HELSINQUE – O presidente da Finlândia, Alexander Stubb, pediu a expansão do Conselho de Segurança da ONU, a abolição do poder de veto de um único estado e a suspensão de qualquer membro envolvido em uma “guerra ilegal”, como a invasão da Ucrânia pela Rússia.
Stubb, que lidera a política externa do país nórdico, disse que acrescentaria sua voz aos apelos por reformas na Assembleia Geral da ONU na próxima semana, em Nova York, que discutirá a composição do Conselho de Segurança do órgão global.
Composto por cinco estados-membros permanentes e 10 rotativos, a missão do conselho é manter a paz global, mas rivalidades geopolíticas o colocaram em um impasse em questões que vão da Ucrânia à Faixa de Gaza.
Stubb disse em uma entrevista na terça-feira que proporia que o número de membros permanentes fosse expandido de cinco para 10, com mais um da América Latina, dois da África e dois da Ásia.
“Nenhum estado deve ter poder de veto no Conselho de Segurança da ONU”, disse ele à Reuters.
Os EUA, uma das cinco nações com poder de veto, juntamente com Rússia, China, França e Grã-Bretanha, também apoiaram dois assentos permanentes para a África.
Stubb disse que qualquer membro envolvido em uma guerra ilegal, “como a que a Rússia está travando agora na Ucrânia”, deve ser expulso.
Moscou justificou sua invasão da Ucrânia dizendo que está criando uma proteção contra a agressão ocidental e tomando território que é historicamente da Rússia.
APOIANDO A UCRÂNIA
Stubb disse que sabia que suas propostas para o Conselho de Segurança estavam “além do que normalmente é dito por pequenos Estados-membros”, mas acrescentou que, de outra forma, as grandes nações não proporiam enfraquecer sua própria influência.
“Então eles falam, mas não agem”, disse ele, acrescentando que espera que outros ajudem a levar o plano adiante até o 80º aniversário da ONU no ano que vem.
Quaisquer mudanças na composição do Conselho de Segurança precisam da aprovação de dois terços da Assembleia Geral, incluindo os cinco poderes de veto.
“Minha mensagem básica é que se os países do Sul global, da América Latina, da África, da Ásia, não tiverem agência no sistema, eles darão as costas para as Nações Unidas. E isso nós não queremos”, ele disse.
O ex-primeiro-ministro finlandês e parlamentar europeu, que assumiu o cargo em março como presidente, pediu apoio ao presidente ucraniano Volodymyr Zelenskiy, que discursará na assembleia da ONU na próxima semana sobre seu “plano de vitória”.
“Ele nos informou que 90% já está lá e os 10% que ele apresentará são o que será necessário para ele vencer esta guerra”, disse Stubb.
Ele pediu que as nações ocidentais suspendam as restrições ao uso de armas doadas que deixam a Ucrânia “com uma mão amarrada nas costas”.
“Precisamos soltar essa mão e permitir que a Ucrânia faça o que a Rússia está fazendo com ela”, disse ele.
Stubb não deu crédito às ameaças do presidente russo Vladimir Putin de escalada nuclear. “Da última vez que vimos Putin usando linguagem agressiva sobre armas nucleares, o Sul global e a China basicamente disseram a Putin para parar”, disse ele. REUTERS


















