
G1: MP exige indenização de R$ 1 milhão para famílias de vítimas de crimes com motosserra “Diz-se que o Acre ‘virou uma página’. Este é um trecho de uma carta aberta escrita por Emanuela Firmino, filha de Agilson Firmino dos Santos e irmã de Wilder Firmino dos Santos, publicada após pedido de indenização do Ministério Público do Acre (MP-AC) contra o governo do estado pelo ‘crime da motosserra’ cometido em 1996 em B, Rio. A organização pede milhões de dólares em indemnizações e pensões vitalícias para familiares, argumentando que o Estado foi negligente face às violações cometidas por agentes governamentais. A ação ainda será analisada pela Justiça. O governo do Acre ainda não se pronunciou oficialmente sobre o pedido. 📲 Entre no canal g1 AC no WhatsApp Parte da carta diz respeito à infância e juventude de Emanuela e do irmão sobrevivente, que, segundo ele, foi interrompida pela violência e pelo medo. “Eu e meu irmão tivemos a juventude brutalmente dilacerada. De um dia para o outro, perdemos tudo. Fomos obrigados a sair do Acre com a roupa do corpo, sem ter nem direito de se despedir. Não tiveram nem um enterro digno”, lembrou. Leia também: Aquartelamento, ácido e tortura: Viúva fala pela primeira vez Depois de 25 anos, tribunal de AC marca novo julgamento para ex-primeiro-ministro Primo do coronel Acusado de contratar ‘esquadrão da morte’ para matar funcionário de AC preso quase 30 anos após crime Vereadores eleitos considerados culpados em caso de surra no filho do coronel O ‘Deputado da Motosserra’ que ajudou a elaborar uma lei que poderia ler Blindagem com a PEC de Ivanilda Oliveira e Emanuela Firmino, relembra a emocionante impacto na família após o crime da motosserra em 1996. Vivenciado por familiares ao longo dos anos, incluindo a viúva Evanilda Lima de Oliveira, que enfrenta problemas de saúde e depende de cuidados constantes. “Minha mãe tinha que ser muito forte, e hoje, com um olhar triste e distante, ao receber essa notícia, sua única reação foi olhar para o céu e dizer: ‘Não é por falta de oração’”, destacou. Emanuela destacou que as reparações representam uma oportunidade para afirmar a dignidade das mães e reconhecer a responsabilidade do Estado. “Suas vidas nunca mais voltarão e toda a dor que passamos durante esses longos e dolorosos anos nunca será reparada. Mas minha mãe precisa envelhecer com dignidade, com o mínimo de cuidado”, destaca a carta. A carta aberta às autoridades do Acre enfatiza que a família Firmino dos Santos teve consequências irreparáveis devido ao crime em cadeia Arquivo pessoal Ação de indenização O Ministério Público ajuizou ação civil pública, solicitando tutela de urgência, para responsabilizar o governo do estado e indenizar a família Firmino dos Santos com R$ 1 milhão. Na ação, o MP sustentou que os crimes foram cometidos por um grupo de extermínio liderado pelo então deputado federal Hildebrando Pascoal Nogueira Neto, composto por policiais civis e militares no exercício de suas funções. Além da indenização à família, o órgão pede o pagamento de R$ 1 milhão por danos morais coletivos e pensão mensal vitalícia de um salário mínimo com efeito retroativo à data do crime. A ação foi ajuizada na Justiça da Fazenda Pública da capital e alega que o Estado permaneceu em silêncio diante de graves violações de direitos humanos cometidas por agentes públicos, integrantes de um grupo de extermínio liderado pelo ex-coronel da Polícia Militar (PM-AC) e pelo ex-deputado Hildebrando Pascoal Nogueira Neto. Segundo o MP, policiais civis e militares cometeram crimes no exercício de suas funções utilizando a estrutura estatal, que atribui ao Estado a responsabilidade de reparar os danos causados às famílias das vítimas. Na época do crime, Hildebrando Pascoal era deputado federal e seu primo, Aureliano Pascoal Duarte Pinheiro Neto, ocupava o cargo de Comandante Geral da Polícia Militar do Acre, destacando a utilização de estruturas estatais para a prática de crimes. Segundo o MP, a condenação criminal dos envolvidos não é suficiente para reparar os danos morais, emocionais e materiais, que até hoje trazem consequências emocionais. “As investigações confirmaram a participação de policiais acreanos nos assassinatos e atividades ilegais do grupo liderado por Hildebrando. Ele também estava ligado ao tráfico de drogas, crimes financeiros e corrupção eleitoral”, destacou Thales Thales Ferreira Costa, Procurador de Defesa dos Direitos Humanos e da Cidadania. Hildebrando Pascoal, condenado pelo ‘crime da motosserra’, um dos crimes mais brutais da história recente da Criação Acre/Rede Amazônica Acre, segundo a ação, o MP pede que a Justiça condene o Estado: R$ 1 milhão por danos morais familiares, em razão do sofrimento emocional e psíquico e emocional do pai e do filho; R$ 1 milhão para danos morais coletivos, segundo o MP, deverá ser destinado a