
Manuel Carlos Durante entrevista no Rio de Janeiro em outubro de 2016, Estevam Avelar/Globo, escritor da grande novela da TV brasileira, Manuel Carlos morreu neste sábado (10), aos 92 anos, no Rio de Janeiro. A morte foi confirmada pela família. A causa da morte não foi divulgada. Além de escritor, ele também é produtor, escritor, diretor e ex-ator. Ele deixa duas filhas: a atriz Julia Almeida e a novelista Maria Carolina. Veja a resposta da morte do autor abaixo. Lilia Cabral Em entrevista à GlobeNews, a atriz Lilia Cabral lamentou a morte de Maneco. “Acho que, para minha vida, ela foi fundamental, porque as pessoas deixaram de me ver apenas como uma atriz divertida, colorida, e ela me viu como uma atriz densa, com potencial de dar tristeza e profundidade a muitos dos personagens que interpretei em suas novelas”, disse ela. “Eu queria estar ao lado dele agora, mas acho que não será possível. Quero agradecer. Agradeço sempre em todos os meus posts, em todas as vezes que falo, em todas as novelas que são reprises, falo da importância dele na minha vida, mas acho que não foi o suficiente.” A história de Maneco, como era conhecido, começou em 1972 como diretor-geral do “Fantástico” na Globo. Antes disso, já trabalhou em diversas emissoras brasileiras, atuando como escritor, produtor e até ator. Sua carreira artística começou aos 17 anos nos palcos. Ao longo dos anos, suas novelas foram caracterizadas pelo Rio de Janeiro – e como personagem – e pela abordagem dos conflitos no interior do núcleo familiar brasileiro. Outra característica interessante de sua obra foi “Helenas”. De Baila Comigo (1981) a Em Família (2014), os personagens retratam mães cujo amor pelos filhos supera qualquer desafio. 📱Baixe o aplicativo g1 para assistir notícias em tempo real e gratuitas do RJ. Carioca de coração Manuel Carlos nasceu em 1933 em São Paulo. Mesmo assim, sempre se considerou um carioca de coração. Filho de comerciante e professor, Maneco iniciou sua carreira profissional como auxiliar de escritório aos 14 anos, mas já estava envolvido com as artes, reunindo-se diariamente com um grupo de jovens na Biblioteca Municipal de São Paulo para ler e discutir literatura e teatro. Fernando Montenegro, Fernando Torres, Fabio Sabag, Flavio Rangel e Antunes Filho fizeram parte desta equipe, chamada de Adoradores de Minerva. Manuel é pai da atriz Julia Almeida e da novelista Maria Carolina, que colaborou com ele em diversos projetos. O autor teve outros três filhos, que faleceram: o dramaturgo e ator Ricardo de Almeida (falecido em 1988), o diretor Manuel Carlos Jr. (2012) e o estudante de teatro Pedro Almeida (falecido em 2014, aos 22 anos). Manuel Carlos Estevam Avelar/Globo estreia sua carreira artística durante entrevista em outubro de 2016 no Rio de Janeiro Apesar de todo o sucesso como escritor, Maneco iniciou sua carreira artística como ator. Aos 17 anos, estrelou o “Grande Teatro Tupi”, programa de teleteatro da TV Tupi. No ano seguinte, ganhou o prêmio de Melhor Novo Ator e estreou como produtor e diretor. Em 1952, começou a escrever programas de TV e passou por diversas emissoras, incluindo a TV Record de Belo Horizonte e o episódio inaugural da TV Itacolomi, além de uma passagem pelo Journal do Comercio de Recife. Na TV Chapéu, no Rio de Janeiro, adaptou mais de 100 teleteatros. Na década de 1960, Manuel Carlos participou nas últimas produções da TV Excelsior. E na TV Rio, entre outros projetos, dividiu a redação do programa “Chico Anicio Show” com Giraldo e Mario Tupinamba e dirigiu “O Homme e o Riso” com Chico. Na TV Records, fez parte da equipe que escreveu e produziu programas como “Hebe Camargo”, “O Fino da Bossa”, “Bosaudade”, “Esta noet se improvisa”, “Aliancas para o sucesso”, “Para ver a banda pasar” e “Familia trapo”. A TV Maneco estreou na TV Globo em 1972 como Diretor Geral do “Fantástico”, permanecendo no programa por três anos. Em 1978, criou sua primeira novela para a emissora, “Maria, Maria”, adaptação do romance “Maria Dusa” de Lindolfo Rocha. No mesmo ano, adaptou o romance “A Sucessora”, de Carolina Nabucco. A novela estrelou nomes como Susana Vieira, Rubens de Falco e Arlette Sales. O autor se inspirou no sucesso das radionovelas para integrar seu estilo de escrita ao drama. Em 1980, além de escrever alguns episódios da série “Malu Mulher” – estrelada por Regina Duarte – foi convidado por Gilberto Braga para dividir a autoria de “Água