
Russos, americanos e ucranianos discutem acordo de paz Outra rodada de negociações para um acordo de paz entre a Rússia e a Ucrânia começou em Miami, EUA. A promessa de campanha de Donald Trump era acabar com a guerra dentro de 24 horas. Já se passou quase um ano desde que ele assumiu. Não demorou muito para que a realidade se estabelecesse. Como mediador, o presidente americano atuou como pêndulo nas negociações. Às vezes perto dos ucranianos. Entre outros, dos russos. Assim que assumiu o cargo, Donald Trump apostou no seu bom relacionamento com o presidente russo, Vladimir Putin, para tentar resolver o conflito rapidamente e aumentar a pressão sobre o ucraniano Volodymyr Zelensky. Era fevereiro. O primeiro encontro entre Trump e Zelensky no Salão Oval da Casa Branca terminou desta forma: Trump culpou a resistência de Zelensky pelo impasse. Ele disse que era inevitável que a Ucrânia cedesse algum território à Rússia. Dependente do apoio financeiro e militar dos EUA, Zelensky procurou reconstruir pontes à medida que o pêndulo americano oscilava cada vez mais na outra direcção. Era agosto quando Donald Trump estendeu o tapete vermelho para uma saudação e aplausos de boas-vindas a Putin para uma reunião no Alasca. Putin retribuiu o favor, mas nenhuma ação eficaz foi tomada. Trump saiu da reunião sem anunciar nada. Os europeus estão com pressa. Eles chegaram em força a Washington para apoiar Zelensky. Para eles, um ataque à Ucrânia hoje poderá ameaçar a segurança de toda a Europa amanhã. Funcionou. O tom do encontro entre ucranianos e Trump no Salão Oval foi diferente. Trump saiu da reunião otimista. Ele disse que mediaria uma conversa entre Zelensky e Putin. Isso nunca aconteceu. Volodymyr Zelensky, Donald Trump e Vladimir Putin JOURNAL NATIONAL / Reprodução Estava ficando claro que os russos estavam brincando com o tempo, enquanto ganhavam mais território no campo de batalha. Foi então que o pêndulo americano começou a mudar de direção – novamente. Furioso com Putin, Trump começou a argumentar que a Ucrânia poderia recuperar todo o território perdido. Ele até disse que a Rússia é um tigre de papel. Em outubro, anunciou as sanções mais duras contra o Kremlin. Mas embora os ucranianos tenham a Europa, os russos também têm aliados importantes e continuam a vender pesadamente à China e à Índia. A pressão de Trump sobre os russos não durou muito. Em novembro, os americanos colocaram na mesa de negociações um plano de paz com 28 questões, consideradas mais alinhadas com os interesses da Rússia. Os ucranianos têm alguns pontos. Ex.: Não aderir à OTAN, a aliança militar ocidental. Mas eles ainda se recusaram a deixar a área. A Rússia quer anexar as regiões de Donbass e Zaporizhia – incluindo os territórios que não poderia invadir. Zelenskyy disse que só o povo da Ucrânia pode decidir sobre isso e quer garantias de segurança. A União Europeia argumenta que é necessária uma demonstração de força para levar a Rússia a negociar. Nesta sexta-feira (19), o bloco aprovou um empréstimo de 90 bilhões de euros para a Ucrânia. A intenção inicial era utilizar depósitos russos em bancos europeus, mas não houve consenso. Numa tradicional entrevista de fim de ano, Putin disse que seria um assalto e que a Europa recuou para evitar consequências graves. Putin disse que está disposto a acabar com a guerra se obtiver certas garantias. É missão americana conciliar interesses tão diversos. Os embaixadores dos EUA reuniram-se com Zelenskiy na Alemanha esta semana. A próxima rodada de negociações com os russos acontecerá no fim de semana em Miami. Ainda há muitas dúvidas sobre o negócio. Irão os russos aceitar a ajuda dos EUA e da Europa para proteger a Ucrânia depois da guerra? A Ucrânia concordará em ceder algum território aos russos? Para onde irá Donald Trump no final? Mais


















