CIDADE DA GUATEMALA – Especialistas das Nações Unidas pediram em 16 de fevereiro uma investigação sobre a procuradora-geral da Guatemala, María Consuelo Porras, sobre seu possível envolvimento na adoção ilegal de crianças indígenas na década de 1980, durante a guerra civil da Guatemala.

As alegações foram tornadas públicas num comunicado em Genebra, no dia 16 de Fevereiro, mesmo dia em que Porras, cujo mandato como procurador-geral termina em Maio, não pôde concorrer às eleições para o Tribunal Constitucional da Guatemala.

Especialistas da ONU disseram ter recebido informações sobre “pelo menos 80 crianças indígenas que foram submetidas a adoções ilegais entre países” depois de terem sido “capturadas e desaparecidas à força entre 1968 e 1996”.

Em nota, o grupo informou que os menores foram colocados em um orfanato após serem levados para a Moradia Temporária Elisa Martinez, onde Porras foi diretor do estabelecimento e “responsável legal das crianças de 21 de janeiro de 1982 a 30 de agosto de 1982”.

A AFP entrou em contato com o Ministério Público da Guatemala para comentar as acusações contra Porras, mas não recebeu resposta imediata.

Especialistas pediram uma investigação independente sobre o suposto envolvimento de funcionários públicos, incluindo Porras, no processo de adoção.

Membros do grupo criticaram a candidatura de Porras ao mais alto tribunal da Guatemala, o Tribunal Constitucional, e instaram aqueles que selecionam juízes magistrados a agirem “com cautela à luz destas graves alegações”.

O procurador de 72 anos enfrenta sanções dos Estados Unidos e da União Europeia por acusações de corrupção.

Porras desafiou duas vezes o controlo do poder do Presidente Bernardo Arevalo e lançou uma investigação ao seu partido Semira antes de assumir o cargo em Janeiro de 2024.

A procuradora-geral também foi acusada pelo governo e por ONG de proteger criminosos, acusação que ela nega. AFP

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