SAN JOSÉ, 2 de fevereiro – A próxima presidente da Costa Rica, Laura Fernández, promoverá a missão populista definida pelo seu antecessor, que inclui promessas de reformar a constituição e suspender as liberdades civis para combater o crime em meio a um aumento na violência causada pelas drogas.
Fernández, 39 anos, iniciou sua carreira como conselheira política e funcionária pública no Ministério de Planejamento Nacional e Política Econômica da Costa Rica, onde o atual presidente Rodrigo Chávez a nomeou ministra em 2022.
Fernández, um fervoroso defensor de Chávez, serviu como chefe de gabinete do presidente antes de lançar sua própria campanha presidencial.
Pilar Cisneros, legisladora que lidera a facção pró-governo no Congresso e é vista como fundamental para a ascensão de Chávez ao poder, disse que Fernández foi escolhido a dedo por um grupo de cerca de 10 pessoas próximas a Chávez, incluindo o presidente.
“Há muito poucas pessoas que conhecem este estado como ela. Ela sabe onde estão os problemas”, disse Cisneros.
Conhecido por seu estilo teatral de falar e sua inclinação para a dança, que costuma exibir em comícios de campanha, Fernandez nasceu em Esparza, no estado costeiro de Puntarenas, e cresceu na capital, San José.
Ela é casada e tem uma filha pequena e é uma católica conservadora com uma forte mensagem familiar que a ajudou a atrair o apoio do crescente grupo evangélico do país.
Ela falou de sua admiração pelo presidente de El Salvador, Nayib Boucle, conhecido por sua postura dura em relação ao crime e às gangues, e disse que ele declararia estado de emergência para restringir as liberdades civis em áreas de alta criminalidade. Ela também prometeu concluir a construção de uma prisão de segurança máxima inspirada na megaprisão CECOT de El Salvador.
Durante a campanha, os opositores acusaram Fernández de ser a “fantoche” de Chávez e questionaram a sua autonomia.
“Ela governará – será presidente – mas seria tolice não mostrar que tem o apoio de Dom Rodrigo. Ela é leal ao nosso projeto político”, disse Cisneros.
Cercado por apoiadores em San José após declarar vitória, Fernández prometeu uma nova era na política da Costa Rica.
“As mudanças serão profundas e irreversíveis”, disse Fernández, anunciando que o país centro-americano estava a entrar numa nova era política.
A segunda república da Costa Rica, que começou depois da guerra civil de 1948, “é uma coisa do passado”, diz ela. “Cabe a nós construir uma Terceira República.”
Fernández será a segunda mulher presidente da Costa Rica, depois de Laura Chinchilla, que governou de 2010 a 2014. Desde que deixou o cargo, Chinchilla ocupou vários cargos em organizações internacionais e universidades e tornou-se uma opositora vocal dos governos da Venezuela e da Nicarágua.
Ela também é uma das críticas mais veementes do atual governo da Costa Rica e do seu movimento político, dizendo que segue um “roteiro previsível” de outros líderes autoritários da região. Ela chamou Fernández de “rude, populista” e “uma cópia ruim do presidente”. Reuters
















