Tema da semana: Especialistas falam sobre infertilidade masculina Segundo dados oficiais do Ministério da Saúde obtidos pelo g1, o número de consultas relacionadas à infertilidade masculina no Sistema Único de Saúde (SUS) mais que dobrou na última década. Em 2015, foram registradas 725 consultas. Em 2024, o total chegou a 2,5 mil – o maior número da série histórica. Em 2025, até setembro, já foram registrados 1.500 registros. Os dados combinam atendimentos ambulatoriais e hospitalares cadastrados no Sistema de Informações Ambulatoriais e Hospitalares (SIA e SIH) e não condizem com números populacionais ou diagnósticos específicos, pois um mesmo paciente pode receber múltiplos tratamentos ao longo do tempo. Mesmo assim, os especialistas entrevistados para o relatório afirmaram que a curva de crescimento reflecte uma combinação de mudanças comportamentais, maior acesso aos serviços de saúde e um aumento de factores que prejudicam a fertilidade masculina. “O aumento dos cuidados não pode ser interpretado isoladamente como um aumento direto da prevalência de infertilidade, mas mostra que mais homens estão a chegar ao sistema de saúde e os fatores de risco são mais elevados”, explica Guilherme Guimarães, urologista da BP em São Paulo – A Beneficência Portuguesa. Infertilidade masculina: o mais importante é quebrar os tabus e confirmar o diagnóstico. Divulgação Nidus Medicina Reprodutiva é uma curva que se acelera após a epidemia. Após anos de oscilações, os registros começam a subir de forma mais consistente a partir de 2021, período que corresponde à retomada da maior parte dos atendimentos após 9. Ampliação do acesso à saúde. O urologista e andrologista Rafael Amber, especialista em medicina sexual e reprodutiva masculina pela Faculdade de Medicina e médico do Instituto ABC de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe), corresponde ao que tem sido observado nos consultórios. “Este aumento não representa apenas mais procura de aconselhamento. Reflete também uma maior incidência de factores que prejudicam a fertilidade masculina, como a obesidade, a inactividade física, o uso de esteróides anabolizantes, a poluição ambiental e o adiamento da decisão de ter filhos”, afirmou. A infertilidade masculina não é exceção. Na literatura médica, a infertilidade é definida como a incapacidade de conceber após um ano de relações sexuais regulares sem o uso de contraceptivos. Nos casos em que a mulher tem mais de 35 anos ou quando são conhecidos fatores de risco, a investigação geralmente começa mais cedo. Estudos e prática clínica indicam que fatores masculinos estão presentes em 40% a 50% dos casos de infertilidade conjugal, seja como causa única ou em associação com fatores femininos. “Durante muito tempo a investigação começou pela mulher. Hoje sabemos que isso atrasa o diagnóstico e o tratamento”, explica Rômulo Nunes, urologista, médico assistente do Instituto do Câncer de São Paulo e cirurgião geral da Clínica Sarter. “A infertilidade é um problema de casal e o homem precisa ser avaliado desde o início”. Freepik trata da dificuldade de engravidar, o que é mais importante. A infertilidade masculina é um termo amplo, que serve de “guarda-chuva” para diversas alterações clínicas. Entre as causas mais frequentes, os especialistas destacam a varicocele – alargamento das veias testiculares, presente em até 40% dos casos e potencialmente tratável – além de alterações hormonais, infecções genitais, doenças genéticas e sequelas de tratamento oncológico. Nos últimos anos, no entanto, o estilo de vida e os fatores ambientais ganharam importância crescente. As principais causas de infertilidade incluem: varicocele, uma doença comum e, em muitos casos, tratável; Alterações hormonais, frequentemente associadas ao uso de testosterona e esteróides anabolizantes; infecções genitais, como a clamídia, que podem deixar sequelas; obesidade, sedentarismo, tabagismo e consumo excessivo de álcool; exposição a poluentes ambientais, pesticidas e calor excessivo; Efeitos tardios de tratamentos oncológicos como quimioterapia e radioterapia. “Em termos