BRUXELAS, 21 de janeiro – Os legisladores da UE votaram na quarta-feira para contestar o controverso acordo de livre comércio entre a União Europeia e a América do Sul no mais alto tribunal da região, uma medida que poderá atrasá-lo por dois anos e inviabilizá-lo.
A União Europeia assinou no sábado o maior acordo comercial da história com os estados membros do Mercosul, Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. O acordo ainda requer aprovação antes de entrar em vigor.
Os opositores, liderados pela França, o maior produtor agrícola da UE, dizem que o acordo aumentará significativamente as importações de carne bovina, açúcar e frango baratos, aliviando o fardo dos agricultores nacionais que protestaram repetidamente.
desafio legal
Um grupo de 144 deputados apresentou uma moção parlamentar pedindo ao Tribunal de Justiça da UE que decida se o acordo pode ser aplicado antes de ter sido totalmente ratificado por todos os Estados-Membros, e se as suas disposições limitam a capacidade da UE de definir políticas ambientais e de saúde do consumidor. Normalmente leva cerca de dois anos para o tribunal emitir tal parecer.
O Parlamento Europeu apoiou a moção com 334 votos a favor, 324 contra e 11 abstenções.
Se a questão for submetida a um tribunal, a UE poderá aplicar o acordo provisoriamente, enquanto se aguarda uma decisão e aprovação parlamentar. No entanto, fazê-lo poderia ser politicamente difícil, dada a reação negativa esperada, e o Parlamento Europeu manteria o poder de anulá-lo mais tarde.
Apoiadores em países como Alemanha e Espanha apontam para a destruição do comércio global pelo presidente dos EUA, Donald Trump. Argumentam que o acordo é essencial para compensar a perda de negócios devido às tarifas dos EUA e reduzir a dependência da China, garantindo o acesso a minerais críticos. Alertam também que o governo do Mercosul está a perder a paciência com a UE após anos de negociações. Reuters

















