
Pernambuco já registrou 82 ataques de tubarão desde 1992, sendo um tubarão-touro possivelmente o responsável pela mordida que matou um menino de 13 anos em Olinda, na quinta-feira (29), segundo análise do Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (SEMIT). Segundo o órgão estadual, no Grande Recife existem pelo menos seis espécies principais (veja espécies e suas características abaixo), mas apenas duas estão associadas a eventos de mortalidade na área. Além dos cabeças-chatas, os tubarões-tigre também têm sido associados a incidentes fatais. ✅ Receba notícias do g1 PE no WhatsApp quinta-feira, vítima do adolescente Davison Rocha Dantas, que brincava no mar, na Praia del Chiffre, quando foi mordido. Na sexta-feira (30), Semit relacionou a mordida a um tubarão-touro devido à extensão e natureza dos ferimentos. Segundo a organização, o animal deve ter mais de três metros de altura. Em entrevista ao G1, a oceanógrafa Rosangela Lesa, professora da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e membro do Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (SEMIT), observou que existem diversas espécies no litoral pernambucano e que apenas dois incidentes estão relacionados. “Há um número relativamente grande de espécies que compõem nossa fauna de elasmobrânquios, mas apenas duas espécies são conhecidas por estarem associadas a eventos de tubarões: cabeças-chatas e tigres. São espécies que estão associadas a eventos em praticamente todo o mundo, onde esses eventos ocorrem”, afirma a oceanógrafa Rosangela Lessa, professora e membro da Universidade Federal de Berlim. Semita. Segundo Rosangela Lessa, os registros de ocorrências no Grande Recife referem-se principalmente às movimentações de tubarões tigre e cabeça-chata durante processos migratórios, que ainda não são totalmente compreendidos. Ele diz que Recife não é uma área onde nascem ou são criados jovens tubarões dessa espécie. “Ainda não sabemos (a rota completa da migração). Sabemos apenas que Recife não é berçário. (…) Eles desenvolvem um movimento, uma trajetória de deslocamento, que vai muito próximo da costa. Já houve pesquisas, por exemplo, de que tubarões-tigre podem fazer migrações transsônicas”, disse. Leia mais: Tubarão-touro medindo mais de 3 metros mordeu adolescente, análise mostra que menino já estava morto quando chegou ao hospital ‘Queria ser jogador de futebol’, disse o vizinho que a alta frequência em determinados pontos, explica, está relacionada à dinâmica ambiental, oceanográfica e atual do mar, que pode atrair ou repelir animais. “Em determinados locais acontecem com maior frequência, porque as pessoas estão mais próximas dos locais por onde passam. Há oceanografia, dinâmicas atuais ou ambientais mais protegidas e outros locais que não o são. As mudanças ambientais ao longo do tempo também afectam a dinâmica costeira. Segundo o pesquisador, além da construção e da interferência antrópica, os desvios e as mudanças naturais no rio também afetam o ambiente dos animais. “Também há correntes de retorno, porque há toda uma dinâmica que mudou ao longo do tempo com a construção, a curva do rio…coisas que dependem de como o ambiente foi aproveitado ao longo do tempo”, comentou. Infográfico: As espécies de tubarões mais comuns no litoral de Pernambuco Arte/G1 Veja abaixo as espécies de tubarões mais comuns no litoral do Grande Recife e suas características: Tubarão cabeça-chata (Carcharhinus leucas) Tubarão cabeça-chata (Carcharhinus leucas) AndreiDiv/Divulgação, reconhecido pela estrutura corporal arredondada e tamanho curto. Os tubarões podem viver tanto nos mares como nos rios e estuários, uma característica rara entre os grandes tubarões. No Brasil ocorre do Amapá ao Rio Grande do Sul, com registros no Rio Amazonas. Pode atingir 3,5 metros de comprimento e pesar mais de 90 kg. A espécie tem cor cinza ou marrom, dentes superiores largos e serrilhados e olhos