O idoso morreu durante uma cirurgia em João Pinheiro, e a família relata que as pinças dentro do corpo foram esquecidas. O que deveria ser um momento de celebração e alegria se transformou em dor e saudade. Manuel Cardoso de Brito, 68 anos, morreu na véspera de Natal, após complicações decorrentes de duas cirurgias no Hospital Municipal João Pinheiro, noroeste de Minas. A despedida foi ainda mais difícil para o filho do velho, Samuel Cardoso Regente de Brito. Serralheiro de profissão, ele próprio fez a cruz que marca o túmulo de seu pai. “Foi a cruz mais pesada da minha vida. Nossa, chorei, mas chorei”, disse ao g1. A família reclamou que o hospital havia esquecido uma pinça cirúrgica dentro do corpo do paciente durante a primeira operação, fato que motivaria uma segunda intervenção. A Secretaria Municipal de Saúde confirmou que um órgão estrangeiro foi movimentado e está investigando o caso. Leia abaixo a nota pública publicada pela Prefeitura de João Pinheiro. ✅ Clique aqui para acompanhar o canal g1 Triângulo no WhatsApp Samuel conta que mesmo depois de Manuel ter sofrido um AVC há alguns anos, a família sempre manteve a tradição de reunir todos no final de ano. O idoso precisou de cuidados especiais, mas, segundo o filho, aos poucos recuperou a comunicação e a alimentação. “Foi o pior Natal da minha vida. O pior Natal e o pior Ano Novo. A esposa de Manuel também passou por um erro no mesmo hospital, disse o filho. Além da dor da perda do pai, Samuel revelou ao G1 que soube recentemente de outro episódio envolvendo a família no mesmo hospital. Quando ela era bebê, sua mãe fez uma cirurgia de retirada de vesícula na unidade e, segundo uma tia, ficou um dreno dentro dela. “Quando eu era jovem, há muito tempo minha mãe fez uma cirurgia no mesmo hospital, mas eu nunca imaginei. Ela tirou a vesícula e colocaram um dreno no estômago e ela ficou uns dois meses lá. Não me lembro, eu era jovem, mas minha tia me contou agora”, relatou. Samuel disse não saber se a mãe teve alguma complicação devido ao episódio e disse que, segundo a tia, a família teve que insistir na retirada do objeto na época. O hospital foi questionado pela Secretaria Municipal de Saúde da cidade sobre a situação relatada por Samuel, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem. O filho do paciente disse que o médico disse que o pai dele esqueceu um ralo. Samuel relatou ainda que, após a segunda cirurgia, foi chamado ao hospital para falar com o médico responsável. “Me ligaram e falaram que o médico queria falar comigo. E aí falaram que tinham que fazer uma segunda operação porque meu pai estava com pus. Então perguntei ao médico qual era a causa desse pus. E ele disse: ‘Esqueceram um dreno dentro dele’. Eu já estava chateado com tudo que estava acontecendo com meu pai, e para mim era normal”, disse. Segundo Samuel, ele não considerou que o referido dreno pudesse ser material hospitalar e disse que a equipe não forneceu detalhes sobre o procedimento, nem sobre o objeto a ser retirado. Paciente ficou internado por 13 dias Segundo Boletim de Ocorrência (BO), Manuel foi submetido a uma cirurgia de emergência no dia 5 de dezembro, após ser internado com úlcera gástrica. A equipe médica informou que o procedimento ocorreu sem problemas. O paciente permaneceu dois dias na UTI e depois foi transferido para o quarto. Enquanto estava hospitalizado, seu filho o visitou e percebeu que seu pai estava com dificuldade para comer. A cuidadora relatou ainda que Manuel apresentava sinais de dor e sonolência excessiva. Foi quando Samuel pediu que ele questionasse o paciente sobre o quadro na próxima consulta médica. Depois, no dia 11 de dezembro, foi feita a tomografia. Logo em seguida, segundo familiares, os profissionais invadiram a sala e levaram o paciente para nova cirurgia sem explicar o motivo e sem solicitar autorização formal da família. “Eles voltaram e o buscaram para a cirurgia, depois durante a cirurgia não se comunicaram nem deixaram o cuidador que estava com ele ir com ele. Nem pediram para ele ir, não contaram à família”, disse Talawala. Ao saber do suposto erro médico, Samuel pede para fazer uma tomografia, mas o hospital recusa. Após a segunda cirurgia, Manuel voltou para a UTI. Ele ficou internado por 13 dias, mas não sobreviveu e morreu. Na declaração de óbito a causa da morte foi registrada como natural, indicando choque séptico e úlcera gástrica perfurada. Porém, a família e o advogado Iuri Evangelista Furtado contestam esta versão. Samuel acredita que seu pai poderia ter sobrevivido se não fosse pelo suposto erro médico e pela necessidade de uma segunda cirurgia. “Fiquei chocada. Se não tivesse acontecido com ele, garanto que meu pai teria passado o Natal e mais um Ano Novo conosco”, lamentou. O advogado da família disse que medidas legais foram tomadas. Além de acompanhar as investigações da Polícia Civil, solicitou ao hospital municipal todos os prontuários, laudos, exames e registros clínicos e administrativos. “A família não procura vingança, mas sim a verdade, a justiça e o respeito pela memória do senhor Manuel, bem como a protecção de outras vidas para que incidentes semelhantes não voltem a acontecer”, disse. Mais sobre a morte do Sr. Manuel Cardoso de Brito, ocorrida no Hospital Municipal Antonio Carneiro Valladares. O referido paciente deu entrada no hospital em 5 de dezembro de 2025, encaminhado pela UPA, com quadro grave de vômito com sangramento, associado a sequelas neurológicas importantes e diminuição do nível de consciência. Na ocasião, foi identificado corpo estranho na cavidade abdominal. Durante o segundo procedimento, não foi encontrada perfuração de alça intestinal e as suturas do procedimento anterior estavam intactas. O procedimento foi realizado sem complicações adicionais. No dia seguinte, a família foi informada sobre o procedimento a ser realizado novamente, bem como a identificação e retirada do corpo estranho. Acidente vascular cerebral (AVC), condição que contribui significativamente para a evolução do quadro e para o desfecho que ocorre. Ao tomar conhecimento do incidente, a direção administrativa e técnica do hospital tomou imediatamente todas as medidas cabíveis, incluindo notificação de evento adverso, investigação de barreiras de segurança, fortalecimento de protocolos de segurança do paciente, bem como notificação à ANVISA, para início de investigação e apuração rigorosa dos fatos. Registro das ações tomadas. Por fim, o município manifesta sua solidariedade aos familiares e garante que está à disposição para prestar toda a assistência necessária, bem como prestar esclarecimentos adicionais, sempre pautados pela ética, responsabilidade e compromisso com a saúde pública.” Samuel Cardoso mostra pinça cirúrgica no corpo de paciente tomográfico com arquivo pessoal de seu pai Manuel Arquivo/Reprodução Vídeo: Triângulo, Alto Pernaíba e Norweste de Minas Veja tudo sobre

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