
Arquivo Pessoal Violência Contra a Mulher De janeiro a outubro deste ano, duas mulheres foram alvo de tentativas de feminicídio todos os dias no estado de São Paulo. Nesse período, foram 618 casos, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo. O número é o dobro do registrado no mesmo mês de 2023: 291 casos. O crescimento nos últimos dois anos foi de 112%. Incidentes recentes que chocaram o país, como o da mulher que foi arrastada por mais de um quilômetro em uma corrida na marginal de Pinheiros e a mulher que foi agredida com duas armas no trabalho pelo ex-namorado, não entram na contagem porque ocorreram em novembro e dezembro. Os casos de tentativa de feminicídio são registrados levando-se em consideração o sexo da vítima. A lei federal considera o feminicídio quando o assassinato envolve violência doméstica e familiar e desrespeito ou discriminação contra a condição de mulher da vítima. SP tenta 2 feminicídios por dia; O número é o dobro de 2023, segundo pesquisa Arti/GloboNews sobre violência contra a mulher no Brasil. Uma em cada dez mulheres brasileiras com 16 anos ou mais foi vítima de violência digital no último ano, e uma em cada quatro vítimas de alguma forma de violência doméstica ou familiar perpetrada por um homem, segundo pesquisa nacional sobre violência contra a mulher realizada em parceria com a Datausx. Quando questionados sobre o relacionamento com o agressor, 70% disseram que o agressor era o atual marido, companheiro ou namorado. 11% disseram que era ex-marido, ex-companheiro ou ex-namorado. O estudo revelou ainda que menos da metade das vítimas denunciaram o agressor à polícia, seja indo à delegacia ou ligando para uma central de atendimento. Além disso, 62% das vítimas não solicitaram medidas de proteção contra o agressor. 👉 Medidas protetivas são ordens judiciais, previstas na Lei Maria da Penha, que proíbem o agressor de se aproximar e se comunicar com a vítima. Além disso, prestam apoio, monitoramento e proteção à vítima. Segundo o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), os pedidos são analisados pelo Judiciário em até 48 horas. Abaixo, veja os motivos pelos quais as mulheres entrevistadas disseram não denunciar o agressor: SP tentou 2 feminicídios por dia; O número é o dobro de 2023, segundo estudo da Arti/GlobeNews. A advogada Mayra Kota, especializada em questões de gênero, explicou que as redes sociais também alimentaram o aumento da violência contra as mulheres. Nenhum predador comete feminicídio porque um dia acorda e decide fazê-lo. Ela foi inserida em uma cultura que, de alguma forma, a legitima e a incentiva a fazer isso, seja pelo incentivo efetivo à violência ou pela desumanização da mulher. Segundo ele, “o discurso da violência não é apenas o discurso que incentiva os homens a cometerem violência contra as mulheres”. “São discursos que diminuem a nossa humanidade, que nos tratam como seres inferiores, merecedores da violência que sofremos”, afirma. Ele também comentou sobre a influência e o impacto das redes sociais no discurso de ódio contra as mulheres: “A verdade é que a misoginia dentro da plataforma hoje é muito lucrativa. “Para nós, mulheres, é uma condição muito estranha ser vitimadas por aqueles que um dia amamos, que podemos amar e ser vitimadas agora”, segundo uma advogada da Art/GloboNews do Brasil. Ela alerta que as mulheres precisam se perguntar: “Como os homens podem ser violentos com as mulheres que dizem amar? Esses homens não sabem bem o que é carinho, amor, e transformam isso em violência?” Os especialistas explicam que as vítimas têm dificuldade em terminar um relacionamento com um agressor por vários motivos. Uma delas é a pessoa não acreditar estar em situação de violência ou “não possuir recursos mentais, emocionais, financeiros, às vezes estruturais, familiares para poder sair dessa relação abusiva”. Para ela, existem muitos incentivos estruturais e sociais que legitimam tal violência e a questão “não é apenas perguntar porque é que as mulheres têm tanta dificuldade em sair de relações abusivas, mas perguntar como é que os homens têm tanta facilidade em promover relações abusivas”.


