Novembro Azul alerta para prevenção e diagnóstico precoce do câncer de próstata Cirurgia robótica, testes genéticos e novos medicamentos estão mudando o tratamento do câncer de próstata no Brasil. Os avanços combinam precisão cirúrgica, recuperação rápida e terapias cada vez mais personalizadas — um importante avanço no combate ao tumor mais comum entre os homens brasileiros. Com a inclusão da cirurgia robótica no Sistema Único de Saúde (SUS), os pacientes passam a ter acesso a um procedimento mais delicado e com menor risco de sangramento, impotência e incontinência. Ao mesmo tempo, os testes genéticos ajudam a identificar o tratamento mais eficaz em cada caso, e os novos medicamentos melhoram o controlo da doença com menos efeitos adversos. “A robótica trouxe uma revolução silenciosa. As cirurgias ficaram mais delicadas e seguras, com maior preservação dos nervos responsáveis ​​pela ereção e pela continência urinária”, explica Vinicius Panico, urologista do comitê científico do Instituto Lado a Lado Pella Vida. Avanços tecnológicos no diagnóstico e tratamento do câncer de próstata Freepik Robotics SUS A Cirurgia Robótica para tratamento do câncer de próstata foi oficialmente incluída no Sistema Único de Saúde (SUS) em outubro de 2025, conforme portaria publicada pelo Ministério da Saúde. A medida inclui prostatectomia radical assistida por robô para pacientes com câncer localizado ou clinicamente avançado e prevê prazo máximo de 180 dias para hospitais credenciados implementarem o procedimento. Segundo o ministério, o objetivo é oferecer cirurgias com maior precisão, menos sangramento e recuperação mais rápida, reduzindo complicações como incontinência urinária e disfunção erétil. A portaria prevê ainda a criação de centros de referência e ampliação de telecirurgias remotas, que já foram testadas com sucesso no país, para garantir padronização e segurança no atendimento. Um estudo realizado no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP) mostrou que o uso da tecnologia robótica pode reduzir em até 25% o risco de impotência no pós-operatório. “Com o aumento da visibilidade conseguimos preservar a estrutura próxima à próstata, o que reduz complicações e acelera a recuperação”, explica o urologista Vinicius Panico, do Comitê Científico do Instituto Lado a Lado Pella Vida. “O grande desafio agora é garantir que essa tecnologia chegue a todos. Ainda há uma diferença enorme entre os pacientes da rede pública, que só terão acesso à cirurgia robótica em casos mais avançados, e os da rede privada, onde o procedimento já é utilizado ainda nos estágios iniciais”, afirma Panico. O oncologista e diretor da Clinica First, Rafael Brandão, destacou que a tecnologia já mudou as expectativas dos pacientes. “A oncologia da próstata entrou em uma era de personalização. O foco não é apenas prolongar a vida, mas garantir que o paciente viva bem, com menos efeitos adversos e preservando sua função sexual”. A genómica transforma o diagnóstico e o tratamento Os testes de perfil molecular analisam mutações no ADN de um tumor e ajudam a prever o comportamento biológico da doença – se será lenta e indolente ou agressiva e rapidamente progressiva. “Todos os cânceres de próstata não são iguais. Tumores de crescimento lento e outros muito agressivos. Através de testes genéticos, conseguimos prever o comportamento e definir o tratamento ideal”, explica o oncologista Igor Morbek, também do Instituto Lado a Lado Pella Vida. Segundo ele, a genômica já é utilizada na prática clínica para identificar pacientes que podem se beneficiar de vigilância ativa, evitar cirurgias desnecessárias ou selecionar terapias específicas para casos mais agressivos. “Isso muda completamente a gestão. Estamos deixando de tratar todos da mesma forma para tratar cada paciente como único.” Morbeck alerta que assuntos familiares exigem atenção especial. “Homens com histórico familiar de câncer de próstata, mama ou colorretal devem ser avaliados por oncogenética. Muitos casos em pacientes mais jovens são hereditários”. Novos medicamentos aumentam a sobrevida e controlam o progresso. Nos casos mais avançados, quando o tumor deixa de responder à terapia hormonal tradicional — que reduz a produção de testosterona —, os bloqueadores hormonais de nova geração são eficazes, como aplutamida, enzalutamida, abiraterona e darolutamida. “Esses medicamentos atuam em diferentes pontos da via hormonal e evitam que os tumores continuem a crescer, mesmo com baixos níveis de testosterona”, explica o urologista Mauricio Cordeiro, coordenador do Departamento de Uro-Oncologia da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU). “Eles reduzem o risco de metástase e aumentam a sobrevida em pacientes metastáticos com menos toxicidade”. O urologista Rony de Carvalho Fernandes, diretor da Escola Superior de Urologia da SBU, enfatiza que o progresso é global. Um estudo publicado pelo Comité Científico da revista The Lancet afirma que o número de cancros da próstata em todo o mundo deverá duplicar até 2040, passando de 1,4 milhões em 2020 para cerca de 2,9 milhões de novos diagnósticos por ano. Prevê-se também que as mortes anuais aumentem 85%, de 375.000 para quase 700.000 no mesmo período. Segundo os autores do estudo, a progressão está relacionada ao envelhecimento populacional, ao aumento da expectativa de vida e a fatores de risco como tabagismo, obesidade e sedentarismo. O estudo alerta ainda que o impacto será maior nos países de baixo e médio rendimento, onde o diagnóstico tardio é uma das principais barreiras ao tratamento eficaz. Receba cuidados mais cedo, viva melhor Apesar do progresso, os maiores desafios ainda residem no acesso e na conscientização. O Instituto Nacional do Câncer (INCA) estima 71,7 mil novos casos de câncer de próstata em 2025 e 17,5 mil mortes anualmente – cerca de 48 por dia. “Os pacientes do SUS ainda apresentam doença avançada, muitas vezes por falta de acesso à atenção primária. Os da rede privada são diagnosticados precocemente. Isso é reflexo direto da desigualdade social e cultural”, observa Panico. O rastreamento continua sendo a principal arma: o PSA e o toque retal, quando feitos individualmente e acompanhados por especialistas, podem detectar a doença antes do aparecimento dos sintomas, quando a chance de cura ultrapassa 90%.

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