GENEBRA, 19 Jan – As Nações Unidas alertaram na segunda-feira que a situação humanitária no Iémen está a deteriorar-se e que os ganhos obtidos no combate à desnutrição e aos problemas de saúde serão revertidos devido aos cortes de financiamento.

“A situação é muito preocupante… Esperamos que a situação piore ainda mais em 2026”, disse Julian Harness, coordenador humanitário residente da ONU para o Iémen, aos jornalistas em Genebra.

As Nações Unidas afirmam que cerca de 21 milhões de pessoas necessitarão de assistência humanitária este ano, contra 19,5 milhões no ano anterior. Harness disse que a situação foi exacerbada pelo colapso económico e pela interrupção de serviços essenciais, como cuidados de saúde e educação, bem como pela incerteza política.

Harness disse que o financiamento que o Iémen tradicionalmente recebia dos países ocidentais estava agora a ser cortado e apontou para a esperança de mais apoio dos países do Golfo.

Os Estados Unidos cortaram as despesas com a ajuda este ano, e os principais doadores ocidentais também cortaram a ajuda, uma vez que se concentram no aumento das despesas com a defesa, deixando as Nações Unidas com um défice de financiamento.

O Iémen tem sido o foco de uma das maiores operações humanitárias do mundo durante uma década de guerra civil que interrompeu o abastecimento de alimentos. O país também tem sido fonte de tensões intensificadas entre a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos nos últimos meses.

“As crianças estão morrendo e isso vai piorar”, disse Harness. Ele disse que a insegurança alimentar deverá piorar em todo o país e que as taxas de desnutrição deverão aumentar ainda mais.

“Durante 10 anos, as Nações Unidas e as organizações humanitárias conseguiram melhorar as taxas de mortalidade e melhorar as taxas de morbilidade… Este ano, esse não é o caso.”

Ele disse que a crise humanitária do Iémen ameaça a região com doenças como o sarampo e a poliomielite, que podem atravessar fronteiras.

Harneis disse que 680 milhões de dólares seriam fornecidos à ONU no Iémen em 2025, cerca de 28% da meta planeada. Reuters

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