
A 30ª Conferência do Clima representa uma resposta do mundo que valoriza a ciência A 30ª Conferência do Clima representa uma resposta do mundo que valoriza a ciência, que defende a cooperação entre as nações e propõe diálogo e consenso para superar os desafios climáticos. O relatório de Sonia Bridi mostra isso. Queima de petróleo, gás e carvão – combustíveis fósseis – vista pelo satélite Observatório de CO₂ da NASA. Não é por acaso que a mancha parece ser mais forte nos Estados Unidos e na China, que juntos emitem 40% dos gases que aquecem o planeta. Mas como era a atmosfera do planeta antes? Os cientistas encontraram evidências no gelo da Groenlândia e da Antártica. Eles perfuram o gelo e coletam amostras – quanto mais fundo eles vão, mais recuam no tempo. As bolhas de ar revelam quanto dióxido de carbono havia na atmosfera no momento da queda de neve. Ao longo de 800.000 anos, as concentrações de carbono oscilaram entre as eras glaciais e os períodos quentes. Mas o máximo foi de 280 partes por milhão. Os combustíveis fósseis assumem o controle e, em menos de um século, já estamos perto de 430. A ligação entre a atividade humana e o aquecimento não é o resultado de um estudo, mas o resultado de centenas de milhares de estudos como este que você viu, que criam montanhas de evidências de que este aquecimento está a afetar as florestas, os oceanos e o clima de todo o planeta. A investigadora Patrícia Pinho integra o painel de cientistas da ONU. Sonia Bridi, repórter: Há alguma dúvida de que a causa é causada pelo homem e pela queima de combustíveis fósseis? Patrícia Pinho, cientista do IPCC: Sem dúvida. Esta é a verdade irrefutável. Repórter: Mas então, de onde vem tanta negação climática? Patrícia Pinho: São setores que estão muito ligados a não mudar. Esquecemos que há alguém que beneficia da crise climática. É como o desmatamento: alguém se beneficia com isso. O desmatamento é duplamente prejudicial ao clima. Cada vez que uma semente encontra um bom local, uma indústria química de purificação do ar brota do solo. Tocado pela energia solar, absorve CO₂ do ar, devolve oxigênio e armazena carbono na forma de tronco, galhos, folhas e raízes. Metade do carbono de uma árvore. Todos os anos, as florestas absorvem cerca de um terço dos gases emitidos pelo ar e armazenam-nos nos seus corpos. Mas eles também sofrem com o calor. A Amazônia está 1,5ºC mais quente. Em 2024, ocorreu a seca recorde. A COP30 representa uma resposta do mundo que valoriza a ciência Revista Nacional/Reprodução A Amazônia oriental já perdeu 40% de sua floresta e tem menos chuva sem árvores. “Então, tinha um cenário de temperaturas altas, muito seca, a floresta ficou mais inflamável porque estava seca. Tínhamos esse clima extremo para quem queria destruir a floresta”, diz Luciana Gatti, pesquisadora do INPE. Em 2024, os incêndios criminosos atingiram uma área 23 vezes maior que o desmatamento. Após o incêndio, uma aeronave equipada com instrumentos sobrevoou vários pontos da floresta em diferentes altitudes. Conclusão: “Causou tanta pressão que as florestas retiraram menos carbono da atmosfera. Quase não vimos remoção de carbono e tivemos emissões recordes”, diz Luciana Gatti. Naquela época, morriam mais plantas do que cresciam. “Quando a matéria orgânica – árvores, folhas, galhos – morre, ela se decompõe e é fonte de CO₂ para a atmosfera”, explica Luciana Gatti. Então a ciência diz que é conservação e restauração florestal. Sem árvores, todos os outros esforços para conter o calor podem ser inúteis. Outros 160 estão confirmados


















