MADRI, 8 Jan. – Abalada por um escândalo de abuso sexual por parte do clero, a Igreja Católica espanhola chegou a um acordo com o governo na quinta-feira para compensar as vítimas de abuso quando o prazo de prescrição tiver expirado ou o perpetrador tiver morrido.

O Ministro da Justiça, Félix Bolaños, disse sobre o acordo assinado entre o seu ministério e a Igreja: “Hoje estamos liquidando a dívida e fazendo justiça às vítimas. Estamos passando de décadas de silêncio e esquecimento para uma compensação justa paga pela Igreja”.

O escândalo de abuso veio à tona depois que uma investigação do El Pais em 2021 descobriu mais de 1.200 acusações e reflete escândalos semelhantes na Igreja Católica nos Estados Unidos, Irlanda e França.

Um relatório de 2023 do Provedor de Direitos Humanos de Espanha estimou, com base num inquérito a 8.000 pessoas, que haveria centenas de milhares de vítimas ao longo de várias décadas. Ele apelou à criação de um fundo nacional e acusou a Igreja de não cooperar e de tentar “minimizar o fenómeno”. Em 2024, mais de 700 pessoas tinham partilhado os seus casos com o Provedor de Justiça.

Uma investigação encomendada pela Igreja Católica Espanhola identificou aproximadamente 2.000 vítimas até ao final de 2023.

Segundo o acordo assinado quinta-feira, o ombudsman analisará cada caso e recomendará compensações financeiras, morais, psicológicas e restaurativas com base nos pedidos das vítimas, disse Bolaños.

Anteriormente, as vítimas podiam candidatar-se diretamente à igreja, mas muitas estavam relutantes. A igreja anunciou quinta-feira que já pagou cerca de 2 milhões de euros (2,34 milhões de dólares) às vítimas.

O novo procedimento é para vítimas que não desejam se candidatar diretamente à igreja. Qualquer compensação proposta pelo ombudsman deve ser acordada tanto pela vítima como pela comissão de avaliação da igreja. Reuters

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