Cerca de 30% dos cursos de medicina serão penalizados após uma má avaliação no Enamed, na discussão sobre a qualidade dos cursos de medicina, os projetos tramitados no Congresso Nacional criam uma espécie de ‘OAB de Medicina’ para exercer a profissão após a formatura. As propostas buscam estabelecer o Exame Nacional de Proficiência Médica (PROFID) como requisito obrigatório para que novos médicos obtenham registro profissional nos conselhos médicos regionais. Na segunda-feira (19), o Ministério da Educação divulgou o resultado do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (ENAMD), prova anual para medir o desempenho e a qualidade do ensino dos alunos. Cerca de 30% dos cursos de medicina do país são mal avaliados e recebem notas 1 e 2, consideradas insatisfatórias pelo INEP, e serão punidos com restrições ao Fies e suspensão de abertura de novas vagas. Atualmente, dois projetos sobre esse tema tramitam no Congresso, um na Câmara dos Deputados e outro no Senado Federal (veja mais sobre os projetos abaixo). O conceito segue o modelo de exame da Ordem já implementado em outras áreas, como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), obrigatório para bacharéis em Direito. Em nota, o Conselho Federal de Medicina (CFM) defendeu a proposta atualmente em tramitação no Senado Federal, que torna obrigatório o teste de competência para o cadastramento de novos médicos, afirmando que o projeto é “um caminho necessário para garantir maior segurança à população brasileira e aos serviços de saúde”. “Garantir que apenas profissionais qualificados ingressem na prática médica é uma responsabilidade institucional e social que não pode ser assegurada neste momento”, diz a nota. “O Conselho Federal de Medicina reafirma sua posição em defesa da proteção da população brasileira e sustenta que o exame nacional de perícia médica é absolutamente necessário para proteger a saúde da sociedade brasileira e o bom exercício da prática médica”. Outro caso que chamou a atenção do Arquivo da UTI Unilio foi o de uma mulher na Rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-294), em Bauru (SP), que foi declarada morta por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e deixada na estrada, mas foi reanimada poucos minutos depois pelo médico da administração rodoviária das concessões. O incidente aconteceu na tarde deste domingo (18). O Samu afastou o médico que atendeu a ocorrência na segunda-feira (19). Em entrevista à TV TEM, o gerente do Samu Regional de Bauru confirmou a instauração de uma investigação interna para apurar a falha no serviço. Processado no Senado Processado no Senado Federal O projeto prevê testes de competência para todos os egressos dos cursos de medicina como pré-requisito para o exercício da profissão no país. O texto também cria instrumentos de acompanhamento da formação médica: os alunos do 4º ano do curso deverão fazer o Enamed para medir a qualidade do curso; Planos de expansão da residência, com meta de atingir pelo menos 0,75 vagas de residência por médico formado até 2035; Competência exclusiva da União para aprovação e supervisão de cursos de medicina. De autoria do senador Marcos Pontes (PL-SP), a proposta foi aprovada na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) em dezembro do ano passado, mas ainda precisa passar por mais um turno de votação no colegiado para aprovação definitiva. Se aprovado, o projeto seguirá para análise dos deputados. Para iniciar a implementação, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ainda precisará aprovar a proposta. Defendendo a proposta, o relator, senador Dr. Heron (PP-RR), disse que o projeto busca garantir um padrão mínimo de conhecimento para o exercício da profissão. “Consideramos, no movimento médico do país, este o projeto de lei mais importante deste século, principalmente para proteger o povo do Brasil, porque enfrentamos uma crise muito perigosa de fragilidade na formação dos médicos brasileiros, fruto de uma expansão desenfreada, irresponsável, comercialista”, disse o senador. A ProfiMed deve avaliar a competência profissional e ética, os conhecimentos teóricos e as competências clínicas, com base nos padrões mínimos exigidos para o exercício da profissão. Atualmente, um médico recém-formado pode solicitar o CRM após a formatura e atuar profissionalmente após a emissão do documento. Se aprovado, o exame acrescentará uma etapa que antecede a emissão dos documentos, pois o profissional só terá direito ao registro profissional após ser aprovado no exame. Profissionais que se formaram em instituições internacionais e precisam revalidar o diploma para trabalhar no Brasil, também poderão revalidar o documento através do ProfiMed. O projeto na Câmara dos Deputados O projeto em tramitação na Câmara dos Deputados estabelece o exame como requisito para registro de médicos e exercício da profissão médica no Conselho Regional de Medicina. De autoria do deputado Duter Luizinho (PP-RJ), a proposta foi aprovada com urgência em julho de 2025 e, portanto, será analisada diretamente pelo plenário da Câmara dos Deputados e não passará por comissões temáticas. Para entrar em vigor, o projeto ainda precisa ser aprovado pelo plenário, depois passar pelo Senado e ser aprovado pelo presidente Lula. A proposta prevê a realização do exame de forma consistente para estudantes de medicina. Os alunos dos 3º, 4º, 5º e 6º anos dos cursos de graduação deverão obter nota mínima de 60% da nota possível em cada exame para serem aprovados. O esquema prevê exames de repescagem para quem não atingir a pontuação mínima.

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