O Fantástico foi ao Paraguai para divulgar a moda das canetas proibidas para emagrecer, mas ainda é vendido em Ciudad del Este e no Brasil. No Brasil, a febre das canetas emagrecedoras já ultrapassou a fronteira – ilegalmente. O contrabando desses medicamentos do Paraguai, vendidos sem receita e sem controle sanitário, tornou-se um problema de saúde pública. Negociadas no meio da rua, vendidas online e divulgadas em laboratórios improvisados, as canetas aparecem até em comerciais com dança. Em um incidente em Porto Alegre, um vendedor disse que não precisava de receita e comprava em média de 40 a 60 caixas por vez. Para fugir da fiscalização, quem vende canetas tenta fugir da regulamentação de todas as formas possíveis: escondidas nos estofados de carros e ônibus, em fundos falsos e até dentro de pneus. Os números comprovam o avanço do contrabando. Em 2024, a Receita Federal apreende 2.500 unidades. No ano passado, foram 30 mil canetas emagrecedoras, avaliadas em mais de R$ 30 milhões. Pesquisas indicam, porém, que apenas 5% de tudo o que entra ilegalmente no país é apreendido. As estimativas são de que esse mercado gere cerca de R$ 600 milhões. “O brasileiro que compra essas canetas de forma irregular pode ter praticamente certeza de que está comprando um suposto medicamento que chegou ao país sem a devida refrigeração e sem condições adequadas de uso. Pode não surtir o efeito esperado ou até mesmo prejudicar a saúde”, disse Daniel Link, fiscal da receita federal. Em novembro, Kellen Oliveira, 42 anos, usou uma caneta do Paraguai, proibida no Brasil. Poucos dias depois, ele começou a sentir fortes dores abdominais e teve que ser hospitalizado. Os médicos diagnosticaram Kellen com síndrome de Guillain-Barré, uma doença autoimune rara que causa fraqueza muscular e pode paralisar o corpo. Ele foi internado na UTI. Felipe Henning, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia, explica: “Uma vez ocorrido um efeito colateral, não é possível saber exatamente se é devido ao medicamento, a outra substância, a um contaminante ou à má conservação”. “Esses efeitos colaterais podem ser tão graves que podem causar a morte do paciente”. Os medicamentos não podem ser vendidos no Brasil sem registro, informou a Anvisa em nota. A única possibilidade de compra de medicamentos não aprovados no país é a importação excepcional por pessoa física, para tratamento da própria saúde e mediante prescrição médica. O “Fantástico” foi ao Paraguai investigar a venda de canetas emagrecedoras proibidas no Brasil. No país, os laboratórios investem pesadamente na promoção de produtos vetados no mercado brasileiro. Em alguns casos, as discussões acontecem ali mesmo nas ruas de Ciudad del Este. O Brasil possui uma estrutura organizada de contrabandistas para revender produtos. Eles criaram grupos de mensagens para monitorar a fiscalização. O acesso custa R$ 100 “Neste caso, quando houver falsificação ou corrupção do produto, a pessoa responde por crime contra a saúde pública, com pena de prisão de 10 a 15 anos”, disse a deputada Milena. Para as autoridades, o tráfico de canetas para perda de peso já é considerado um problema de saúde pública. “A luta envolve fortalecer as áreas de fronteira, mas harmonizar o protocolo entre a Agência Nacional de Vigilância Sanitária do Brasil e do Paraguai. Isso vai ajudar muito”, disse Luciano, do Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras. “Por um lado, é necessário conscientizar a população. Por outro lado, fortalecer a ação dos órgãos públicos para prevenir tanto o contrabando como o comércio ilegal”, acrescentou Henning. A Vigilância Sanitária do Paraguai emitiu um alerta sobre o uso do tirzepetide, princípio ativo mais utilizado em algumas canetas para perda de peso. O documento afirma que a substância representa grave risco à saúde pública, pois não é possível determinar sua composição, qualidade, segurança e eficácia. Para a Sociedade Brasileira de Endocrinologia, o tratamento com canetas emagrecedoras é um divisor de águas no combate ao diabetes e à obesidade. Porém, os medicamentos devem ser fabricados por laboratórios homologados pela Anvisa e passar por diversos testes de qualidade e pureza antes de serem comercializados. “São medicamentos muito bons. O grande problema é o uso indevido, sem orientação médica, e a compra de fontes questionáveis, onde o produto pode não ser correto, de baixa qualidade ou contaminado”, concluiu Henning. Ouça podcasts do Fantástico ISSO É FANTÁSTIC O podcast Isso É Fantástico está disponível no g1 e nos principais apps de podcast, o Fantástico traz ótimas reportagens, investigações e histórias interessantes para podcasts com a chancela jornalística: profundidade, contexto e fatos. 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