
Torcedores durante desfile do Bloco do Pacotão em Brasília em 2016. Lucas Nanini/G1 O tradicional bloco brasiliense Pacotão prepara mais uma edição marcada por críticas políticas, irreverência e estridentes marchas carnavalescas. Segundo o presidente do grupo, Charles Prato, manter a essência que estabeleceu o bloco na década de 1970: uma combinação de humor e política sem permissão. ✅ Clique aqui para acompanhar o canal g1 DF no WhatsApp. “O público pode esperar ‘desordem organizada’, risos destrutivos e críticas líquidas. Isto é um carnaval, não uma conferência de imprensa”, disse ele. Sobre se o desfile será mais político ou mais humorístico, Charles diz que a questão não faz sentido em Pacotao. “Aqui o humor é político e a política vira piada. Quem tenta separar os dois geralmente está tentando esconder alguma coisa”, disse. Em 2026, o bloco desfilará na terça-feira (17), a partir das 12h, com centro na 302/303 Norte. Preparativos e Desafios Os principais desafios para organizar um desfile incluem requisitos burocráticos, licenças e organizações necessárias para tornar o desfile seguro e divertido. Quanto ao tema que inspira o bloco, Charles disse que o cenário político nacional continua sendo uma fonte constante. “O Brasil não para de criar conteúdo. Só organizamos em forma de marcha”, destaca. O grupo carnavalesco Pacotao, de Brasília, desfila pela W3 na década de 1980 Elza Fuja/Arquivo Privado O desfile tradicionalmente ocupa o centro de Brasília. Para o grupo, a escolha é simbólica porque “o centro é onde o poder é sério”. “Pacot também vai lá para lembrar que a cidade não é só de escritórios. A rua também fala, decide e, no nosso caso, zomba. Pacotão Grupo de Carnaval de Rua do Pacotão, em Brasília, década de 1980 Elza Fuja/Arquivo particular Criado por um grupo de jornalistas em 1978 e durante a ditadura militar, o Pacotão nasceu com a proposta de criticar o poder por meio da sátira. A origem do nome “Pacotão” refere-se ao conjunto de medidas adotadas por Ernesto Giselle em 1977, conhecido como “Pacote de Abril”. Em 13 de abril daquele ano, os militares aprovaram leis que, entre outras coisas, criaram “senadores biônicos” (nomeados pelo presidente), organizaram eleições indiretas, fecharam temporariamente o Congresso Nacional e ampliaram o mandato do presidente em 6 anos. Esse pacote não foi adiante e, entre os jornalistas de Brasília, virou motivo de chacota. O jogo gerou a ideia de criar um grupo carnavalesco para satirizar o regime. Para o presidente, o que mantém vivo o bloco depois de quase cinco décadas é uma combinação de persistência e renovação. “Se um dia ele parar de criticar, vai parar os tambores e virar condomínio. Enquanto as autoridades acharem que isso não pode ser fantasia, Pacota vai continuar a desviar”, disse. Quem é Carlos Preto? O personagem fictício criado para representar o Pacotão refere-se ao então Diretor de Turismo (Detur) Carlos Black. Na primeira edição do bloco, em 1978, Carlos Black teria dito aos organizadores que não deixaria o Pacotão passar pela W3 Sul – o que os torcedores fizeram à revelia e até contra o trânsito. Charles Preto foi considerado o “Presidente Vitalício e Ditador Perpétuo” do Pacotão e representou a autonomia do bloco, que nunca recebeu patrocínio oficial ou mesmo condecorações. Apesar de ter sido “entrevistado”, ele não existe. Leia mais: Veja o que abre e fecha em Brasília Fica Comigo, MC Livinho, Kevin & Chris, Vaskar e Monobloco Rock Carnival no DF Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.


















