LISBOA – Dezenas de milhares de pessoas protestaram em Lisboa, no sábado, contra o plano do governo de centro-direita de rever a legislação laboral e aumentar os salários, o que os sindicatos dizem que prejudicaria os direitos dos trabalhadores.

O maior sindicato de Portugal, a CGTP, que convocou os protestos, acusou o governo de favorecer as grandes empresas, enquanto os trabalhadores com baixos salários sofrem com o aumento do custo de vida.

Segundo os sindicatos, cerca de 100 mil manifestantes ocuparam as principais ruas da capital. Uma estimativa da polícia sobre o tamanho da multidão não estava disponível.

O governo do primeiro-ministro Luis Montenegro aprovou reformas na legislação laboral em Setembro, dizendo que visavam aumentar a competitividade.

Miriam Alves, 31 anos, que trabalha numa empresa de equipamentos médicos e participou no protesto de sábado, disse que as reformas laborais “são claramente um retrocesso nas condições de trabalho e podem levar à perda total da segurança no emprego”.

“Mesmo que não seja o meu caso, falo pelos muitos jovens com empregos precários, baixos salários, direitos diminuídos, exaustos e incertos sobre o seu futuro, que continuarão a ter menos direitos no futuro”, disse ela.

Madalena Pena, 34 anos, técnica de arquivo, disse que o governo estava a reverter os direitos dos trabalhadores de uma “forma injusta, subtil e insidiosa” sem dizer nada antes das eleições de Maio.

De acordo com as alterações planeadas, os empregadores deixariam de ter de fornecer provas ou ouvir testemunhas a pedido do trabalhador, tornando mais fácil despedir trabalhadores por justa causa.

As restrições à terceirização serão atenuadas e as empresas poderão criar “bancos de tempo pessoais” que permitem aos funcionários trabalhar até duas horas adicionais por dia, até 150 horas por ano.

O projeto de lei deverá ser aprovado no parlamento com o apoio do Chega, de extrema-direita.

Portugal é um dos países mais pobres da Europa Ocidental, com mais de 50% dos trabalhadores a ganhar menos de 1.000 euros (1.166 dólares) por mês no ano passado, mostram dados oficiais. O salário mínimo é de apenas 870 euros, um dos mais baixos da UE. Reuters

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