Saint-Denis, França – Cerca de 600 especialistas reúnem-se nos arredores de Paris 1º de dezembro Os trabalhos sobre o próximo grande relatório climático das Nações Unidas começaram, enquanto o consenso internacional sobre o aquecimento global é desafiado pelo cético Presidente Donald Trump.
O último relatório do Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas (IPCC), divulgado em 2023, alertou que o mundo estava no caminho certo para ultrapassar o limiar de aquecimento de 1,5°C até 2030.
As Nações Unidas anunciaram agora que a Terra está a ultrapassar o limiar mais rapidamente do que se temia. Exceder esse limite pode causar tempestades, inundações e secas devastadoras.
Especialistas de mais de 100 países se reúnem durante cinco dias em um arranha-céu de Saint-Denis para iniciar um processo que culminará no IPCC SEavaliador de vendasort, com publicação prevista para 2028 ou 2029.
Pela primeira vez, os principais autores do relatório reunir-se-ão num único local para abordar questões climáticas interdisciplinares.
Os seus esforços podem enfrentar dificuldades face a uma administração dos EUA em que o presidente classificou as alterações climáticas como “a maior fraude da história” e uma “farsa” num discurso nas Nações Unidas em Setembro.
“Penso que ainda é muito surpreendente, por assim dizer, que o governo dos EUA diga, por exemplo, que as alterações climáticas são a causa ou que são uma farsa”, disse um funcionário do Ministério do Ambiente e da Transição de França, que pediu anonimato.
O IPCC funciona numa base de consenso.
“Se algum país se opuser ao documento, o relatório não será aprovado. Cada país tem uma espécie de veto”, disse o climatologista Robert Vautard em uma entrevista coletiva por vídeo na terça-feira. 28 de novembro.
Já parece haver desacordo sobre quando o próximo relatório deverá ser publicado.
A Coligação de Alta Ambição, que inclui países da União Europeia e países em desenvolvimento vulneráveis às alterações climáticas, espera publicar uma avaliação em 2028.
Coincidiria com o inventário global, uma análise dos progressos realizados pelos países na limitação das alterações climáticas e dos seus impactos, exigida pelo Acordo de Paris de 2015.
Mas um grupo de economias emergentes e grandes produtores de combustíveis fósseis afirma que é necessário mais tempo, pressionando até 2029.
As divergências reflectem as observadas na recente cimeira climática COP30 das Nações Unidas, na cidade brasileira de Belém, na Amazónia, que terminou com um acordo que omitiu um apelo claro à eliminação progressiva dos combustíveis fósseis.
Apesar das divergências sobre quando publicar o próximo relatório, o presidente do IPCC, Jim Skea, disse à AFP em março: “Não creio que o IPCC esteja em crise. Resolveremos esta questão dentro de um prazo”. AFP


