projetos educacionais e de preservação da memória das violações de direitos humanos; Pensão mensal vitalícia equivalente a 1 salário mínimo, a ser paga aos familiares das vítimas, com pagamento após a data do homicídio (ou seja, 1996); Fazer um ato público oficial de desculpas para publicação nos canais oficiais do governo. O MP disse ainda que a indemnização deve ter em conta a gravidade do crime e a omissão prolongada do Estado em garantir qualquer forma de indemnização às famílias. “Houve, portanto, quebra de confiança, de boa-fé objectiva e de expectativas legítimas que os cidadãos depositam nos organismos públicos”, afirmou o procurador. Em 2015, o MP tentou indenizar a família por ação administrativa, dizem os documentos. Na época, foi enviado ao governo do estado um projeto de lei para conceder uma pensão especial à viúva Ivanilda Lima de Oliveira e aos filhos do casal. Contudo, a proposta não avançou nos legislativos executivo e estadual, levando à propositura de ações civis públicas. Contudo, para os ministérios públicos, os homicídios constituem graves violações dos direitos humanos cometidas por agentes estatais no desempenho das suas funções, o que responsabiliza o Estado pelos danos causados. A agência também observou que a medida é inexplicável, pois trata de graves violações de direitos humanos com base no entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) sobre tais crimes. “Tal instrumento reconhece o carácter inerente, universal, absoluto, inalienável e inalienável dos direitos humanos. O reconhecimento da dignidade humana é o fundamento da liberdade, da justiça e da paz, o que fortalece a exigibilidade a qualquer momento dos responsáveis pelas violações dos direitos humanos”, sublinhou. A família teve que fugir do Acre, apenas com a roupa do corpo, e por isso o arquivo pessoal de Bayano contém diversas fotos de execuções, torturas e atividades do ‘Esquadrão da Morte’. Na ação, o MP detalhou as atividades dos grupos de extermínio no Acre na década de 1990, destacando que essas organizações operavam em uma região participativa particularmente forte. Matar, torturar, sequestrar e fazer ameaças. Segundo documentos, o grupo liderado por Hildebrando Pascoal foi responsável por mais de 100 assassinatos, além de dezenas de desaparecimentos e crimes não solucionados. A investigação constatou que, à época, além de um ambiente de proteção institucional e de impunidade, existia um “poder paralelo” entre as polícias militares, com envolvimento direto das polícias civil e militar. O MP lembrou que a gravidade da situação motivou diligências da Polícia Federal, do Conselho de Proteção aos Direitos Humanos e do Congresso Nacional para a montagem de uma CPI, o que resultou na revogação do despacho de Hildebrando e na prisão de vários integrantes do grupo. Aquartelamento, ácido e tortura: a viúva falou pela primeira vez sobre o crime da motosserra no arquivo privado do G1 O caso que inspirou a ação civil pública envolveu o assassinato de Agilson Firmino dos Santos, conhecido como “Baiano”, e de seu filho Wilder, de apenas 13 anos. Os crimes aconteceram como vingança pela morte do irmão de Hildebrando, Itamar Pascoal, morto em confronto em um posto de gasolina. Segundo o MP, Agilson não teve participação no assassinato de Itamar Pascoal e foi morto por ser funcionário de José Hugo, que disparou o tiro que matou o policial. No entanto, foi detido ilegalmente por agentes da polícia, mantido em prisões privadas e sujeito a torturas extremas. A ação descreve como Agilson foi mutilado em vida, tendo braços, pernas e membros decepados com motosserra, além de sofrer facadas e tiros. Após a execução, o corpo foi deixado em público para intimidar e humilhar as autoridades. o julgamento do ex-deputado federal Hildebrando Pascoal, em 2009; Foi condenado a 18 anos de prisão por ter sido sequestrado pela Polícia Militar Ascom/TJ-AC Wilder, torturado para revelar a localização do pai e executado com dois tiros na cabeça. O corpo do adolescente estava abandonado na beira da rodovia. A ação também trouxe relatos sobre o impacto duradouro do crime na vida da família, incluindo depoimentos da filha de Agilson, Emanuela Firmino, que disse na época ao g1 que, quase duas décadas depois, os familiares não haviam se recuperado emocionalmente da perda. Segundo o MP, a indenização civil é uma forma de reconhecer a responsabilidade do Estado, de proteger a memória das vítimas e garantir um mínimo de justiça às famílias, diante do crime considerado o mais brutal da história recente do Acre. “Neste caso, o comportamento do Estado é tão prejudicial e a violação dos direitos fundamentais é tão grave que nos seus efeitos e a necessitar de rejeição e reparação integral, os atos do regime militar que já são reconhecidos como inexplicáveis”, enfatizou o procurador. Vídeo: g1


















