Enquanto a neve caía e o nevoeiro se instalava em Bormio, Lucas Pinheiro Brathen fez história ao se tornar o primeiro sul-americano a conquistar uma medalha olímpica de inverno. Então, veio a constatação de que ele havia conquistado a medalha de ouro brasil No slalom gigante masculino, ele caiu no chão e deixou as lágrimas escorrerem.
“Só espero que os brasileiros vejam isso e realmente entendam que o seu diferencial é o seu superpoder”, disse ele, ainda chorando. “Isso pode aparecer na sua pele ou na maneira como você se veste. Mas espero que inspire todas as crianças que se sentem um pouco diferentes a confiar em você.”
Na parte de trás do capacete de Pinheiro Brathen está escrito em letras grandes “Vamos Dancar”. E ele certamente conseguiu, ganhando uma vantagem impressionante de 0,95 segundos sobre o veterano suíço Marco Odermatt em sua primeira corrida.
O desempenho de Brathen foi tão bom que apenas sete esquiadores estavam a dois segundos de seu ritmo e, embora ela tenha reduzido parte de sua vantagem com alguns altos e baixos em sua segunda corrida, ela conseguiu ganhar o ouro por 0,58 segundos. “Foi realmente uma primeira corrida e tanto e consegui manter a compostura e o equilíbrio na segunda corrida”, explicou o jovem de 25 anos, que caiu na neve antes de se levantar e pegar nos esquis. Ele então pediu um longo abraço ao pai Björn.
Ele admitiu: “Vocês continuam tentando me perguntar se consigo expressar esses sentimentos em palavras, mas realmente não consigo”. “Tem sido um caminho muito longo. E tem sido um caminho não convencional. Mas tem sido o meu caminho. É um caminho que foi pavimentado com a coragem de ser quem eu sou.”
Isto é definitivamente verdade. Pinheiro Brathen nasceu em Oslo, filho de mãe brasileira e pai norueguês, e relutantemente começou a esquiar aos oito anos, após ser apresentado ao esporte por seu pai. Ele foi criado falando norueguês e português.
Ele competiu pela Noruega nos Jogos de Pequim, onde não conseguiu terminar nem no slalom gigante nem no slalom, antes de chocar o esporte quando se separou da federação norueguesa e se aposentou após conquistar o título da Copa do Mundo de slalom em 2023, dizendo que não conseguia se expressar ou não tinha liberdade para trabalhar com seus patrocinadores.
Em 2024, Pinheiro Brathen retorna às pistas com as cores brasileiras, terra natal de sua mãe Alessandra e onde passou muitos anos de sua infância. Com 443 mil seguidores no Instagram, ele participa regularmente das semanas de moda de Paris e Milão e também lançou sua própria linha de produtos para a pele.
E dois anos depois ele realizou seu sonho. “Foi o maior palco em que pude pisar”, disse ele. “Mas fui feito para esta etapa. Como falei antes do início desses Jogos, o Brasil não está aqui para participar. Vamos fazer a diferença. Esse era o meu objetivo. Há muito tempo sonhava com isso, que se seguisse meu coração poderia estar no topo. E é por isso que hoje sou campeão olímpico.”
O atual campeão olímpico Odermatt ganhou a medalha de prata. Enquanto outro esquiador suíço Loic Maillard conquistou a medalha de bronze.


















