Ainda não passou um ano desde que os líderes europeus se prepararam para o segundo mandato do Presidente Trump, e agora parece que essa montanha-russa atingiu o seu ponto mais perigoso até agora.
A Casa Branca está a lançar a ameaça de sanções económicas aos chefes de estado dos países ocupantes que apoiam a integridade territorial da Dinamarca, membro da UE.
Os líderes realizarão uma cimeira de emergência da UE sobre o assunto nos próximos dias. Se a UE reagir com contramedidas semelhantes, corre o risco de uma guerra comercial total com os EUA.
Se não agir, irá Trump concluir que o bloco dos 27 é fraco, dividido e demasiado receoso para parar de ameaçar ficar com a Gronelândia – seja comprando-a com força militar ou tomando-a?
O presidente francês, Emmanuel Macron, disse que era hora de usar a “bazuca comercial” da UE pela primeira vez. Trata-se do Instrumento Anticorrosão (ACI), que permitiria à Europa reagir com contra-tarifas, limitar o acesso ao mercado único e bloquear candidaturas para negócios lucrativos da UE.
Uma grande ironia é que esta arma foi originalmente concebida para combater qualquer interferência de uma força externa hostil.
Eles estavam pensando na China, não nos Estados Unidos.
Actualmente, alguns líderes da UE estão cansados da abordagem de Macron. Entre eles está a italiana Giorgia Meloni, que tem desfrutado do melhor relacionamento com Trump.
Ele falou de “problemas de compreensão e comunicação” sobre o recente envio de tropas por alguns países europeus, incluindo a Dinamarca, para a Groenlândia, mas não entrou em detalhes sobre os mal-entendidos que podem ter causado.
Se a intenção era aplacar Trump e sugerir que ele tem toda a razão ao afirmar que a segurança do Árctico deve ser reforçada, a visão daquelas tropas apenas parece provocá-lo a fazer a sua mais recente ameaça.
A explicação de Meloni sobre algo perdido na tradução abre a porta a uma abordagem mais diplomática para lidar com esta crise incerta entre a UE e os EUA.
A reunião de emergência de domingo dos embaixadores da UE em Bruxelas foi um evento discreto, ao contrário das cimeiras rotineiras de alto nível, onde o trânsito pára, as estradas são bloqueadas e os líderes afluem às câmaras para transmitir os seus pensamentos.
Não está claro quem dará o próximo passo e se Trump sofrerá alguma pressão com sua última ameaça ou se realmente dobrará a aposta.
É pouco provável que a ação da UE num tema tão sensível seja rápida e unânime.
A Europa tentou agradar ao máximo o Presidente Trump no seu segundo mandato. Alguns chamam isso de astuto, outros chamam de insidioso.
Mas agora há uma nítida sensação de que ele não está apenas a puxar a ponte levadiça diplomática transatlântica, mas também a ameaçar explodi-la completamente.

