Viva”. A novela foi estrelada por Reginaldo Faria, Raul Cortez, Betty Faria, Tonya Carreiro, Glória Pires, entre outros. Além de novelas históricas, Manuel Carlos também escreveu minisséries como “Presenca de Anita” (2001) e “Maysa – Quando Fala o Coração” (2009). Autor Manoel Carlos Cedoc/TV Globo Helenas, Rio de Janeiro e brigas de família Em 1981, escreveu “Baila Comigo”, novela que foi ao ar pela primeira vez em Helena. A personagem é interpretada pela atriz Lillian Lemertz. “Helenas” foi uma parte significativa do trabalho de Maneko. As heroínas da trama, as personagens eram mães cujo amor pelos filhos era capaz de superar qualquer desafio. Na Memória Globo, Maneko explicou que a origem do nome veio de sua paixão pela mitologia grega: Helena simboliza uma mulher forte, guerreira, capaz de fazer qualquer coisa em nome do amor. “São aquelas mães altruístas e ao mesmo tempo não esquecem de si mesmas. São vaidosas, erram da maneira certa e certa, né? São mentirosas, escondem a verdade para o benefício de uma criança, por exemplo. Protegem uma criança no nível da injustiça. É muito difícil alguém escapar, uma mulher disse para sua própria mãe que fugir”. Em 2014. Autor Manuel Carlos Sedoc/TV Globo Outras marcas do autor são seus romances imersos no Rio de Janeiro e nos conflitos familiares. “Dizem que faço drama realista, naturalista, mas não penso assim. Só procuro fazer algo verossímil. O amor é igual em todas as línguas, em todos os países. Ódio, violência, ciúme. E eu só retrato essas coisas, sabe? E tudo isso existe numa família. Ouço muitas conversas em cafés, em botecos e em entrevistas, ele explica o mesmo”. 2016. Além disso, inspirou atividades socioeducativas que abordam temas como doação de medula óssea, antialcoolismo, violência contra a mulher, preconceito e inclusão social. “Passo minha novela no Rio de Janeiro. Faço coisas muito poderosas, sob um céu muito azul. Tragédias e dramas acontecem, mas o dia está lindo. A praia e o espírito carioca dão um tom rosado ao fundo cinza. E o público absorve as tramas de forma leve”, disse o escritor em entrevista ao Memorável Zee. Em 1991, Maneko levou para a TV a novela “Felicidad”, que havia começado a redigir 12 anos antes. A trama foi inspirada em vários contos de Anibal Machado e contou com uma segunda Helena de Maneco interpretada por Maite Proenza. Em 1995, outra Helena apareceu nas telas em “História de Amor”. A personagem de Regina Duarte fazia parte de um triângulo amoroso e se apaixonou por Carlos Alberto (José Meyer), médico casado com sua rival, Paola (Carolina Ferraz). O autor já disse que escreveu o romance para essas duas atrizes. Três anos depois, contava a história de uma mãe que troca o filho por outra menina, na novela “Por Amer”. Regina Duarte voltou a fazer o papel de Helena. Outra história de abandono materno que marcou a carreira de Maneco é “Lacos de Família” (2000). Na trama, Vera Fisher fez o papel de Helena, uma mãe que descobre que a filha tem leucemia e a única forma de salvá-la é ter um filho com o mesmo pai da menina. No entanto, ela não ama mais o homem. Telenovela Uma das cenas mais interessantes da novela de Maneco: o momento em que a intérprete de Camilla, Carolina Dieckmann, raspa os cabelos. O escritor conta que escreveu o personagem especialmente para a atriz. Através da novela, Maneko conquistou diversos prêmios como Troféu Imprensa, Troféu Internet e Prêmio Xtra Televisão. Em ‘Mulheres Apixonadas’ (2003), Maneko exalta o poder feminino e escolhe Christian Torloni como sua Helena. “Acho que as mulheres mandam no mundo, não só porque são produtoras de pessoas, mas porque acho que as mulheres são mais poderosas, mais sofredoras e tratadas injustamente. Elas têm mais problemas na vida e no trabalho e fazem disso uma força”, explicou a escritora ao falar sobre a novela. Em 2006, trouxe Regina Duarte para sua terceira Helena. Desta vez, um médico em “Páginas da Vida”. Três anos depois, estreou “Viver a Vida”, estrelado por Tais Araujo como a primeira Helena negra de Maneco. A atriz interpretou uma top model internacional que, no auge da carreira, desiste da carreira para se casar com Marcos (José Mayer), que tem uma filha lutando para se recuperar de um acidente que a deixou paraplégica. A última Helena de Maneko foi herdeira de sua primeira musa: o autor convidou Julia Lemertz, filha de Lilian Lemertz, para estrelar “M Familia” (2014).

