populacionais, a obesidade, o sedentarismo e o uso de substâncias têm um impacto maior do que os fatores genéticos conhecidos, porque são muito mais prevalentes”, explica Guimarães. Segundo os médicos, o excesso de gordura corporal favorece inflamações crônicas e alterações hormonais, como queda da testosterona, além do aumento da temperatura na região testicular – ambiente que prejudica a produção de espermatozoides. O sedentarismo e o consumo de álcool, tabaco e drogas agravam este efeito, aumentando o stress oxidativo e comprometendo a qualidade do esperma, reduzindo o volume, a motilidade e a integridade genética dos espermatozoides. A idade de pico livre também é importante para os homens Contrariamente ao conhecimento comum, a fertilidade masculina não permanece estável ao longo da vida. Após os 40 anos, ocorre um declínio progressivo na qualidade do sêmen, incluindo uma diminuição na contagem e motilidade dos espermatozoides e um aumento na variação genética. “Existe uma percepção generalizada de que apenas a idade da mulher afecta a fertilidade e isso não é verdade”, diz Amber. “A idade paterna avançada pode dificultar a gravidez e aumentar o tempo que um casal precisa para conceber”. Além do efeito na gravidez, estudos associam a idade paterna mais avançada ao risco de alterações genéticas e distúrbios do desenvolvimento neurológico nos filhos. Um problema quase sempre silencioso Na maioria das vezes, a infertilidade masculina não causa sintomas. O homem se sente saudável e mantém sua função sexual, descobrindo a mudança apenas meses ou anos depois de tentar engravidar. Porém, alguns sintomas podem servir de alerta e merecer avaliação médica, como: varicocele visível ou palpável; Dor ou sensação de peso nos testículos; história de testículos, torção testicular ou caxumba com inflamação; uso atual ou anterior de testosterona ou esteróides anabolizantes; Exposição ocupacional frequente ao calor ou produtos químicos. “O facto de ser silencioso é o que torna esta patologia tão subdiagnosticada”, explica Rómulo Nunes. Existe tratamento – e nem sempre ajuda a fertilidade. Uma proporção significativa dos casos de infertilidade masculina é reversível, especialmente quando relacionada a causas adquiridas. “O tratamento da varicocele, a correção da infecção e as mudanças no estilo de vida podem melhorar os parâmetros seminais”, afirma Nunes. “Essas intervenções costumam levar meses para mostrar resultados, porque o ciclo de produção de espermatozoides é longo”. Quando estas medidas não são suficientes, as técnicas de reprodução assistida são eficazes. Mas em cerca de 20% dos casos, a causa exacta da infertilidade não pode ser identificada. O espermograma é um dos principais exames para diagnosticar a infertilidade masculina. Os mitos do Freepik ainda atrasam o diagnóstico, apesar dos avanços, a desinformação e os tabus continuam sendo barreiras importantes. Um dos equívocos mais comuns é que ter ereção e ejaculação garante fertilidade, que os homens são férteis durante toda a vida e que a reposição de testosterona ajuda a engravidar — quando, na verdade, geralmente tem o efeito oposto. A investigação da infertilidade masculina começa com avaliação clínica e exame físico, realizados por urologista ou andrologista, para identificar a presença de testículos, vesículas seminais e varicocele. Depois, o exame principal é o espermograma, que analisa as características do sêmen, como quantidade, motilidade e formato dos espermatozoides. Os resultados podem variar, o teste geralmente é repetido. Dependendo do caso, também são solicitados exames hormonais e ultrassonografia dos testículos para avaliar a produção de testosterona e outros hormônios, que ajudam a identificar varicocele e alterações anatômicas. Os testes genéticos são limitados a condições mais graves, como ausência ou contagem muito baixa de espermatozoides. “Quanto antes a pessoa entrar na investigação, maior será a probabilidade de encontrar causas tratáveis ​​e evitar tratamentos mais complicados”, finaliza Amber.

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