Mulher que viveu quase 70 anos sem documentos consegue obter certidão de nascimento O exame odontológico foi um dos elementos utilizados para que María da Imáculada Concecio tenha direito à primeira certidão de nascimento aos quase 70 anos. Até que, com a ajuda da Defensoria Pública do Ceará, tornou-se o primeiro recordista em 2025. Seu sobrenome, origem e data de nascimento eram desconhecidos. ✅ Clique aqui para acompanhar o canal g1 Ceará no WhatsApp Exame de arcada dentária e coleta de impressões digitais foram feitos em parceria com perícias forenses cearenses (Pefoce), como o defensor público Fernando Regis, que acompanhou o caso de Conceição, detalhado no g1. Veja também: IBGE revela nomes e sobrenomes mais populares no Ceará; Verificações e buscas no cartório A ideia era saber se ele tinha registro em banco de dados oficial ou sistema de identificação. Após os resultados, constatou-se que ele não existia oficialmente no Brasil. 🔎 Ao analisar arcadas dentárias, além de comparar trabalhos como restaurações e canais, é possível comparar placas de raios X e tentar identificar alguém pelas características únicas do formato do seu dente. Dessa forma, a perícia pode identificar pessoas que já possuem outras placas feitas por um dentista no passado. ➡️ Se a identidade da pessoa for desconhecida, os únicos dados deste resultado de teste são uma estimativa da idade da pessoa. “Nesta parceria, os profissionais do Pefos puderam informar que, de facto, a mulher não tinha, até então, nenhum documento, nenhum registo, e a sua idade era condizente com a idade indicada, a sua idade cronológica com a idade estimada ao nascer”, disse o defensor. Esse método foi utilizado pela Defensoria Pública, que também visitou os cartórios de registro civil em busca de dados sobre Concecio. A equipe multidisciplinar da Defensora também conversa com a mulher e tenta entender sua história de vida. “Foi realmente muito comovente porque ele falou, mas não tinha estes números, não tinha estas datas, estes momentos de celebração, de aniversários… mas acreditava que seria daquela data, que seria quase o ano do seu nascimento”, afirma Fernando Regis. Com estes elementos, a organização tomou medidas legais para que tenha o direito de atrasar o registo do registo de nascimento. A certidão de nascimento foi recebida por ele no dia 12 de agosto. Em outubro deste ano, ele conseguiu sua identidade pela primeira vez. Uma vida sem direitos Maria da Imaculada Conceição viveu sem documentos oficiais durante quase 70 anos. Defensoria Pública Residente em Ciara/Reprodução Cauquea, região metropolitana de Fortaleza, Concecio foi levado à Defensoria Pública quando um amigo descobriu que ele não tinha prontuário médico e não conseguiu. O caso chegou ao órgão em junho deste ano, com a presença da amiga Claudia de Araujo durante todo o processo. A assistência da Defensoria Pública foi considerada essencial. Isto porque, como explicou o defensor Fernando Regis, os custos de registo de cartório e os custos de pagamento de advogado particular nesta procura de registo tardio não são proporcionais à situação das pessoas mais vulneráveis, o que normalmente é o caso de quem não tem documentos. Com aproximadamente 70 anos, Conceição é uma mulher analfabeta que foi levada muito jovem para fazer trabalhos domésticos nas casas de pessoas ricas de Fortaleza. Ele não teve oportunidade de estudar. “Essa pessoa nunca foi reconhecida, essa pessoa nunca teve documento oficial… Ele cresceu trabalhando para os filhos dessa família. Na verdade, Conceição teve uma vida de negação. Fernando destacou que sua situação dificultava a obtenção de ajuda de qualquer política pública sem documentos. “A dona Consicao é uma vencedora, é uma lutadora. Se você imaginar que essa mulher nunca foi vacinada, ela não tem carteira de vacinação. Ela sobreviveu a uma epidemia sem acesso a vacina, sem nenhum benefício, programa de governo”, enfatizou. Conceição passou a ter nome completo e data de nascimento, com novos documentos obtidos em decisão judicial da 1ª Vara Cível da Comarca de Caucaia. Maria da Imáculada Conceição escolheu seu próprio nome e data de nascimento para obter seu primeiro documento. O nome Maria da Imáculada Conceição foi escolhido por ela como Defensora Pública do Ceará/Parjanan. Dia de Comemoração do Aniversário: 8 de dezembro. Nesta data, os católicos celebram Nossa Senhora da Imaculada Conceição, a santa a quem ela é devotada. O aniversário de Conceição também cai no Dia do Juízo Final. “Foi uma coincidência muito feliz”, destaca o defensor público, que afirma que Concecio se tornou ‘detentor de direitos’ desde este ano. Após a conquista, a idosa planeja procurar atendimento médico e poder receber vacinas para cuidar da saúde. “A partir de hoje, quando eu nascer de novo, vou seguir com a minha vida. Vou continuar trabalhando, lutando pela minha vida, do jeito que vivi. Mas agora vai ser diferente, não é? Agora tenho o que não tinha, agora tenho, que é o meu documento. Agora posso fazer qualquer coisa”, disse Conceição. O acompanhamento multidisciplinar da Defensoria Pública continua após o recebimento dos documentos. Um passo é se cadastrar no Cadastro Único de Conceição (CadÚnico), que dá acesso a benefícios sociais do governo para pessoas de baixa renda. Confira os vídeos mais vistos do Ceará:

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