Prefeito de Boa Vista cassado por compra de votos e abuso de poder econômico O presidente da Câmara Municipal de Boa Vista, vereador Jenilson Costa y Silva, e o coronel da Polícia Militar Francisco das Chagas Lisboa Jr., foram denunciados à Justiça Eleitoral por planejarem compra de votos nas eleições municipais de Boa Vista de 2024. A ação foi ajuizada pelo Ministério Público Eleitoral (MP) e nesta quinta-feira (12). Além dos dois, outros 14 também foram denunciados. Todos são suspeitos de fazerem parte de um “esquema estrutural” de crimes eleitorais. Segundo o MP, os investigados organizaram e executaram uma complexa associação criminosa focada na corrupção eleitoral com o objetivo de garantir a reeleição de Jenilson Costa. O esquema era executado de forma hierárquica, dividindo tarefas entre dirigentes, coordenadores e operadores de campo, além do uso de recursos financeiros declarados na Justiça Eleitoral, característico de práticas de “caixa dois”. O modus operandi da investigação do esquema indicou que o partido atraiu eleitores oferecendo quantias em dinheiro, geralmente variando entre R$ 100 e R$ 150, em troca da promessa de voto. Como forma de controle, os eleitores foram orientados a gravar vídeos ou tirar fotos dos candidatos portando materiais de campanha, para comprovar seu comprometimento com o voto. O esquema utilizou planilhas, listas manuscritas e grupos de mensagens instantâneas para organizar pagamentos, recenseamento eleitoral e prestação de contas interna. Também foi identificado o transporte irregular de eleitores no dia da votação, além da atuação de integrantes responsáveis pelo acompanhamento das atividades de fiscalização e transmissão de informações sigilosas à central de comando do grupo. As investigações indicaram que milhares de eleitores foram cooptados, com a movimentação de valores que, segundo as investigações, ultrapassariam milhões de reais fora das contas oficiais da campanha. “Anotações capturadas no celular de Jenilson indicam que o valor global repassado pela organização criminosa ultrapassou a cifra de R$ 4.000.000,00 (quatro milhões de reais), seis vezes mais que o patrimônio declarado pelo candidato”, descreve citação da denúncia. O Deputado Eleitoral solicitou ao tribunal que aceitasse os documentos incriminatórios e prosseguisse com o processo penal, responsabilizando os envolvidos pelos crimes especificados. Em relação ao acusado Jenilson Costa y Silva, o Ministério Público solicitou, além de ser considerado culpado do suposto crime, o afastamento imediato do cargo de vereador, como medida cautelar, para interromper os procedimentos do grupo e evitar a repetição de comportamentos ilegais. Para Francisco das Chagas Lisboa Jr., o MPRR solicitou seu afastamento do posto de coronel da Polícia Militar, em razão do uso indevido da função para acessar e repassar informações sigilosas, bem como o envio de cópia integral do processo ao Ministério da Justiça Militar, ao Ministério da Administração Pública Militar e ao Ministério da Administração Interna, competentes para diligências internas do Primeiro-Ministro. Lisboa também deverá ser responsabilizada pela violação da confidencialidade operacional. Na época dos acontecimentos, ele era Vice-Comandante Geral do Primeiro Ministro e usava seu cargo para acessar o sistema de denúncias da Polícia Militar. Documentos obtidos em seu celular mostram que ele capturou telas do sistema “Disk 190” contendo denúncias contra Jenilson e as entregou imediatamente ao candidato, permitindo que o sindicato do crime evitasse a fiscalização. Leia outras notícias do estado no G1 Roraima.

















