
O Congresso Nacional retomará os trabalhos a partir desta segunda-feira (2). Com cerimônia tradicional, saudação de tiros de canhão e discursos dos presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davie Alcolambre (UNIO-AP), formalizarão a abertura do ano legislativo. O calendário de votação, no entanto, é apertado. Devido às eleições de outubro deste ano, a expectativa é que as Casas fiquem vazias em julho, já que deputados e senadores deverão focar em suas campanhas. A votação, portanto, deverá concentrar-se no primeiro semestre do ano anterior ao início da campanha eleitoral. A câmara iniciou oficialmente seus trabalhos na segunda-feira. O presidente da Câmara, deputado Hugo Mota, marcou para o início da noite a primeira sessão de votação e espera-se que os deputados votem o regime provisório do Gás do Povo. Assista aos vídeos de tendências no G1 🔎 🔎 Chamado de “Gás do Povo”, o programa oferece gratuitamente botijões de gás de cozinha (GLP) e pretende ampliar o atual apoio ao gás com uma nova modalidade de apoio, voltado para famílias cadastradas em cadastro único, cuja renda seja igual ou inferior à metade do mínimo. A medida deve ser aprovada pelas duas casas até 11 de fevereiro para não perder a validade. Alcolambre ainda não havia convocado a primeira sessão do ano no Senado. Veto será analisado Na retomada da legislatura, deputados e senadores analisarão 73 vetos presidenciais. Os vetos exercidos pelo Presidente da República são transmitidos ao Congresso para que os parlamentares possam analisar se mantêm ou derrubam as decisões do Presidente em sessão conjunta entre o Senado e a Câmara. Porém, o presidente do Congresso, senador Davey Alcolambre, ainda não marcou sessão para analisar os vetos. Entre os vetos pendentes está um projeto de lei que comuta as penas do ex-presidente Jair Bolsonaro e de outros condenados por crimes golpistas, incluindo o episódio de vandalismo de 8 de janeiro de 2023. A proposta é conhecida como Dosimetria PL. A proposta foi aprovada pelo Congresso no final do ano passado e vetada liminarmente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no início de janeiro. Além disso, os parlamentares deverão abordar o veto de R$ 11 bilhões em emendas parlamentares previstas no orçamento de 2026. O Congresso aprovou a parcela orçamentária deste ano que prevê R$ 50 bilhões em emendas individuais, de comissões e de bancada. Emendas Parlamentares são alterações feitas em orçamentos dirigidos por Deputados e Senadores. Outros R$ 11,5 bilhões foram carimbados como gastos do governo que poderiam ser alocados conforme orientação do Parlamento. Foi esta última fatia que se pretendeu cortar. Outro veto pendente é o projeto de lei para aumentar o número de deputados federais de 513 para 531. A ampliação — que aumentará os gastos públicos — foi motivada por uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que determinou um realinhamento da representação dos estados com base nos dados do censo de 2022. Porém, o STF buscou o realinhamento das vagas, e não o aumento do número de deputados, como o Congresso havia aprovado. A proposta foi vetada pelo presidente Lula e, a pedido da defesa do Senado, o STF estendeu o prazo até 2030. Cenário da Câmara dos Deputados Embora o calendário deste ano seja apertado, propostas importantes devem ser votadas em fevereiro. Estes incluem o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia e a proposta de Emenda de Segurança (PEC) à Constituição. Sobre o acordo Marcoser-UE, Mota disse que quer colocá-lo em votação antes do feriado de Carnaval e, para isso, basta aguardar o governo federal enviar a proposta ao Congresso. O presidente da Câmara também estabeleceu um calendário para a análise da PEC da Segurança. A PEC, informada pelo deputado da oposição, Mendonça Filho (União-PE), já passou pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara e aguarda votação em comissão especial antes de ir ao plenário. Se aprovado, seguirá para análise dos senadores. O relator disse que na primeira semana de fevereiro procurará as bancadas da Câmara para apresentar e discutir a proposta de relatório na comissão especial. A previsão é que o texto seja votado após o carnaval. Além disso, o projeto de lei antipartidarismo certamente retornará ao debate. A proposta já foi aprovada na Câmara e como houve alterações no texto aprovado no Senado, ela deverá ser reavaliada pelos deputados. Questões como conclusão da escala 6×1, controle da inteligência artificial e trabalho baseado em aplicativos também deverão voltar a ser discutidas. Cenário do Senado Neste primeiro semestre, o Senado deve focar em projetos que atualizem a lei do impeachment. O relator da proposta, senador Waverton Rocha (PDT-MA), ainda não se pronunciou, mas já disse que a proposta não trata apenas da obstrução de ministros do Supremo Tribunal Federal, discussão que colocou o projeto em destaque nos últimos dias. O projeto estava na pauta de votação da Comissão de Constituição e Judiciário (CCJ) do Senado no final do ano passado, mas foi retirado da pauta a pedido do relator. O tema voltou a ser discutido após Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), restringir pedidos de impeachment contra integrantes do tribunal para serem apresentados à Procuradoria-Geral da República. Ainda não há data para votação da proposta, mas a expectativa é que os senadores analisem o assunto ainda este ano. Os trabalhos da Comissão de Inquérito Parlamentar (CPI) também continuam. A CPI Mista do INSS, que investiga fraudes em descontos de benefícios para aposentados do INSS, marcou sua primeira reunião colegiada para esta quinta-feira (5). No evento, o presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), disse que o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, deverá comparecer para prestar depoimento sobre a operação de crédito da Master concedida a aposentados e pensionistas. O senador disse que tentará conversar com o ministro Dias Toffoli, relator do caso mestre do Supremo Tribunal Federal (STF), para que ele libere o banqueiro para prestar depoimento, já que está sob medidas restritivas. CPMI do INSS terá até 28 de março para votar relatório final da comissão A CPI do Crime Organizado, que está em funcionamento, continuará funcionando até 14 de abril 🔎 Crime Organizado A CPI foi instalada em resposta à operação das forças de segurança do Rio de Janeiro contra o Comando Vermelho (CV), que matou 121 pessoas em outubro do ano passado. Deputados Federais na Câmara dos Deputados Cayo Magalhas/Plenário da Câmara dos Deputados


















