rick começou a fazer campanha nas redes sociais pelo fim da escala 6×1. O movimento “For Life Beyond Work” foi criado com uma petição online apoiada por mais de 2 milhões de pessoas. “Temos a ilusão de que a CLT protege. Mas a CLT está ultrapassada desde a última reforma trabalhista. Os trabalhadores estão sendo explorados”, disse Azevedo à BBC News Brasil no ano passado. Esse movimento deu impulso aos projetos de lei debatidos no Congresso. Leia também: Ministro do Trabalho diz que governo apoia fim da escala 6×1 e defende ‘pressão’ pelo fim da escala 6×1 Congresso: CCJ do Senado dá primeiro passo e inicia discussão de proposta que exige dois dias de descanso por semana PEC que propõe fim da escala 6×1 aumenta potência na rede


















