BRASÍLIA – O Brasil pediu na quarta-feira à União Europeia que não implemente regulamentações em sua lei de desmatamento no final do ano, conforme programado, e pediu que ela seja revisada para não prejudicar as exportações brasileiras.
Em uma carta à Comissão Europeia vista pela Reuters, o governo brasileiro disse que a lei que proíbe a importação de produtos ligados à destruição das florestas do mundo pode afetar quase um terço das exportações do Brasil para a UE.
A lei aprovada em 2022 pelo Parlamento Europeu foi adotada em junho do ano passado, permitindo 18 meses para as empresas se adaptarem. A lei se aplica a soja, carne bovina, óleo de palma, café, cacau, borracha, madeira e derivados, incluindo couro e móveis.
“O Brasil é um dos principais fornecedores da UE da maioria dos produtos abrangidos pela legislação, que correspondem a mais de 30% das nossas exportações para o bloco comunitário”, diz a carta assinada pelos ministros da Agricultura e das Relações Exteriores.
“Para evitar impacto em nossas relações comerciais, solicitamos que a UE não implemente o EUDR (Regulamento da UE para Eliminação de Desmatamento) no final de 2024 e reavalie urgentemente sua abordagem à questão”, escreveram os ministros.
As exportações brasileiras desses produtos em 2023 atingiram US$ 46,3 bilhões de dólares, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. A EUDR pode afetar cerca de US$ 15 bilhões em exportações, calcula o governo.
“Consideramos a EUDR um instrumento unilateral e punitivo que ignora as leis nacionais de combate ao desmatamento”, reclamava a carta, acrescentando que a lei europeia discriminava países com recursos florestais e aumentava os custos para produtores e exportadores.
A EUDR tem sido um obstáculo nas negociações comerciais da UE com o Brasil e seus parceiros no bloco comercial sul-americano do Mercosul.
Negociadores da União Europeia e da América do Sul que se reuniram em Brasília na semana passada disseram que fizeram “progresso significativo” em questões controversas que têm atrasado o tão esperado acordo UE-Mercosul.
Embora o acordo de livre comércio seja separado do EUDR, autoridades brasileiras estão preocupadas que a lei possa ser usada para reduzir a cota de produtos agrícolas do país para a UE e querem buscar alguma forma de compensação se a lei europeia for implementada. REUTERS


















