
Ex-usuário de drogas transforma palavras que ouviu na juventude em discurso de resistência Uma palavra ouvida na adolescência foi decisiva para iniciar Julio Cesar Borges de Oliveira por um caminho marcado pelo uso de drogas. Anos depois, outras palavras, contadas em outros contextos, ajudaram a dar um novo significado à minha própria história e a transformar a dor em consciência. 📺 A história faz parte da série especial “O Poder das Palavras”, exibida pela EPTV, afiliada da TV Globo, que mostra como a linguagem pode influenciar decisões, comportamentos e processos de enfrentamento. Hoje, Júlio fala em público, participa de eventos e palestras em escolas e instituições para evitar que adolescentes se tornem usuários, mas lembra que a influência das palavras que ouviu no passado ainda marca sua trajetória. Você “Há 15 anos, uma palavra dada à minha vida mudou-a negativamente. Ouvi de alguém que é bom usar drogas. Quando você é afetado de forma negativa, por uma palavra, neste caso eu era jovem, curioso, cheio de vida. Se minha vida fosse um livro, eu teria 10 anos de páginas em branco, porque encontrei uma palavra aos 15 anos.” Julio Oliveira transformou as palavras que o levam ao vício em uma reprodução de fala de prevenção/EPTV 🎧 palavras que acolhem e preservam o impacto da linguagem também veiculada em serviços de escuta, como o Centro de Valorização da Vida (CVV). A organização recebe mais de 2,4 milhões de consultas por ano em todo o Brasil. Somente em dezembro de 2024 foram registradas cerca de 203 mil ligações. 🔎 O atendimento do CVV (disque 188) é gratuito, funciona 24 horas por dia e garante o anonimato de quem procura ajuda, com voluntários treinados para ouvir e oferecer apoio conversando com eles. A voluntária Helena Fujinohara explica que o diálogo pode mudar o estado emocional de quem busca ajuda. “São apenas palavras, escritas ou faladas, certo? É possível observar em muitos momentos uma pessoa que está muito brava, muito nervosa, às vezes até xingando. E aí quando a gente conversa com aquela pessoa ela se acalma, as palavras mudam”, disse o voluntário. Ronaldo Alexandrino, professor de educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), voluntário do Centro de Valorização da Vida Helena (CVV) Reprodução/EPTV, explica que a linguagem desempenha papel central na construção de sentidos e pode reforçar ou transformar trajetórias dependendo do contexto em que é utilizada e de quem a fala. “Toda a nossa vida em sociedade, a forma como entendemos as relações humanas e como vivemos com os outros, faz parte da comunicação. É através da comunicação que criamos contexto e realidade”, afirmou. Segundo ele, é por meio das palavras que as pessoas dão sentido às suas histórias. No caso de Júlio, novas palavras ouvidas em outros momentos de sua vida foram decisivas para a mudança de rumo. Ele lembra de um encontro que marcou esse processo. “Acho que uma palavra positiva que mudou a minha história foi de uma pessoa que eu não conheço, nunca vi na minha vida, sabe, eu vi ele uma vez, ele veio na minha frente e lá ele falou alguma coisa para mim, me olhou nos olhos e me abraçou”, lembra Julio. O gesto tinha um significado mais profundo. “O estranho é que o que ele queria fazer era o que eu queria fazer com a minha mãe antes dela morrer. Então, aquele momento virou a chave, então, eu comecei a chorar muito, sabe, eu falo que foi um momento de cura, e isso despertou minha cabeça, meu coração, para coisas que eu não conseguia ver”, disse o palestrante. Após esse incidente, Julio fundou o Projeto Escolhas e passou a usar sua própria história como ferramenta de resistência e conscientização. “Aqui eu uso as palavras de maneira correta, correta. Então procuro trazer a melhor inspiração, procuro trazer esperança, coisas daquela época, né? Não me deram quando eu era jovem, mas hoje tenho a oportunidade de ecoar essas palavras de forma positiva”, destacou o ex-usuário de drogas. Veja também: Experimento mostra como o cérebro responde a palavras positivas e negativas


















