
EXCLUSIVO: Informações que levaram à prisão de três suspeitos de planejarem o assassinato do ex-deputado-geral de São Paulo Três suspeitos foram presos por planejarem o crime na última terça-feira (13). O ex-delegado foi morto em uma emboscada na Praia Grande, litoral de São Paulo, em setembro de 2025, onde ocupava o cargo de secretário da administração municipal. Segundo a polícia, os suspeitos presos têm ligação com o PCC e querem vingança. Todos os três têm histórico de atividades criminosas desde a década de 1990. “Esses três homens têm uma carreira estabelecida no crime há muito tempo. Eles eram os assaltantes de banco mais conhecidos da época”, disse o deputado Osvaldo Nico, secretário de Segurança Pública de São Paulo. Fernando Ribeiro Teixeira, conhecido como Azul ou Quereca, foi preso e condenado por invasão a delegacia, assalto a banco e sequestro. Em 2006, liderou uma rebelião no presídio de Juqueirópolis (SP) e deixou o presídio em maio de 2024. Manuel Ribeiro Teixeira, mais conhecido como Manuelzinho, é irmão de Fernando. Ele teve nove condenações, totalizando 51 anos de prisão, e passou 13 anos preso até ser solto em 2023. Márcio Serapio de Oliveira, o Velho, está envolvido com crimes desde 1994 e já esteve envolvido em tráfico de drogas, sequestros e roubos. A pena total chega a 25 anos de prisão. Ele está em prisão preventiva desde 2014. Todos foram presos em algum momento por quadrilhas lideradas por Rui Ferraz Fontes. O delegado estava no corredor da morte desde 2005, segundo o secretário de Segurança Pública de São Paulo. Uma investigação de assassinato por vingança começou a partir de um carro queimado, que seria usado para fugir. No carro, modelo Renegade, a polícia encontrou as impressões digitais de Filipe Avelino da Silva, o Mascherano, preso em outubro de 2025, três semanas após o crime. “Descobrimos que o Renegade, que foi roubado em março, passava por Jundiaí, a 200 metros da casa do Fernando, Quereca, Azul”, disse a delegada Ivalda Alexo, do Departamento de Homicídios e Proteção Individual (DHPP). Ainda em outubro, uma denúncia anônima revelou à polícia que Manuel e seu irmão Fernando Rui se encontraram num quiosque na Praia de Mongaguá para planejar o assassinato de Ferraz. Segundo o informante, o motivo foi vingança. O quiosque fica a cerca de 20 minutos de uma casa usada como esconderijo antes do crime. Em depoimento de Rui Ferraz Fontes Reprodução/TV Globo, Mascherano confirmou que estava no mesmo quiosque com Umberto Alberto Gómez, identificado pela investigação como executor testamenteiro. “Umberto usou o carro que depois foi queimado, queimado, que era o SW4 preto usado para a execução, para o tiroteio”, disse Ivalda. Após o crime, Umberto fugiu para o Paraná e morreu em confronto com a polícia em novembro de 2025. “Conseguimos recuperar dois celulares dele. Extraímos os dados e foi aí que descobrimos que ele estava cumprindo a ordem de execução. Em uma das mensagens encontradas, Umberto destaca a importância de Marcos, o velho, que foi apontado como responsável pela logística e planejamento: “Tem que bater no velho, e o velho manda. Tudo tem que passar primeiro pelo velho”. A polícia também identificou a existência de um segundo veículo, que sinalizaria a execução. O velho provavelmente estava dentro deste carro. O veículo, porém, ainda não foi encontrado. Outra coisa que chamou a atenção dos investigadores foi o endereço de Azul Fernando Teixeira. Com carteira de motorista emitida em setembro de 2024, ele aparece morando em uma rua tranquila de São Caetano do Sul, a poucos metros de sua casa na Rui Ferraz. Exatamente um ano depois, o ex-chefe de polícia foi assassinado. “Essa é uma forma de usá-lo. Eles chegam perto, ficam perto, vão a lugares próximos, passam despercebidos”, disse o deputado Ivalda. A polícia procura um quarto suspeito, além dos três presos esta semana, a polícia acredita que um quarto integrante do PCC participou da organização do crime: Pedro Luiz da Silva Moraes, o Chacal. Chakal tem 54 anos e passou 35 deles na prisão. Ele estava no complexo Karandiru durante o massacre de 1992. Sua ficha criminal inclui uma série de tentativas de fuga e organização de motins em prisões. Ele está fora da prisão desde 2024. Segundo os investigadores, Chakal foi um dos responsáveis pelo planejamento da execução de Rui Ferraz Fontes. A última informação da polícia é que ele está na Bolívia. Chakal estava entre os chefes do PCC transferidos para presídio federal em 2019 a mando de Rui Ferraz. Ele faz parte da “Syntonia Restricta”, grupo de gangues responsável pela vigilância e assassinatos por parte das autoridades. Em setembro de 2025, logo após o crime, o Fantástico exibiu, com exclusividade, documento produzido pelo Ministério Público de São Paulo com ordem de restrição do comando do PCC. O advogado de Manoel Teixeira disse por telefone que só comentaria depois de ter acesso ao processo. A reportagem não obteve resposta da defesa de Felipe Avelino e não conseguiu localizar os advogados de Fernando Teixeira e Marcio Serapio. Felipe é uma das oito pessoas presas na primeira fase da investigação que já foram indiciadas pelo crime. A polícia ainda tenta prender Chuckle e outro homem cuja identidade não foi divulgada e que fazia parte do grupo responsável por planejar a emboscada. As prisões de Fernando, Manuel e Márcio na última terça-feira (13) podem levar a outros nomes. Ouça podcasts do Fantástico ISSO É FANTÁSTIC O podcast Isso É Fantástico está disponível no g1 e nos principais apps de podcast, o Fantástico traz ótimas reportagens, investigações e histórias interessantes para podcasts com a chancela jornalística: profundidade, contexto e fatos. Acompanhe, curta ou assine o Isso É Fantástico no seu reprodutor de podcast preferido. Há um novo episódio todos os domingos. PRAZER, RENATA Podcast ‘Prazer, Renata’ está disponível no g1 e no principal app de podcast. Acompanhe, inscreva-se e curta ‘Prazer, Renata’ na sua plataforma preferida.


















