Anvisa aprova início de testes de medicamento que traz esperança a quem tem lesão medular e perda de movimento Pacientes que sofrem com lesão medular e perda de movimento corporal ganharam motivos de esperança nesta segunda-feira (5). A Anvisa aprovou o início de testes de medicamentos 100% brasileiros. O estudo começou em 1997. E, há três anos, a equipe liderada pela pesquisadora brasileira Tatiana Sampaio, professora doutora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, aguardava aprovação da Anvisa para iniciar os ensaios clínicos. A resposta veio hoje, segunda-feira (5). “Isso é resultado de muitos anos de trabalho, de uma equipe muito grande. Universidades, empresas, profissionais de saúde hospitalares, fisioterapeutas, uma equipe muito grande envolvida”, disse Tatiana. A informação foi dada em conferência de imprensa organizada pelo Ministério da Saúde. “Para nós é muito significativo, porque é um produto 100% nacional de uma universidade pública”, disse o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Em setembro de 2025, o Jornal Nacional mostrou que a bióloga Tatiana conseguiu criar em laboratório a chamada polilaminina, uma rede de proteínas, que se torna escassa no organismo ao longo da vida. O estudo extraiu proteínas de placentas e introduziu polilaminina em oito pacientes paraplégicos e tetraplégicos. A substância foi capaz de recriar a rede de conexões entre os neurônios do cérebro e do resto do corpo e devolveu o movimento a seis pacientes. Um deles, que estava paralisado do ombro, voltou a andar sozinho. Agora, a polilaminina saiu da universidade e entrou na primeira fase de testes para aprovação de um novo medicamento pela Anvisa. Nesta fase inicial, as equipes vão monitorar a segurança do uso da substância nos pacientes, se ela causa reações adversas. Cinco indivíduos com lesão medular completa receberam uma única injeção de polilaminina dentro de 48 horas após o trauma. Conforme protocolo, eles serão acompanhados por seis meses. Se não houver reações adversas graves, as próximas fases dos estudos clínicos começarão a descobrir se a polilaminina é realmente eficaz na restauração do movimento corporal. Antes de se tornar droga, a substância ainda precisa passar por três etapas de testes — e não há data para conclusão. “Acho que já estamos muito perto de chegar a um tratamento, mas é claro que queremos estendê-lo para quem está lesionado há muito tempo, são chamadas de lesões crônicas, que duram meses, anos. Dependendo do seu efeito, do nível dessa melhora, se é possível acelerá-la, vai depender dos resultados obtidos daqui para frente”, afirma Tatiana. Anvisa aprova início de testes de medicamento que traz esperança a pessoas com lesões medulares e perda de mobilidade Reprodutiva/TV Globo

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