
Ex-governador José Roberto Arruda TV Globo/Reprodução Após ser declarado inelegível afastado do cenário político por quase 15 anos, o ex-governador José Roberto Arruda (qualquer partido) se lançou como pré-candidato ao governo do Distrito Federal em 2026. A situação política de Arruda, principalmente após a decisão da Justiça, confirma especialmente a suspeita. A condenação de políticos por incompetência é uma das causas da incompetência. ✅ Clique aqui para acompanhar o canal g1 DF no WhatsApp. O g1 entrevistou especialistas em direito eleitoral para saber se José Roberto Arruda pode concorrer ao Palácio do Buriti em 2026. A resposta, porém, ainda é incerta – e pode mudar até o momento das eleições. Entenda abaixo. A situação de Arruda José Roberto Arruda enfrenta um processo que pode tornar improvável a sua candidatura nas eleições do próximo ano. Em um deles, relacionado ao escândalo da Caixa de Pandora, o ex-governador foi considerado culpado de improbidade administrativa em 2024 e inabilitado por oito anos. Em outubro deste ano, Arruda pediu a anulação da condenação, mas o pedido foi rejeitado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Com esta decisão, Arruda continua impedido de disputar a eleição. Se não houver mudança na interpretação do tribunal, Arruda poderá ficar inelegível até 2032 (veja abaixo). ➡️ Por outro lado, especialistas consultados pelo g1 observaram que é possível que o ex-governador consiga executar sua candidatura. STJ mantém condenação do ex-governador José Roberto Arruda Arruda está inabilitado? A resposta mais direta a esta pergunta é: depende. Para Renato Ribeiro de Almeida, doutor em Direito pela Universidade de São Paulo (USP), ainda é cedo para tirar conclusões. O especialista explicou que a qualificação do ex-governador do Distrito Federal será analisada apenas durante o registro da candidatura. Ou seja, até 15 de agosto – prazo da Justiça Eleitoral para receber a inscrição dos candidatos – Arruda poderá ser pré-candidato do GDF. “Só se houver candidatura do ex-governador, se a candidatura for solicitada, é que a Justiça Eleitoral vai olhar para essa questão e declarar claramente que ele está habilitado”, disse Renato Ribeiro de Almeida. Interpretação da Lei da Ficha Limpa Segundo a advogada criminalista e mestre em Direito Penal Emanuela de Araujo Pereira, as recentes mudanças no cálculo do tempo de inabilitação na Lei da Ficha Limpa complicam juridicamente a situação de Arruda. “A mudança estabelece uma nova forma de cálculo do período de inelegibilidade para condenações por órgãos colegiados. Pela interpretação literal, o prazo que começaria a correr a partir da data da condenação, Arruda poderia, teoricamente, ser considerado elegível para as eleições de 2026”, observou Pereira. Em setembro deste ano, a Lei Complementar 219/2025 alterou a chamada Lei da Ficha Limpa e estabeleceu que a inabilitação começa a contar a partir da decisão de perder o mandato ou renunciar e não mais a partir do término do mandato. “No entanto, é importante ressaltar que o STJ manteve a condenação de Arruda quanto aos fatos investigados na Operação Caixa de Pandora, o que o deixa, em princípio, inelegível. O cenário que se apresenta, portanto, é juridicamente complexo e passível de interpretação no âmbito constitucional”, avaliou o advogado. Lei da ficha limpa: Lula proíbe com veto alterações que reduzem prazos de inabilitação de condenados Segundo Ribeiro de Almeida, toda essa situação só deverá ser resolvida no ano que vem. Até lá, Arruda pode se apresentar como pré-candidato e fazer a chamada “pré-campanha” – que deverá obedecer às regras definidas pelo TSE. “Tudo vai depender do que o Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal e posteriormente, o próprio Tribunal Superior Eleitoral entenderem sobre essa nova lei e o julgamento tanto do Órgão do Distrito Federal quanto do Órgão Supremo do Tribunal Eleitoral”, disse Renato Ribeiro de Almeida. Pré-candidatos do GDF eleitorado do Distrito Federal voltam às urnas para eleger um novo governador em 2026. Com a saída de Ibáñez Rocha (MDB) após dois mandatos, o Palácio do Buriti está “livre” para um novo nome. Pesquisa realizada pelo g1 em novembro mostra que pelo menos cinco políticos já se lançaram publicamente como candidatos ao GDF em 2026. São eles: Celina Leão (PP), atual vice-governadora do DF; José Roberto Arruda (sem partido), ex-governador do DF; Leandro Grass (PT), presidente do IFAN; Paula Belmonte (Cidadania), Deputada Distrital; Riccardo Cappelli (PSB), Interventor Federal na Segurança do DF após 8 de janeiro. Leia mais notícias sobre a região no G1 DF.

















