
Zeladora gasta R$ 3 mil para cremar cachorro e agora carrega suas cinzas em amuleto A cuidadora de animais Helena Marsal de Oliveira não hesitou em gastar mais de R$ 3 mil para garantir a Mott Princess uma despedida honrosa. A cerimônia em um crematório particular de São Paulo (SP) incluiu velório e terminou com as cinzas colocadas em uma urna com pegadas de animais. Helena achou alto o custo do procedimento, mas acreditava que não era nada comparado ao valor emocional do momento. “Escolhi uma instituição particular (instituição de caridade) para recolher as cinzas dele. Lá, naquele momento, só pude sentir gratidão”, disse Helena. “A princesa era uma cadela adotada, que saiu das ruas. Só posso agradecer a oportunidade de mandá-la embora com esse tipo de tratamento.” A história da princesa já foi contada no ano passado numa reportagem do Fantástico sobre longevidade animal. Dois meses após a exposição, ele morreu. A experiência do luto e da despedida foi transformadora para Helena. Além da urna com cinzas e pegadas, ele tinha um amuleto que carregava consigo, contendo uma porção das cinzas da princesa. “Eu não tinha ideia de que isso significaria tanto para mim”, ele reflete. A lei reconhece os animais de estimação como membros da família. A atitude de Helena reflecte a mudança de atitude da sociedade em relação aos animais de estimação, que são cada vez mais considerados membros da família. Esse novo status impulsiona uma conquista legal recente no estado de São Paulo: uma lei aprovada este mês permite que cães e gatos sejam enterrados no mesmo terreno que seus donos em cemitérios públicos e privados. Grande São Paulo: Esta medida foi inspirada em uma história especial de cachorro de Tabo da Serra em Bob Coveiro. Helena Marsal guarda com carinho a memória de sua Princesa Reprodução/Fantástico Bob, o cachorro que se tornou Law Bob e era conhecido por sua lealdade. Após o sepultamento de seu primeiro tutor, permaneceu no Cemitério da Saudade, em Tabo da Serra. A família até tentou levá-lo de volta para casa, mas ele voltou ao local e nunca mais saiu. A diretora do cemitério, Ana Rita Rodrigo de Santos, relatou que “o enterro acabou, todo mundo foi embora e Bob ficou”. “Mais tarde, ele se acostumou com o cajado.” Ailton Francisco dos Santos, coveiro do cemitério, tornou-se um de seus melhores amigos. “Ele adorava estar aqui. Chovesse ou fizesse sol, ele ia. Comparecia a todos os funerais”, lembra ela. Bob morou lá por mais de dez anos, onde jogou com bolas, muitas delas doadas por visitantes após uma campanha criada pela goleira Valéria Ribeiro. Bob viralizou após criar uma página nas redes sociais para doar brinquedos, já que o cachorro tinha o hábito de recolher coisas deixadas nos túmulos das crianças. O cachorro passou mais de 10 anos perseguindo bolinhas de gude no cemitério. Mas em 2021, Bob morre após ser atropelado por uma motocicleta. Com aprovação especial da Prefeitura, foi sepultado no mesmo cemitério onde morava, tornando-se o único animal ali enterrado. Sua história de amor e lealdade inspirou a criação da “Lei Bob Digger”, que agora abrange todo o estado. Em sua homenagem, foi erguida uma estátua na entrada do cemitério. A história de Bob, o cachorro que inspirou a lei de São Paulo sobre enterrar animais de estimação em sepulturas familiares. O que diz a nova lei? Com a entrada em vigor da nova lei, os municípios paulistas deverão agora regulamentar os procedimentos. Segundo João Manuel da Costa Neto, presidente da SP Regular, órgão que fiscaliza os cemitérios da capital, os detalhes técnicos e sanitários ainda não foram definidos. “Com o monitoramento entenderemos a decomposição da carcaça do animal, que tipo de recipiente ou caixão deve ser utilizado e se é necessário algum lacre para evitar contaminação”, explica. As regras para velórios e sepultamentos também serão discutidas. A lei já define que todas as despesas serão de responsabilidade da família. Cidades como Matão e Campinas já possuíam leis municipais semelhantes. Os animais começaram a compartilhar lápides com os humanos. Florianópolis (SC), essa prática é permitida desde 2017. Para especialistas na importância das cerimônias de despedida, novas leis e pesquisas sobre cerimônias semelhantes à cremação são importantes para a saúde pública e para o processo de luto dos pais. “É atrás da casa, terreno baldio, o que reduz muito a prática errada de nos enterrarmos num local muito vulnerável à poluição do solo”, nota João Manuel. A veterinária Rita Erickson destaca o lado emocional. “Descobrir a possibilidade de o animal ir ao túmulo da família, de uma vez por todas, assume o seu papel de membro da família”, afirmou. Ele também observou que ter um local designado para o luto, como um cemitério, é mais saudável do que enterrar o animal em casa. “Quando enterramos um animal que tanto amamos no caminho, isso pode ter uma consequência emocional complexa, porque não passamos todos os dias pelo túmulo de quem amamos no caminho para o trabalho.” No final, o importante é validar o sentimento. “Não existe certo, não existe errado. Cada família tem suas crenças e quer respeitá-las. Falar sobre isso, olhar fotos, contar histórias. Essas são as formas de lidar melhor com o luto”, finalizou a veterinária. Ouça Fantástico Podcasts Isso É Fantástico Podcast está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcast, trazendo ótimas reportagens, investigações e histórias interessantes para podcasts com a chancela jornalística do Fantástico: profundidade, contexto e fatos. Acompanhe, curta ou assine o Isso É Fantástico no seu reprodutor de podcast favorito. 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