CINGAPURA – O plantio de manguezais pode gerar muitos benefícios, como proteção costeira e melhoria da biodiversidade, mas um novo estudo descobriu que povoamentos de árvores de mangue não se comparam a uma floresta de mangue natural e intocada em um aspecto fundamental: armazenamento de carbono.
Árvores de mangue plantadas podem armazenar até 71% a 73% do carbono encontrado em uma floresta de mangue intacta do mesmo ambiente costeiro, e esse nível de armazenamento de carbono é alcançado somente após cerca de 20 anos de crescimento, mostra o estudo.
Pesquisadores dizem que essa descoberta mostra que o replantio de novos manguezais não pode compensar totalmente a perda de florestas intocadas.
O estudo define manguezais plantados como áreas onde a vegetação de mangue foi deliberadamente plantada onde ela existia anteriormente, como em uma área degradada, ou onde não existiam manguezais antes.
A pesquisadora colíder do estudo, Dra. Carine Bourgeois, do Programa Internacional do Serviço Florestal dos EUA (África Central e Oriente Médio), disse que seus modelos indicam que, mesmo se todas as áreas de manguezais altamente restauráveis fossem replantadas, elas capturariam e armazenariam apenas 0,025% das emissões globais anuais de dióxido de carbono ao longo de 20 anos, supondo que a restauração alcance sucesso semelhante na construção de estoques de carbono.
“Para colocar isso em perspectiva, os manguezais globalmente detêm 11,7 petagramas de carbono, o equivalente a 1,15 vezes as emissões globais anuais de dióxido de carbono. Isso destaca a importância de conservar os estoques de carbono existentes nos manguezais”, ela acrescentou. Um petagrama é equivalente a um bilhão de toneladas métricas.
A publicação do estudo na revista Science Advances em julho ocorre em meio a um ressurgimento global do interesse na restauração da natureza, incluindo o replantio de manguezais, como uma solução baseada na natureza para enfrentar as mudanças climáticas.
Os manguezais podem armazenar e prender carbono no solo, pois absorvem dióxido de carbono por meio da fotossíntese. Eles podem armazenar de três a cinco vezes mais carbono em comparação com florestas tropicais.
“Apesar do benefício percebido da restauração, não há consenso sobre o cronograma necessário para que os plantios de manguezais bem-sucedidos recuperem ou acumulem níveis de estoques de carbono semelhantes aos das florestas de manguezais naturais”, observou a equipe de pesquisa, que envolveu 24 pesquisadores de instituições como o Instituto Florestal das Ilhas do Pacífico, o Centro de Pesquisa Florestal Internacional e Agrofloresta Mundial, a Universidade da Malásia e a Universidade de Cambridge.


















