Um avião de passageiros operado pela Azerbaijan Airlines caiu perto da cidade de Aktau, no Cazaquistão, na quarta-feira, depois de desviar de uma área do sul da Rússia, onde Moscou tem usado repetidamente sistemas de defesa aérea contra drones de ataque ucranianos.
Pelo menos 38 pessoas foram mortas, enquanto 29 sobreviveram.
Aqui está o que sabemos até agora:
O QUE ACONTECEU?
O voo J2-8243 da Azerbaijan Airlines, proveniente da capital do Azerbaijão, Baku, voou centenas de quilómetros da sua rota programada para Grozny, na região sul da Chechénia, na Rússia, e caiu na margem oposta do Mar Cáspio, a cerca de 3 km (1,8 milhas) de Aktau, no Cazaquistão.
Não se sabe por que o avião desviou centenas de quilômetros através do Mar Cáspio.
O órgão de vigilância da aviação da Rússia disse na sexta-feira que o avião decidiu desviar de seu destino original em meio a uma densa neblina e um alerta local sobre drones ucranianos.
O QUE CAUSOU O CRASH?
Isso ainda não é conhecido porque uma investigação oficial está em andamento.
Quatro fontes com conhecimento das conclusões preliminares da investigação do Azerbaijão disseram à Reuters na quinta-feira que as defesas aéreas russas o derrubaram por engano. Fotos dos destroços do avião mostraram o que pareciam ser danos por estilhaços na cauda do avião.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse na sexta-feira que não tinha nada a acrescentar e não queria fazer nenhuma avaliação até que a investigação oficial chegasse às suas conclusões.
O órgão de vigilância da aviação da Rússia disse na quarta-feira que a emergência pode ter sido causada por uma colisão com pássaros. A Rússia disse que é importante esperar que a investigação oficial termine o seu trabalho para compreender o que aconteceu.
Na sexta-feira, a Azerbaijan Airlines disse que os resultados preliminares de uma investigação mostraram que o avião sofreu “interferência física e técnica externa”, sem dar detalhes.
Dois passageiros do avião disseram à Reuters que houve pelo menos um grande estrondo quando o avião se aproximava de seu destino original, Grozny.
INVESTIGAÇÃO
O Cazaquistão lidera a investigação que será realizada sob regras internacionais conhecidas em toda a indústria pelo seu nome legal “Anexo 13”, regida pelo órgão de aviação das Nações Unidas, ICAO.
A caixa preta do avião, que contém dados de voo para ajudar a determinar a causa do acidente, foi encontrada, informou a Interfax na quarta-feira.
Os governos dos passageiros e tripulantes a bordo – azeri, cazaque, russo e quirguiz – e o Brasil, sede da fabricante de aviões Embraer, provavelmente estarão envolvidos. Os Estados Unidos, onde foi fabricado o motor do avião, também poderão participar.
O Brasil enviou três investigadores da Força Aérea ao Cazaquistão para participar da investigação. Representantes da Embraer também estão no local, segundo o presidente do Cazaquistão, informou a mídia local.
De acordo com as diretrizes do Anexo 13, um relatório preliminar será publicado no prazo de 30 dias após o incidente e um relatório final no prazo de 12 meses.
O relatório final sobre a queda acidental de um jato no Irã levou mais de um ano para ser divulgado pelo órgão de aviação civil iraniano.
EXISTE PRECEDENTE PARA ESSE TIPO DE INCIDENTE?
Se confirmado, seria o terceiro grande abate fatal de um avião de passageiros ligado a conflitos armados desde 2014, de acordo com a Rede de Segurança da Aviação da Flight Safety Foundation, uma base de dados global de acidentes e incidentes.
Desastres anteriores incluem o abate do voo PS752 da Ukraine International Airlines em 2020 pela Guarda Revolucionária do Irão, matando todas as 176 pessoas a bordo.
Em 2014, o voo MH17 da Malaysian Airlines foi abatido sobre o leste da Ucrânia por um sistema de mísseis russo BUK, com a perda de 298 passageiros e tripulantes.
IMPACTO NAS OPERAÇÕES DAS LINHAS AÉREAS
O órgão de aviação civil do Azerbaijão disse que os voos de Baku para a Rússia seriam suspensos por razões de segurança até a divulgação do relatório final. A Flydubai suspendeu voos para dois aeroportos do sul da Rússia desde o acidente. REUTERS
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