O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Luiz Edson Fachin, que protocolou pedido dos deputados para afastar Toffoli do caso mestre da PGR, disse nesta quinta-feira (22) que a investigação de suspeitas de fraude financeira deverá seguir seus procedimentos regulares e eventuais erros ou irregularidades no sistema judiciário serão analisados de acordo com os procedimentos previstos em lei. Fauchin destaca que “as adversidades não suspendem a lei” e diz que os momentos de tribulação exigem respeito pela legitimidade, pela prudência e pela santidade das instituições. Segundo o ministro, as situações que têm impacto directo no sistema financeiro nacional exigem uma “resposta forte, coordenada e estritamente constitucional” dos órgãos competentes. Na nota, Fachin destacou que a Constituição atribui ao Banco Central do Brasil a responsabilidade pela estabilidade do sistema financeiro, pela continuidade das operações bancárias, pela proteção dos depositantes e pela prevenção do risco sistêmico. Segundo ele, essas atribuições devem ser exercidas com autonomia técnica e sem interferências indevidas. O presidente do STF enfatizou o papel da Polícia Federal na investigação de potenciais crimes financeiros, como gestão imprudente, fraude, manipulação de informação e lavagem de dinheiro. Fachin disse ainda que cabe à Procuradoria-Geral da República regular a validade dos processos e investigações criminais, destacando o papel do Ministério Público na ordem econômica e na proteção do consumidor. Abordando o papel do Judiciário, o ministro disse que o Supremo respeita a Constituição, o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa, as atribuições do Ministério Público e da Polícia Federal, mas exerce a fiscalização judicial dos processos. Segundo ele, o ministro da Informática, Dias Toffoli, desempenhou esse papel. Fachin lembrou que o STF está de férias e nesse período assuntos urgentes poderão ser analisados pela Presidência ou pelo relator conforme regimento interno. Ele disse que as decisões tomadas durante as férias serão submetidas ao colégio para discussão posterior. “É válido o exercício regular da jurisdição durante o recesso”, disse Fauchin, acrescentando que quaisquer alegações de erro ou irregularidade serão examinadas de acordo com regras e procedimentos, sem preconceitos. Na parte final da nota, o presidente do STF declarou que o tribunal não se curva a ameaças ou intimidações e que as tentativas de desmoralizar a instituição representam um atentado à democracia e ao Estado de Direito. “A crítica é válida e necessária”, disse Fauchin, “mas destruir instituições ou aprovar projetos de poder para proteger interesses não o será”. O ministro finalizou dizendo que transparência, ética, credibilidade e respeito devem ser compromisso permanente das instituições democráticas.


