pequenos. Pintinhos e juvenis costumam apresentar manchas escuras nas nadadeiras, especialmente na cauda. Com crescimento lento e baixa fertilidade, é mais vulnerável à pesca e à alteração de áreas costeiras utilizadas como viveiros. Tubarão-tigre (Galeocerdo cuvier) Tubarão-tigre (Galeocerdo cuvier) Kris-Mikael Krister/Divulgação Grande, pode ultrapassar 5,5 metros de comprimento e peso médio entre 385 e 635 kg. É encontrada em todo o mundo, em águas costeiras de regiões tropicais, e ocorre em todos os estados da costa brasileira, bem como em ilhas como Fernando de Noronha e Atol das Rocas. É uma espécie de crescimento rápido e com vigor relativamente alto. Geralmente se alimenta de peixes, focas, pequenos tubarões, lulas e tartarugas. Tubarão de pontas pretas (Carcharhinus limbatus) Tubarão de pontas pretas (Carcharhinus limbatus) Simon Pearce/Divulgação Uma espécie costeira de médio a grande porte, encontrada em águas tropicais e subtropicais em todo o mundo. No Brasil, é registrado em todo o litoral, inclusive no limite sul de Santa Catarina, e utiliza áreas costeiras rasas como berçários, onde filhotes e filhotes se reúnem em determinadas épocas do ano. Geralmente atinge 1,5 metros de comprimento e seu peso máximo conhecido é de 123 quilos. Os tubarões de pontas pretas têm corpo robusto, focinho um tanto curto e arredondado e olhos proporcionalmente grandes. Possui manchas pretas nas pontas de algumas nadadeiras, mas não nas nadadeiras anais, o que ajuda a distingui-lo de espécies semelhantes. Tubarão Flamingo (Carcharhinus acronotus) Tubarão Flamingo (Carcharhinus acronotus) JA-Anderson/Divulgação Encontrado no Atlântico ocidental, ocorre do sul dos Estados Unidos ao sudeste do Brasil, com maiores densidades no Nordeste, entre a Bahia e a Serra. Geralmente ocupa áreas próximas a águas rasas, costas e recifes de coral, principalmente durante a época de reprodução, o que aumenta a exposição à pesca costeira. De pequeno porte, medindo aproximadamente 1,2 m, com peso máximo registrado de aproximadamente 19 kg. Possui coloração que varia do cinza esverdeado ao cinza escuro e se distingue por uma mancha preta na ponta do bico, mais pronunciada nos juvenis, além de manchas escuras na segunda nadadeira dorsal e cauda. Tubarão-limão (Negaprion brevirostris) Tubarão-limão (Negaprion brevirostris) Mike Cramp/Divulgação Associado a ambientes costeiros de águas rasas, o tubarão-limão é encontrado na região do Atlântico, desde a costa dos Estados Unidos até o Brasil, e ocorre em áreas como recifes de corais, manguezais e estuários. Nesse ambiente, tende a viver próximo ao fundo, comportamento comum em espécies bentônicas. Pode atingir cerca de três metros de comprimento, pesando até 100 quilos. Os jovens permanecem fiéis ao local onde nasceram, enquanto os adultos podem mudar-se para áreas mais abertas. No Brasil, a espécie tem registrado declínio em sua ocorrência, sendo declarada extinta regionalmente no Rio de Janeiro e em São Paulo, além de declínios em áreas consideradas estratégicas para sua conservação. Tubarão de bico fino (Rhizoprionodon porosus) Tubarão de bico fino (Rhizoprionodon porosus) Cláudio LS Sampaio/Divulgação Espécie de pequeno a médio porte, encontrada em toda a costa brasileira a partir da Venezuela, com maior presença nas regiões Norte e Nordeste. É comum tanto na pesca artesanal quanto na industrial, principalmente com redes de emalhar e de arrasto, com predomínio de indivíduos jovens em cativeiro. Seu comprimento normal é de 80 a 89 cm e pode pesar até 7,5 kg. O tubarão de lábios finos tem focinho levemente arredondado, de cor cinza a marrom, sem coloração esverdeada, e os exemplares maiores podem apresentar manchas pequenas e mais claras. A segunda barbatana dorsal geralmente apresenta uma mancha escura bem definida, especialmente visível em indivíduos pequenos. Vídeo: Mais vistos em Pernambuco nos últimos 7 dias


















