Hospital Nina Rodríguez Reprodutivo Maranhão/TV Mirante Referência ao atendimento psiquiátrico A Justiça do Maranhão determinou que o nome do Hospital Psiquiátrico Nina Rodríguez seja alterado para Hospital Juliano Moreira, em São Luis, no prazo de 180 dias. A decisão considerou que nomear uma unidade hospitalar que homenageie a médica maranhense Nina Rodriguez constitui racismo científico. 📲 Clique aqui e assine o canal g1 Maranhão no WhatsApp ➡️ A ação popular, que contou com o apoio da Defensoria Pública da União (DPU), alegou que o médico maranhense seria um defensor da teoria da eugenia e do racismo científico no Brasil. Em outras palavras, ele defendeu a existência de raças superiores e inferiores e a criação de códigos penais separados para brancos e negros. O assunto foi debatido em audiências públicas realizadas em 2024 e 2025 com a participação de especialistas, historiadores, juristas e da Secretaria de Estado, da Defensoria Pública da União, da Ordem dos Advogados do Brasil (MA), de movimentos sociais e de familiares de Nina Rodríguez. No processo, o estado do Maranhão alegou que a mudança do nome mais de 80 anos após a lei de nomenclatura da década de 1940 afetaria a identidade institucional, confusão entre a população, custos administrativos e operacionais para atualização de documentos, sinalização e sistemas, além de potencial resistência dos profissionais e da sociedade. Entenda a decisão A Justiça ordena a retirada de Nina Rodriguez de um hospital psiquiátrico em São Luís O juiz Douglas de Mello Martins, do Tribunal de Interesses Difusos e Coletivos de São Luís, tomou a decisão. Com isso, o estado do Maranhão deverá excluir o nome do hospital, placas atualizadas, documentos oficiais, registros administrativos e sistemas de informação. O juiz recomendou que o hospital passasse a se chamar “Hospital Juliano Moreira”, uma homenagem ao médico baiano considerado “o pai da psiquiatria brasileira”. Porém, a seleção dependerá do governo do estado. Na decisão, o juiz sustentou que o Supremo Tribunal Federal reconheceu a necessidade de políticas que promovam a igualdade como racismo estrutural e reconhecimento. Portanto, a remoção de símbolos que celebram a opressão racial é parte integrante deste processo de remediação histórica. “Neste contexto, é necessário reconhecer a validade, relevância, adequação e razoabilidade de apagar nomes de locais públicos que indiquem pessoas associadas à escravidão, a doutrinas e discursos racistas ou eugênicos”, disse o juiz na decisão. No documento, o juiz Douglas Martins apoiou a decisão em acordos internacionais como a Convenção Interamericana contra o Racismo, Formas Conexas de Discriminação Racial e Intolerância (Decreto nº 10.932/2022), e a Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial (Decreto 91/965). Essas convenções internacionais adotadas pelo Brasil têm o peso das normas constitucionais e constituem o arcabouço jurídico básico para o reconhecimento global da urgência do combate ao racismo e da promoção da igualdade. Quem foi Nina Rodríguez? Nina Rodríguez (de jaleco branco) em laboratório da Faculdade de Medicina do Arquivo Nacional da Bahia Maranhão O médico Raimundo Nina Rodríguez, incluído no processo do caso, é considerado pelos estudiosos um dos pioneiros da medicina brasileira e o fundador da antropologia criminal brasileira, reconhecendo hoje sua produção intelectual como esse racialismo. Com base na pesquisa do psiquiatra brasileiro Cesare Lombroso, Nina Rodríguez desenvolveu teses que indicavam que “raças inferiores”, como negros e indígenas, possuíam emoções primitivas, o que explicaria a suposta maior incidência de atos violentos e antissociais nesses grupos e envolviam maus-tratos. O discurso serviu de base para a teoria da rotulagem, onde o crime é excluído da qualidade de um ato e passa a ser um rótulo, uma condição atribuída a determinadas pessoas através de um processo de definição e seleção. Quem foi Juliano Morera? Juliano Moreira foi um psiquiatra baiano, considerado o pai da psiquiatria brasileira e pioneiro na luta contra o racismo científico e na humanização do tratamento psiquiátrico. Foi aluno e posteriormente colega docente do médico maranhense Raimundo Nina Rodríguez. Juliano foi o responsável por transformar o modelo de atenção psiquiátrica com um enfoque mais humanístico. Entre 1895 e 1902, realizou cursos e estágios sobre doenças mentais em asilos da Alemanha, França, Inglaterra, Escócia, Bélgica, Holanda, Itália e Suíça, onde teve contato com os principais profissionais e teorias da época. Com base na experiência e na investigação nesta área, o alcoolismo, a sífilis, os vermes e as condições adversas de saúde e de educação podem causar degeneração neurológica e mental. Sua tese de pós-graduação propôs novos métodos para a sífilis e atraiu atenção internacional. Juliano Moreira criticou a tese de sua ex-professora, Nina Rodríguez, segundo a qual os delírios eram a causa das doenças mentais, teoria que começou a ser questionada na década de 1950, dez anos após o nome do hospital no Maranhão.

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