O Supremo Tribunal Federal (STF) retoma os procedimentos no início de fevereiro de 2026, após recesso de final de ano. Nos primeiros meses, o tribunal deve analisar múltiplos processos criminais e ações com implicações políticas, económicas e sociais. Em fevereiro e março, a primeira turma julgará ações penais relacionadas à morte da vereadora Mariel Franco e ao desvio da emenda parlamentar. Questões como plenário, foro privilegiado, modelo de funcionamento nas aplicações, aplicação da lei de anistia para crimes autoritários e atuação contra as reformas previdenciárias estão no radar. Confira abaixo os principais temas previstos para 2026: Processos criminais no primeiro painel O primeiro painel deverá focar uma parte relevante da agenda criminal no início do ano. Em fevereiro, as acusações criminais contra os envolvidos na morte de Mariel Franco deverão ir a julgamento. Em março, os ministros devem analisar o processo que trata de irregularidades no uso de emendas parlamentares responsáveis por deputados do PL. Os processos criminais relacionados com as ações de 8 de janeiro de 2023, quando os quartéis-generais das três forças foram atacados e vandalizados, também devem continuar. Segundo balanço publicado no final de 2025, existem 346 ações penais em fase final de tramitação e outras 98 reclamações em fase de defesa preliminar, a maior parte delas contra acusados de financiar estas ações. O grupo também deve abrir processo criminal contra Eduardo Bolsonaro, acusado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) de tentar interferir no exterior em um caso envolvendo seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. O deputado licenciado já se tornou arguido, e o coletivo decidirá se será condenado ou absolvido, com data ainda a definir. Mudanças no foro privilegiado poderiam retomar recursos dos julgamentos do plenário do STF que detalham o alcance do foro privilegiado — um dispositivo constitucional que garante a certas autoridades o direito de julgar crimes comuns em tribunais superiores. O relator do caso, ministro Gilmar Mendes, votou pela volta dos casos envolvendo ex-autoridades à Justiça onde iniciaram a tramitação. Também propôs critérios para definir a aplicação do foro quando a autoridade estiver em posição consistente com o privilégio do foro em diferentes casos. O bloqueio de aplicativos que descumprirem ordens judiciais também poderá retornar aos julgamentos do STF que discutem se os tribunais podem ordenar o bloqueio nacional de aplicativos de mensagens como WhatsApp e Telegram caso estes deixem de fornecer dados solicitados em investigações criminais. A discussão envolve a interpretação do Marco Civil da Internet, que prevê sanções para empresas que descumprirem regras de manutenção e compartilhamento de registros de usuários. O ponto central é se o bloqueio total de serviços pode ser aplicado como penalidade. Modelo de trabalho no aplicativo Outra questão aguardada é a decisão sobre a existência — ou não — de vínculo empregatício entre motoristas e entregadores e a plataforma digital, debate conhecido como “Uberização”. O caso está em tramitação com resposta geral. Isso significa que o STF estabelecerá um entendimento que outras instâncias de justiça deverão seguir. O julgamento estava marcado para o final de 2025, mas foi adiado enquanto se aguarda o debate no Congresso sobre um projeto de lei que trata do assunto. Lei de Anistia e Crimes da Ditadura Os ministros devem analisar os recursos que discutem a aplicação da Lei de Anistia aos crimes cometidos durante a ditadura militar que, na prática, têm efeitos duradouros até hoje — como ocultação de cadáver e desaparecimento forçado. O STF também decidirá se a lei é compatível com tratados internacionais de direitos humanos, como a Convenção de São José, da Costa Rica. Entre os casos em análise estão o assassinato do ex-deputado Rubens Paiva, retratado no filme Ainda Estou Aqui, e crimes ocorridos durante a guerrilha do Araguaia. Os processos também têm reações gerais. Ações Contra as Reformas da Previdência O STF também poderá analisar as questões das reformas da previdência aprovadas em 2019. Os temas de discussão incluem: ▶️ exigência de idade mínima para aposentadoria especial visando trabalhadores expostos a agentes nocivos à saúde; ▶️Alterações nas regras de contribuição previdenciária dos aposentados portadores de doenças graves ou incapacitantes, incluindo o fim das isenções parciais. Lei de Abuso de Poderes Outra questão pendente envolve a validade da Lei de Abuso de Poderes, promulgada em 2019. Essa norma dispõe sobre infrações cometidas por agentes públicos, descrição de conduta e punição. Associações de juízes, procuradores e polícias argumentam que a lei viola princípios constitucionais, como a separação de poderes, e pode prejudicar o combate à corrupção. Em fevereiro de 2025, o STF ouviu as partes e peritos. O relator, ministro Alexandre de Moraes, ainda não tem data para apresentar seu voto.

















