
Vídeos mostram caos nas ruas do Irã em protestos contra o governo de Khamenei O presidente Donald Trump disse neste domingo (11) que o Irã entrou em contato com os Estados Unidos e se ofereceu para negociar um acordo nuclear depois que o republicano ameaçou tomar medidas em resposta à repressão aos protestos no país. ✅ Acompanhe o canal de notícias internacionais G1 no WhatsApp Falando aos repórteres a bordo do Air Force One, Trump disse que seu governo estava em negociações com Teerã para agendar uma reunião, mas alertou que deve agir primeiro, já que o número de mortos no Irã aumenta e o governo continua a prender manifestantes. “Acho que eles estão cansados de serem derrotados pelos Estados Unidos”, disse Trump. Ele acrescentou: “O Irã quer negociar”. O número de mortos em protestos em massa no Irã ultrapassou 500 no domingo, segundo um grupo de ativistas que monitora a situação no país. Embora as ONG condenassem o “massacre” contra os manifestantes, a polícia governamental de Khamenei disse que iria “intensificar” a sua resposta aos protestos. Em 2017, Trump desfez um acordo entre os EUA e o Irão que limitava a utilização de material nuclear por Teerão em troca do fim das sanções económicas ao país. Teerão enriqueceu mais uma vez urânio além do necessário para produzir energia – embora não haja provas de que o regime esteja perto de desenvolver a sua própria bomba nuclear. Em Junho de 2025, os EUA bombardearam instalações de investigação nuclear em solo iraniano no meio de um conflito entre Teerão e Israel. Mortes e prisões O grupo de direitos humanos HRANA, com sede nos EUA, disse à Reuters e à agência de notícias Associated Press que o número de mortos subiu para 538, incluindo 490 manifestantes e 48 policiais. Além disso, mais de 10.670 pessoas foram presas, disse a agência. Outras ONG de defesa dos direitos humanos que monitorizam a situação no Irão também relataram mortes nos protestos. O país está isolado do resto do mundo depois de Khamenei ter desligado a Internet, por isso não se sabe ao certo quantas pessoas realmente morreram, no entanto, organizações receberam relatos de que as forças de segurança iranianas abriram fogo contra os manifestantes. “Está em curso um massacre no Irão, no meio de um apagão da Internet”, disse o Centro para os Direitos Humanos no Irão (CHRI), uma ONG sediada nos EUA que afirmou estar a receber relatos de corpos amontoados em hospitais. A ONG norueguesa Direitos Humanos no Irão disse que houve relatos de “massacres” cometidos por agentes da polícia e que o número real de mortos pode chegar a duas mil pessoas. O governo iraniano rotineiramente não divulga estatísticas oficiais sobre as ações policiais nos protestos e acusa os EUA e Israel de interferir nos protestos e culpa-os pelas mortes nos protestos. O chefe da polícia iraniana, Ahmed-Reza Radan, disse no domingo que as forças de segurança “aumentaram o nível de confrontos contra os manifestantes”. A Guarda Revolucionária do Irão, um importante interveniente militar no país, afirmou que proteger a segurança nacional é uma questão inegociável. O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, disse no domingo que estava tentando distanciar o povo iraniano do que chamou de “terroristas e desordeiros” e encontrar uma forma de dialogar com os manifestantes. Ao mesmo tempo, Pezeshkian acusou os Estados Unidos e Israel de “semear o caos e a anarquia” no país. Entenda: Pedidos de renúncia de Khamenei, repressão e morte: Entenda a crise no Irã, que enfrenta seus maiores protestos desde 2009. Também neste domingo, o governo iraniano ameaçou retaliar Israel e bases militares dos EUA no Oriente Médio caso o país seja alvo de bombardeios norte-americanos. O discurso ocorreu depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou intervir na crise caso o governo matasse manifestantes pacíficos. “Sejamos claros: no caso de um ataque ao Irão, os territórios ocupados (Israel), bem como todas as bases e navios dos EUA, serão os nossos alvos legítimos”, disse o presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, citado pela Reuters. No sábado, Trump renovou as ameaças de que o Irão estava “buscando a liberdade” e que os americanos estavam “prontos para ajudar”. Pezeshkian também disse no domingo que o governo está pronto para “ouvir o seu povo” e determinado a resolver os problemas económicos. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, discutiu a possibilidade de intervenção no Irã com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, durante uma conversa telefônica no sábado, informou a Reuters. Leia também: Irã ameaça retaliação contra bases militares dos EUA e de Israel em caso de ataque Vídeo: carros em chamas, bandeiras rasgadas e multidões nas ruas: veja o caos no Irã com protestos contra o regime de Khamenei O governo de Khamenei começou no Irão nos últimos dias de 2025, o movimento expandiu-se para a massa e a violência. Khamenei disse nesta sexta-feira (9) que seu governo “não recuará” diante dos protestos em massa, que cresceram em proporções e violência nos últimos dias. Num comunicado transmitido pela televisão estatal, o líder supremo do Irão chamou os manifestantes de “vândalos” e “sabotadores”. Ali Larijani, conselheiro do aiatolá e chefe da principal agência de segurança do país, disse que o Irão estava “no meio de uma guerra” e que alguns “incidentes” foram “orquestrados no estrangeiro”. O governo iraniano também acusou os Estados Unidos de incitar os protestos. Os Estados Unidos qualificaram as alegações de “ilusórias” e disseram que reflectiam uma tentativa de desviar a atenção dos desafios internos do regime iraniano, segundo um porta-voz do Departamento de Estado. A AFP noticiou que a repressão ao governo iraniano aumentou este sábado. O Irão não enfrenta protestos desta magnitude desde os protestos de 2022 após a morte de Mahsa Amini, que foi presa por violar o código de vestimenta feminino. Os protestos ocorrem num momento frágil para o Irão, depois de uma guerra com Israel e de um golpe por parte de alguns dos seus aliados regionais. Além disso, em Setembro, as Nações Unidas (ONU) reimpuseram sanções relacionadas com o programa nuclear do país. Manifestantes incendiaram carros e edifícios nas ruas de Teerão, no Irão, num protesto em janeiro de 2026 contra o governo de Ali Khamenei. Redes sociais via Reuters


















