
O Brasil se prepara para um possível aumento da migração venezuelana, o Posto de Triagem (PTrig) da Operação Acolhida, ao sul de Boa Vista, por volta de 13 de setembro, nesta segunda-feira (5), registrou uma longa fila de primeiros migrantes após a invasão norte-americana da Venezuela e a prisão do presidente Nicolás Maduro. ➡️ ENTENDA: Os EUA lançaram uma ofensiva contra a Venezuela no sábado (3) com explosões nos estados de Caracas e Miranda, Aragua e La Guaira. O presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa foram presos e levados para os Estados Unidos. A Operação Acolhida é uma força-tarefa criada pelo governo federal em 2018 com a ajuda de organismos internacionais, responsável por organizar a fronteira, acolher e internalizar imigrantes venezuelanos no Brasil. O PTrig é o local onde os imigrantes venezuelanos recentes em Boa Vista solicitam asilo, hospedagem temporária, pagamento de CPF, carteira de trabalho e vacinação. Longas filas de migrantes estavam no local da Operação Acolhida PTrig em Boa Vista Caíque Rodrigues/g1 RR g1 e dezenas de migrantes registraram longas filas dentro da instalação esperando para fazer check-in ou atualizar documentos de migração, como protocolos da Polícia Federal, necessários para acesso a serviços básicos e oportunidades de emprego. O tenente-coronel Manuel Magno Lopes, chefe da seção de comunicação estratégica da Operação Acolhida, disse ao g1 que o fluxo estava “normal para segunda-feira, considerando que não há serviços de fim de semana”. Ele conclui classificando o movimento atual como “baixo”. Questionado sobre a briga em entrevista coletiva, o comandante da 1ª Brigada de Infantaria de Selva de Roraima, Roberto Pereira Angrizani, não respondeu, dizendo que “as dúvidas sobre a Operação Acolhida devem ser direcionadas à operação”. A cabeleireira Aranza Velasquez, 33 anos, estava entre os imigrantes nascidos em Ciudad Bolívar Caíque Rodrigues/g1 RR. Nascido em Ciudad Bolívar, chegou a Boa Vista no início de dezembro e procurava Pietrig para regularizar sua documentação. Ele viajou sozinho e foi apoiado por amigos imigrantes. Ele classificou a situação atual na Venezuela após o ataque dos EUA como um “momento de mudança”. “Esses sentimentos foram recebidos porque, verdadeiramente, como venezuelano, não quero mais violência. Mas, para um canteiro de obras, às vezes a destruição vem primeiro. Acho que foi algo necessário, aconteça o que acontecer, o bombardeio”, disse Aranza. ‘Dói ver o país banhado em sangue’ Manuel Garcia, 69 anos, vende pastas em frente ao PTrig Caíque Rodrigues/g1 RR O movimento violento também atinge quem tenta garantir renda no entorno da emissora. Manuel Garcia, 69 anos, vendedor ambulante de Maturin, vende pastas de documentos na frente do PTrig enquanto espera a conclusão do processo de regularização. Ele disse: “Sou grato a Deus e aos brasileiros, porque eles estão nos servindo bem aqui. É uma grande bênção para aqueles que estão passando por tantos problemas”. Relativamente à situação na Venezuela, Manuel expressou tristeza e incerteza quanto ao futuro do seu país. “Não me sinto bem com isso. Tenho família lá e dói ver o país banhado em sangue”, acrescentou. Lilibe Bassante, 52 anos, aguarda recebimento de documentos no PTrig Caíque Rodrigues/g1 RR Há migrantes que ficaram muito tempo em Boa Vista e voltaram à delegacia para renovar documentos. É o caso de Lilibe Basante, de Ciudad Bolívar, 52 anos, que mora na capital há cerca de seis meses depois de ser abrigada pela Operação Acolhida. Ela veio para Boa Vista com a família e não trabalha, pois tem um filho deficiente de 24 anos. Falando sobre a situação política no seu país, Lilib disse acreditar na mudança. “Seja feita a vontade de Deus. A Venezuela é um país rico. Há muito ouro, prata, petróleo, alumínio… mas o povo sofreu muito. Esperamos que a situação melhore agora”, disse ele. Socorro em Pacaraima Migrantes aguardam em posto de recepção do Exército em Pacaraima, norte de Roraima Ailton Alves/Rede Amazônica Na manhã desta segunda-feira, em Pacaraima, norte de Roraima, na fronteira com a Venezuela, o Exército também retomou os serviços no posto de triagem da Operação Acolhida. O controle migratório da Polícia Federal também retomou as operações. Pacaraima é uma cidade do Brasil que faz fronteira direta com a Venezuela. Lá, é o primeiro território nacional a sofrer as consequências da crise política, económica e humanitária da Venezuela. Ao longo do dia será feito monitoramento para avaliar se o fluxo de migrantes venezuelanos aumentará até as 9h (horário local), quando o movimento se acalmou e não houve mais filas como nas outras datas. Cerca de 200 agentes das Forças Armadas atuam na região. Existem aproximadamente 2.000 soldados em todo o estado de Roraima. Na região amazônica, o quadro de funcionários chega a 10 mil agentes. Leia outras notícias do estado no G1 Roraima.


















