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‘Maria Papuda’: Conheça a lenda de BH sobre uma mulher que arrecada suas terras, um funcionário público afastado de um palácio reservado às classes altas e um homem “meio homem, meio demônio”. O que essas lendas têm em comum é a construção do contexto histórico, político e até de entretenimento de Belo Harijanta, que completa 128 anos nesta sexta-feira (12). A data marcou a transferência da antiga capital mineira para a então nova cidade de Oro Preto. A construção de BH exorcizou “Maria Papuda”, cuja maldição assombra o Palácio da Liberde, representando o sofrimento dos moradores originais deslocados. Por outro lado, o “fantasma da Rua do Ouro” é o funcionário público deprimido que é obrigado a se mudar de Ouro Preto e que aparece nas noites de junho. Simboliza a monotonia burocrática e a resistência à inovação. Por fim, a cultura mineira ganha um toque de humor e medo com o “Capeta do Villarinho”, uma dançarina alegre com chapéu que revela pernas e chifres de cabra, fugindo em meio ao cheiro de enxofre. Um mito que se tornou uma lenda e uma brilhante jogada de marketing. ✅ CLIQUE AQUI PARA ACOMPANHAR O CANAL g1 MG NO WHATSAPP Em comemoração ao aniversário de Belo Horizonte, o g1 criou uma série especial de textos e vídeos sobre imagens icônicas do imaginário belo-horizontino. Nesta sexta-feira, mostramos a lenda de “Maria Papuda”, “Funcionária Pública da Rua do Ouro” e “Capeta da Villarinho”. Embora os personagens sejam velhos conhecidos de quem mora na região, e muitas pessoas até afirmem tê-los visto, a existência desses fantasmas nunca foi comprovada, como acontece com todas as lendas urbanas. A capital mineira e principalmente no Palácio da Liberdade (veja vídeo acima). “Maria Papuda” era ex-moradora de Arael do Corral del Rey, comunidade que deu origem a Belo Horizonte antes de a cidade ser planejada e construída no final do século XIX. Ele foi um dos líderes comunitários mais importantes da época. Reza a história que a casa de María Papuda ficava na Praça da Liberdade — hoje uma das áreas mais nobres de Belo Horizonte — onde hoje fica o Palácio da Liberdade, palácio que seria sede do governo de Minas e residência oficial dos governadores. Foi despejado e a sua casa demolida para dar lugar a novos projectos de capital, obrigando-o a abandonar as suas terras. Descontente com a destruição da sua casa e a expulsão dos habitantes originais, amaldiçoou os futuros “donos”. Após sua morte, ele retorna ao local como um fantasma que percorre os corredores do palácio, aterrorizando quem ali dormia. A lenda ganhou mais força depois que quatro governadores morreram no palácio ou no mandato, fortalecendo a crença na maldição: Silviano Brandão, falecido em 1902, antes mesmo de completar o mandato; João Pinheiro, falecido no cargo em 1908; Raul Soares, morto dentro do palácio em 1924; Olegário Maciel, em 1933, foi morto repentinamente, de manhã cedo, enquanto tomava banho, no Palácio da Liberdade. ‘Funcionário Público da Rua do Oro’ – ‘Fantasma da Serra’ ‘Funcionário Público da Rua do Oro’: Conheça a Lenda de BH Outra lenda que surgiu durante a construção da capital mineira é a do “Funcionário Público da Rua do Oro” ou “Funcionário Público da Rua do Oro”. O senhor, que apareceu no silêncio da noite de terno preto, chapéu-coco e guarda-chuva, não interagiu nem falou com quem o viu. Simplesmente ficou imóvel, observando alguém passar pela Rua do Oro. Durante a construção, Aarão Reis, urbanista que projetou BH, teve a ideia de limitar o número de pessoas na Avenida do Contorno. O restante terá que encontrar moradia nos subúrbios. A história contada por moradores diz que o homem era um dos funcionários públicos de Ouro Preto, antiga capital de Minas Gerais, que foi obrigado a trabalhar no projeto da nova cidade. E ele não foi acomodado nos alojamentos dos funcionários como outros funcionários do governo. Após sua morte, ele apareceu como um fantasma em uma rua que dá acesso à Avenida do Contorno, para lembrar as pessoas e trabalhadores que deram à rua o nome de engenheiros, arquitetos e parlamentares abastados. Rafael Sette Camara, autor e cofundador do movimento BH a Pé, disse que a data 12 de dezembro é importante para a memória de Belo Horizonte e para o povo mineiro, mas houve muitos outros que construíram suas famílias antes mesmo de a capital se tornar o que é hoje. E essas pessoas merecem ser lembradas. “É importante lembrar que o dia que celebramos é o da transferência da capital. Antes foram quatro anos de destruição e quase 200 anos de ocupação da cidade. São mais de 300 anos da cidade. Esses fantasmas lembram dessa história que existia algo antes, e eles eram donos disso, mas optaram por contar a história apenas da criação de BH”, explicou. Capeta da Vilarinho ‘Capeta da Vilarinho’: Conheça a lenda de BH A lenda “Capeta da Vilarinho” foge um pouco do contexto real da construção de Belo Horizonte e traz um pouco mais de folclore sobre um ser que inclusive contribuiu para a comercialização da Vilarinho. Criada em meados da década de 1980, a lenda conta que durante um baile nas Quadras, noite animada e quente da famosa festa de Venda Nova, apareceu um homem alto, misterioso, bem vestido, de chapéu e uma dançarina primorosa. Após longas horas de dança, o homem mostra talento e vence um concurso de dança, no qual concorre com uma linda mulher. Mas o homem está prestes a receber o prêmio da noite quando o caldeirão começa a derramar e ele comete o erro de deixar cair o chapéu. Nesse pequeno erro, ele solta um par de chifres assustadores, que deixa todos em pânico. Enquanto tenta evitar olhares medrosos, a figura deixa à mostra as patas de cabra no lugar dos pés. Ele foge para o banheiro do tribunal e desaparece deixando um cheiro de enxofre. A história, claro, chamou a atenção da imprensa local e dos já presentes no baile, deixando os curiosos curiosos e com aquela clássica pergunta: “Só acredito quando vejo”. Os boatos cresceram tanto que há relatos de que o ex-proprietário das Quadras da Villarinho usou o marketing a seu favor, fortalecendo a lenda e atraindo mais gente para o “Inferninho”, que durante anos levou alegria aos mais importantes bailes noturnos que resistiram bravamente à modernização das festas fechadas para moradores periféricos. “‘Capeta da Villarinho’ é uma lenda que aparece longe da Avenida do Contorno. Mostra que a cidade se desenvolveu e também tem lendas. Os fantasmas estão vivos, podem aparecer a qualquer momento, inclusive agora”, afirma Rafael Sette Camara. Maria Papuda, Fantasma da Sera e Capeta da Villarinho Foto Inteligência Artificial Vídeos mais vistos no g1 Minas:


















