CINGAPURA – O petróleo subiu em 4 de outubro – após o maior salto diário em quase um ano – devido a preocupações de que Israel possa decidir atacar instalações de petróleo iranianas em retaliação a uma barragem de mísseis no início desta semana.
O West Texas Intermediate subiu para US$ 74 por barril, depois de subir mais de 5% em 3 de outubro, enquanto o Brent fechou perto de US$ 78.
Em 3 de outubro, o presidente Joe Biden – quando questionado se apoiaria Israel no ataque às instalações de petróleo do Irão – disse: “Estamos a discutir isso”. Mais tarde, uma autoridade dos EUA disse que o governo ainda estava em negociações com Israel e acreditava que nenhuma decisão havia sido tomada ainda.
O petróleo bruto disparou esta semana, à medida que a escalada das tensões no Médio Oriente levantava a possibilidade de que o abastecimento da região, que representa cerca de um terço do total mundial, pudesse ser interrompido. Israel e o Irão, bem como os representantes de Teerão no Líbano, Gaza e noutros locais, têm-se enfrentado desde o ano passado, alimentando preocupações de um conflito total que poderá atrair os Estados Unidos.
O Irão é membro do cartel petrolífero da OPEP, produzindo cerca de 3,2 milhões de barris por dia (bpd) ou 3% da produção mundial.
Disparou uma barragem de mísseis contra Israel no início desta semana, depois de Israel ter intensificado a sua ofensiva contra o Hezbollah apoiado por Teerão, incluindo o envio das suas tropas para o sul do Líbano. Em 3 de outubro, o Grupo dos Sete, liderado pelos EUA, apelou aos países da região “para agirem de forma responsável e com moderação”.
O Citigroup estimou que um grande ataque de Israel à capacidade de exportação do Irão poderia retirar do mercado 1,5 milhões de barris de abastecimento diário. Se Israel atacar infra-estruturas menores, como activos a jusante, poderão perder-se entre 300 mil e 450 mil barris de produção, afirmou.
Os analistas também expressaram preocupação com o facto de Teerão poder aumentar os riscos ao visar infra-estruturas energéticas em estados vizinhos ou rotas de abastecimento, incluindo o crítico Estreito de Ormuz.
O salto do petróleo – se sustentado – poderá contribuir para um ressurgimento da inflação, tal como muitos bancos centrais, incluindo a Reserva Federal dos EUA, começaram a reduzir as taxas de juro depois de o ritmo dos ganhos de preços ter diminuído. O petróleo mais caro, com o tempo, contribuiria para o aumento dos preços da gasolina na bomba.
Para além da crise no Médio Oriente, há sinais de ampla oferta. A Opep+ pretende restaurar parte de sua capacidade fechada, com aumentos previstos para começar em dezembro. A Líbia, entretanto, tem reiniciado a produção, devolvendo centenas de milhares de barris por dia, depois de o impasse político no país ter diminuído. BLOOMBERG


















